Crónica de Jogo

Os atiradores chegaram na segunda parte para devolver o Sporting às vitórias tranquilas

Geny festeja o seu golo no 3-0 do Sporting ao Moreirense
Geny festeja o seu golo no 3-0 do Sporting ao Moreirense
MANUEL FERNANDO ARAÚJO

Mais de um mês depois, os leões venceram um encontro sem ser pela margem mínima, batendo (3-0) o Moreirense e ficando, à condição, a um ponto do FC Porto. Trincão, Geny e Suárez, com belas finalizações, marcaram

Os atiradores chegaram na segunda parte para devolver o Sporting às vitórias tranquilas

Pedro Barata

Jornalista

Os cardiologistas do lado verde e branco de Lisboa suspiram de alívio. Por uma vez, não houve picos de emoção, não foi preciso esperar até ao fim, as unhas foram poupadas, porque não ferverosamente ruídas até para lá do tempo de compensação.

Foram cinco semanas de nervos para o Sporting. Desde o 3-0 ao Casa Pia, a meio de janeiro, eis a vida leonina: sete jogos, seis vitórias, todas pela margem mínima e com golos obtidos aos 90', 90+6', 90+4', 90+6', 117' e 82'. No empate, o festejo surgiu aos 90+10'.

Por uma partida, não foi assim. Aos 75', entrando no derradeiro quarto de hora, já estava tudo resolvido. 3-0, três pontos, três bons golos, pressão em cima do FC Porto, que vai para a receção ao Rio Ave com um mero ponto de vantagem para a equipa de Rui Borges.

Quase simbolicamente, o divórcio com o sofrimento deu-se com grandes finalizações, como se os melhores atiradores derrubassem as dificuldades, o jogo emperrado, a montanha-russa. A partir do momento em que Trincão fez um passe para a baliza, aos 52', o que poderia começar a complicar-se foi-se simplificando.

O Sporting a arrancar um jogo com o sol a brilhar e tendo transmissão em sinal aberto soa quase a homenagem ao passado, a partida vintage, tocando em certos recantos da memória. Chegou a parecer que, a dada altura, Paulo Bento surgiria no ecrã da TVI, com Ricardo na baliza, Liedson na frente e um losango no meio-campo.

Trincão festeja o 1-0
MANUEL FERNANDO ARAÚJO

O arranque leonino foi mentiroso, por não revelar o que sucederia depois. A primeira dezena de minutos dos bicampeões foi autoritária, empurrando o Moreirense para trás, com fluidez posicional e chegada perto da baliza. Com Luís Guilherme muito ativo, Trincão, em duas situações, desperdiçou o golo inaugural.

Há sempre um aroma a audição em torno de Vasco Botelho da Costa nestes desafios. Para um dos principais exemplares da nova vaga de técnicos nacionais, medir forças com os grandes é quase uma demonstração de capacidades perante o grande público. O ex-Alverca aproveitou uma paragem por lesão para chamar os seus, reorganizar a equipa e tentar tornar o fim de tarde em algo diferente. Não obstante, esteve longe de ser o embate mais fulgurante dos minhotos, quase sempre tímidos e só criando verdadeiro perigo depois do 2-0.

Na etapa inicial, e durante largos minutos, o Sporting sofreu para chegar com perigo a André Ferreira. Os cónegos também não se esticavam para junto de Rui Silva, levando a contenda para uma espécie de impasse, de ausência de tensão que dava tempo para pensar que, neste estádio, aefémera era João Pereiraviveu um dos seus episódios negros. De volta a 2026, só perto do descanso voltou Suárez a ameaçar desbloquear o nulo.

Geny dispara para o 2-0
MANUEL FERNANDO ARAÚJO

Seria através de uma recuperação alta que chegaria o desbloquear o desafio para os visitantes. Aos 52', Cedric Teguia perdeu para Hjulmand, permitindo a Luís Guilherme, que apesar de sacrificado à esquerda vai mostrando qualidade na decisão e execução, ligar com Maxi Araujo. O sempre competitivo uruguaio deu para Trincão, que concretizou suavemente, homenageando o ausente Pote.

Foi o tónico que o Sporting precisava para arrancar para minutos convincentes, enquanto, do lado oposto, o Morerense consolidava a sensação de que o melhor momento da época já lá vai, até pela orfandade de Guilherme Schettine. O grande momento chegou aos 56', quando Trincão deu para Geny Catamo e o moçambicano canalizou o seu Arjen Robben interior, voando da direita para o meio e fazendo a bola viajar, em arco, fugindo de André Ferreira para ir dormir, serena e feliz, no fundo das redes do Moreirense.

Só quando o marcador era duplamente desfavorável é que os locais roçaram o golo. Primeiro foi Nile John a acertar na barra, depois foi Maranhão a cabecear perto do poste direito de Rui Silva.

Não obstante, o destino dos três pontos jamais esteve em causa. Não foi tarde de arrelias, houve serenidade para os corações de Alvalade. Aos 75', Luis Suárez simbolizou a tranquilidade com um golo paradoxal, em que se atingiu a calma à lei da bomba, destruindo a baliza para obter a serenidade. O Sporting bem precisava de se encher de boas finalizações para ganhar confiança para as grande decisões do trimestre final da época.

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