Uma 1ª mão também se pode decidir nos penáltis e o Sporting inclinou para o seu lado a meia-final da Taça contra o FC Porto
O colombiano chegou ao 30º golo na temporada
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Nada ficou decidido, mas na 1ª mão da meia-final da Taça de Portugal já existiu um desempate da marca de penálti. Luis Suárez colocou o Sporting em vantagem numa eliminatória que terá outra parte no Estádio do Dragão (1-0)
Houve fases em que o clássico parecia uma aclamação ao fim das meias-finais a duas mãos. A medida só entrará em vigor na próxima época, mas Sporting e FC Porto estavam a apressar a aplicação da mesma, substituindo desempenhos aprimorados por inextricáveis choques e esperando pelo segundo encontro.
Sobrevive sempre uma réstia de esperança que torce para que as duas melhores equipas nacionais, de acordo com a ordenação do campeonato, possam fazer um jogo equivalente. Não tendo sido um esplendor o tempo todo, a 2ª parte foi mais desembaraçada e a eliminatória inclinou-se para um lado.
Sendo este o único jogo da Taça de Portugal que não pode ser desempatado por grandes penalidades, pois a decisão fica sempre em repouso para a 2ª mão, Luis Suárez improvisou o derradeiro método de separação entre duas equipas e deixou o Sporting na frente (1-0) no intervalo da eliminatória.
Duelo entre William Gomes e Maxi Araújo aqueceu o clássico
RODRIGO ANTUNES
Em Alvalade, o FC Porto não foi o mesmo de sempre. A titularidade de Terem Moffi, sendo que Deniz Gül não está propriamente massacrado de minutos, e do emprestado Seko Fofana não deixam de ser um lembrete dos reforços fora do padrão que o FC Porto incorporou. Soluções de improviso, mas da confiança de Francesco Farioli, foram remendos que se vieram a mostrar úteis na suturação das lesões no ataque e da gestão de Victor Froholdt e Gabri Veiga, previsíveis opções para a visita ao Estádio da Luz a contar para o campeonato. Dentro da mesma lógica, Pablo Rosario ocupou a posição de Kiwior.
Aquando da chegada ao FC Porto, Farioli viu-se entre a vontade de ter um avançado associativo e a necessidade de não interromper a evolução de Samu. O espanhol ajustou-se às exigências, mas poucas vezes pareceu ser o ponta de lança dos olhos do treinador. Nos minutos iniciais da primeira titularidade, Moffi exibiu sinais de, potencialmente, ser aquilo que os dragões sempre procuraram.
O ímpeto trazido a jogo colocou ninhadas de jogadores na zona da bola para impedirem que uma variação fizesse estragos. Era como se os jogadores reagissem às músicas das claques com um mosh pit. O mais danado nas entropias era Maxi Araújo, o atarefado lateral do Sporting. William Gomes naquelas movimentações paralelas à linha final apresentava-se com um inconveniente ao conforto do uruguaio. Num desses lances em que parece conduzir a bola a milhas de distância de um possível desarme, rematou muito perto do poste.
As amálgamas iam causando destroços e lascando vítimas. O general Jan Bednarek não teve remédio e foi substituído pelo coronel Jakub Kiwior, que viu pausadas as perspetivas de descanso.
O FC Porto, após atrair atenções para o corredor central, encontrou várias vezes William Gomes com margem para acelerar. Defensivamente, para compensar a largura, Alan Varela enganchava-se à linha defensiva. Seko Fofana garantia a robustez sorvida pelo recuo do argentino, mas era imputada a Rodrigo Mora uma exigência tática elevada num meio-campo a dois.
Devido às interrupções para apanhar os cacos dos jogadores que foram solicitando assistência médica, a 1ª parte teve dez minutos de compensação. Em tão vasta duração, o Sporting beneficiou de uma jogada desconchavada de Geny Catamo que acabou por dar a Fresneda o lance de maior perigo dos leões.
Alan Varela teve um papel tático relevante na equipa de Farioli
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Farioli reconheceu que Alberto Costa correu riscos sérios de ver o segundo amarelo numa entrada imprudente sobre Geny Catamo e substituiu-o, preferindo o risco de ter Pepê a lateral direito do que ficar em inferioridade numérica. Em compensação, Victor Froholdt trouxe poder ao meio-campo. Dando seguimento à maior presença do FC Porto em zonas adiantadas, Alan Varela rematou ao poste. O tilintar do remate fez toda a gente acordar para uma 2ª parte caótica.
Maxi Araújo, vestindo de verde e branco, era o jogador mais à FC Porto do Sporting. Luis Suárez foi-se deixando espicaçar e deu por si a correr pela linha de fundo sem que a defesa do FC Porto o conseguisse parar. Fresneda, numa incomum coleção de ameaças, fez a bola estar na iminência de ultrapassar a linha de golo. Apesar da ineficácia, Hjulmand ganhou uma grande penalidade convertida por Suárez. Nem a intimidante presença de Diogo Costa o impediu de chegar ao 30º golo da temporada e ficar a um dos 31 que marcou pelo Almería na temporada passada.
A ação balanceou-se entre as áreas, mas as derradeiras linhas de salvação de ambos os lados foram eficazes a anular os passes mais intrusivos. Um pingue-pongue infrutífero. Foi mesmo um pequeno detalhe que fez o FC Porto soçobrar, embora não irremediavelmente. Ao contrário da outra meia-final, entre Fafe e Torreense (1-1), a igualdade não se manteve. Daqui a um mês e meio, o Sporting continuará a apresentar argumentos na defesa de um título que é seu.