O Sporting ligou o modo sobrevivência e jogou o suficiente na Amadora
Daniel Bragança a celebrar o golo que deu a vitória ao Sporting na Amadora, o seu quinto esta época no campeonato
ANTÃNIO COTRIM
No seu 47º jogo de uma longa temporada, o Sporting não deslumbrou nem encantou na visita ao Estrela que se muralhou junto à área e dificultou a vida aos leões, que acertaram apenas dois remates na baliza. Um deles deu o golo de Daniel Bragança e a equipa, depois, sofreu mais do que controlou um jogo de vaivens para se agarrar à vitória (0-1) que a mantém na perseguição ao FC Porto no campeonato
Estamos naquela fase escorregadia da época, se não necessariamente em campo então certamente nas perceções, quando restam tão poucos jogos uma equipa teoricamente inferior contra a qual um candidato ao título está praticamente sempre obrigado a ganhar pode virar um problema espinhoso, se acontece estar em apuros a teoria baralha-se mas o Estrela, disse o seu treinador João Nuno, não está propriamente com a corda a apertar-lhe o pescoço, vê o fundo do campenato não tão perto assim, e tantos advérbios de modo couberam nesta introdução já que o Sporting entrou sem modos na Reboleira.
Quis dedicar atenção com fartura ao espaço entre central e lateral, atacando por fora do compacto bloco dos anfitriões. Fossem Pedro Gonçalves ou Geny Catamo, promoveu um fartote de passes a pedirem corridas de Maxi Araújo e Iván Fresneda, por vezes Luis Suárez também se prestava a desmarcar-se por essas escapatórias. Cedo os leões empurraram o Estrela para trás, encostaram-no à área e ativos puseram os seus a fazerem contra-movimentos que tentassem baralhar a linha defensiva de cinco feita muralha diante da baliza. Estavam em modo atacante.
Só podiam, urgidos a vencer, perdão, obrigados a vencer que estavam para daqui por uns tempos aproveitarem o jogo em mão face ao FC Porto e reduzirem a desvantagem ao máximo, mas um jogo de cada vez, isso disse-o Rui Borges, treinador da equipa que teve Francisco Trincão a rematar feita uma jogada só ao primeiro toque e viu o Stefan Leković, central sérvio, quase a arruinar-se com um auto-golo num canto, ao querer desviar a bola da sua baliza.
Com o espreguiçar do relógio o Sporting enfrentou maior atrito ao tentar atacar esses tais espaços, de início era frequente chegar à situação do último passe, do derradeiro cruzamento, com o tempo o Estrela foi-se adaptando. Só uma vez os leões tiveram a baliza à mercê surgiu quando Suárez, esgueirado a Leković pela direita, serviu Pote pela relva e o passador de bolas à baliza quase falhou na que o colombiano lhe concedeu, acertando-lhe de raspão nas redondezas da marca de penálti.
Francisco Trincão a disputar a bola com Ianis Stoica durante o Estrela da Amadora-Sporting da 29ª jornada do campeonato
ANTÃNIO COTRIM
Foi a maior exaltação de interesse de uma primeira parte amolecida com o tempo - além de o jogo ter de para quando um gato entrou em campo -, sem que o Estrela fosse mais incisivo a encontrar Ianis Stoica ou Abraham Marcus, os extremos, do que a puxar o seu médio mais recuado, Kevin Jansson, para o meio dos centrais, adensando a linha defensiva. O sueco era uma das oito nacionalidades num onze da equipa da Amadora onde só dois jogadores sobrava (Renan Ribeiro e Abraham Marcus) do encontro da primeira volta.
Algo encravadas as tentativas pelas alas, previsível com o tempo o seu jogo exterior, os leões foram tentando desposicionar a última muralha do Estrela com os passes rápidos de Zeno Debast, o central com modos de médio quando o Sporting se fixa no meio-campo adversário. Num período em que o Estrela já ia tendo posses de bola na metade contrária, seria uma diagonal de Trincão na mesma zona entre entre defesas a proporcionar a diferença.
O incansável criativo, tão disponível a pincelar os ataques de ideias quanto a correr para trás nas bolas perdidas, ao invés de tentar cruzar preferiu travar o movimento, receber para trás, aproveitar o recuo em andamento da equipa do Estrela e passar à entrada da área, onde Daniel Bragança foi da moda da simplicidade e ao segundo toque rematou para o golo (59’) que deu um certo alívio aos leões. Deixavam o modo-prejuízo.
Não demorou Rui Borges a agir. De início já optara por Eduardo Quaresma e Debast para manter os amarelos Inácio e Diomande a salvo no banco, a bem do dérbi vindouro com o Benfica, pouco após a hora resgatou Hidemasa Morita e, quatro meses volvidos, Geovany Quenda, recuperado de uma teimosa lesão, tão longe que o adolescente, acabado de entrar, pasmou com a oferta de um adversário na área e mastigou a bola quando a podia rematar. A sua hesitação pareceu alentar o Estrela: num canto batido curto, Max Scholze disparou para Rui Silva ter uma defesa complicada.
Os jogadores do Sporting a cercarem Daniel Bragança após o golo
ANTONIO COTRIM
Ainda sentiria a bola nas luvas quando Jefferson Encada, pela direita, cruzou em direção à baliza durante o espernear com vida do Estrela, avivado pela entrada de Jovane Cabral, eriçado a fazer jogar a equipa no miolo do campo com as suas receções orientadas para rasgar passes arriscados. Sem a calma quando com a bola para serenar o ritmo, o Sporting não estancou um jogo em modo-vaivém, repleto de transições rápidas, uma delas abrilhantado por um remate estrondoso de Geny Catamo à barra.
Quando o jogo, nos seus últimos minutos, não esteve partido e sem paragens a meio-campo, parecendo uma troca de bofetadas entre as equipas, foram os da Amadora a ter jogadas mais prolongadas junto à área contrária. Não criaram perigo, infrutíferos foram os seus esforços apesar de submeterem um Sporting de esforços roídos por ir quase a meio de abril e continuar com jogos (este foi o 47º da temporada) a cada três, quatro dias, a resistir.
Os leões não acabaram a impor-se na partida, antes tiveram Rui Silva a ver um cartão amarelo por se demorar num pontapé de baliza e Diomande a substituir Trincão para ficarem com o seu melhor central nas artimanhas aéreas para se defenderem contra os cruzamentos a potes com que o Estrela choveu sobre a área nos seus derradeiros esforços. E acabaram a um canto, a prenderem a bola junto à bandeirola, zelosos dos segundos que restavam.
Foi o Sporting em modo sobrevivência, o suficiente para segurar a sua vida perseguidora no campeonato antes de ir a Londres tentar sobreviver na Liga dos Campeões e regressar para um dérbi em Alvalade com o Benfica. São os leões incessantemente no modo sem descanso.