Crónica de Jogo

Um comboio polaco num festival de desperdício do FC Porto

Polaco foi o destaque no ataque do FC Porto na vitória frente ao Rio Ave
Polaco foi o destaque no ataque do FC Porto na vitória frente ao Rio Ave
Diogo Cardoso

O líder do campeonato voltou a vencer pela margem mínima, mas tem a eficácia como culpa. Num jogo com três bolas aos postes e golos anulados por centímentros, a vitória por 1-0 frente ao Rio Ave, no Dragão, com Pietuszewski em destaque, peca por escassa

Quatro jogos consecutivos a marcar apenas um golo em cada um deles será um sinal de alerta para quem lidera o campeonato. Mas, divergindo do que aconteceu nos últimos três, a margem mínima com o FC Porto derrotou o Rio Ave é circunstancial: entre golos anulados por centímetros, bolas à barra e quejandos, este 1-0 final não merece juntar-se aos argumentos de quem sente uma crescente preocupação.

O FC Porto vive, por certo, uma fase difícil, sem Martim Fernandes, Kiwior e Samu, a quem, nesta jornada, se juntou Thiago Silva. Farioli vai remendando com o que tem. Pietuszewski voltou a ser titular, Deniz Gül ainda não deixou de o ser. A meio-campo, Froholdt não tem direito a grande descanso. Frente a uma das mais descaracterizadas equipas da I Liga, o treinador italiano não arriscou novas soluções.

Talvez em boa hora. Enquanto esteve em campo, Pietuszewski foi a máquina que ligou o FC Porto ao jogo, na petulância positiva dos seus 17 anos, sem medo de avançar, de encarar os adversários. Depois de uns primeiros 20 minutos em que o Rio Ave se mostrou, com Olinho e Bezerra em bom plano, a elevarem o ataque dos vila-condenses a níveis interessantes, para mais depois da saída dos seus dois principais jogadores, seria a audácia do miúdo polaco a entregar os melhores momentos do FC Porto.

Aos 22’, bem lançado na largura por Gabri Veiga, Pietuszewski forçou até à linha, cruzando de trivela para a entrada de Froholdt, que marcou pela primeira vez no Dragão. Alguém com aquele atrevimento era algo que o FC Porto não tinha antes da chegada do polaco, que parece ter agarrado um lugar essencialmente perdido por Borja Sainz.

O golo de Froholdt parecia o prelúdio de uma noite descansada, com o volume de ataque dos dragões a engrossar definitivamente após se desamarrar do empate. Aos 33’, Gabri recebeu na área de Gül e, repentista, girou e rematou, ao poste. O turco, ainda que ativo, teve aqui um dos poucos bons momentos - é como se andasse numa contínua procura do seu lugar, tentando ser um pouco de Samu, um pouco de avançado móvel, nunca um jogador totalmente definido.

Aos 44’, um aviso: Bezerra aproveitou uma má abordagem de Bednarek na linha e o cruzamento só não encontrou a emenda de Spikic por uma questão de milissegundos de timing. O Rio Ave, mesmo a jogar mais recuado, recusou sempre a morte, manteve-se atento e alerta, cheirando um possível erro de uma defesa feita de experimentos: Zaidu manteve-se a titular, Pablo Rosario jogou a central, onde não tem a segurança que passeia no meio campo.

O regresso das cabines trouxe um FC Porto ainda mais atacante e somaram-se as oportunidades não aproveitadas. Aos 47’, a melhor jogada da equipa durante todo o jogo acabou com a bola dentro da baliza, mas seria anulada por fora de jogo: Pietuszewski, de novo, rasgou da esquerda para o meio, encontrando Gabri Veiga que, de primeira, ofereceu o golo a Gül, um golo que o turco necessitava para se encontrar.

Sem conseguir marcar, o avançado ainda tentou uma incursão pela esquerda e o FC Porto quase colocava papel químico na jogada do golo, com a entrada na área de Froholdt a ser travada pelo poste. Logo de seguida, o remate de Gabri Veiga só não acabou em golo porque os reflexos de Nikitscher redundaram num corte decisivo. Aos 72’, Pepê já ia a caminho de festejar quando João Tomé lhe roubou a bola, depois de um cruzamento fino de William.

Farioli fez então entrar Fofana, para dar peso ao meio campo: se a bola teimava em não entrar na baliza do Rio Ave, mais valia começar a pensar em não a deixar rondar a baliza de Diogo Costa. Aos 75’, tirou Gül e experimentou Rodrigo Mora a falso 9, para se arrepender nem 10 minutos depois. O certo é que com Moffi em campo o FC Porto voltou a criar perigo: aos 89’, é um momento de pressão do nigeriano que permite a Mora ficar com a baliza à sua mercê - a bola foi novamente ao poste.

Pôs-se nervosa a atitude do FC Porto nos descontos, mas conseguindo sempre afastar o Rio Ave da sua área. Manter os 4 pontos de vantagem para o Sporting passou a ser mais importante que engordar o marcador. Ainda assim, não é sério comparar o jogo deste domingo com o da jornada passada com o Nacional. Não houve serviços mínimos, só eficácia mínima.

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