Crónicas de jogos

No FC Porto-Tondela houve uma entidade omnipresente chamada Victor Froholdt

Dinamarquês esteve em todo o lado na vitória do FC Porto frente ao Tondela
Dinamarquês esteve em todo o lado na vitória do FC Porto frente ao Tondela
Diogo Cardoso

Depois de uma 1ª parte algo ansiosa, face ao momento solene, o FC Porto voltou diferente para a 2ª parte frente ao Tondela. E uma das diferenças foi ter Froholdt a correr, a roubar bolas, a marcar. O título está a um pequeno passo. E a glória pode ter começado na decisão de contratar este dinamarquês 4x4

Às tantas, ali pelo minuto 80, um rapaz de camisola azul e branca recua desenfreadamente pelo relvado fora, como se daquela corrida dependesse a vitória, um jogo, como se desejasse desfazer um erro anterior, uma subida demasiado afoita. Porém, não. Falamos de um lance comum, com o FC Porto já em vantagem por 2-0. Só que para Victor Froholdt não há lance comezinho, coisa pouca, momento em que se permita relaxar.

Frente ao Tondela foi mais um desses jogos tudo em todo o lado ao mesmo tempo para o médio dinamarquês, a agigantar-se mais uma vez quando à sua volta tudo parecia algo desligado. Assim foi a 1ª parte no Dragão, um FC Porto como que emocionalmente exposto a uma realidade conhecida minutos antes do apito inicial: com a derrota do Sporting no dérbi, uma vitória estenderia uma passadeira de azul bem escuro para o título.

Essa ansiedade de quem já olha para o ouro sem lhe poder tocar explicará que tanto domínio territorial do FC Porto não se tenha traduzido em golos nos primeiros minutos. Explicará até o indolente remate de Alan Varela desde a marca de penálti, permitindo a defesa de Bernardo Fontes, mais uma vez extraordinário frente a um grande.

NurPhoto

Mas, na 2ª parte, o FC Porto veio diferente.

E essa diferença não se conta apenas pela entrada de Gabri Veiga, que marcou mal entrou para a vez de um apagado Rodrigo Mora. Não se conta apenas pelo jogo de Deniz Gül, avançado sem golo mas que seria decisivo para os dois que o FC Porto fez na 2ª parte - no primeiro dos quais arrastou um par de adversários, lançando um soltíssimo Gabri com via aberta para a baliza. Não se conta somente pela quebra física de um Tondela que na 1ª parte foi pressionante, tentando a sua sorte em contra-ataques e até algumas saídas desde trás. Conta-se muito pela cola que uniu tudo isto, um miúdo dinamarquês incapaz de parar.

Não será um segredo que os momentos mais tremidos do FC Porto esta época coincidem com o período de menor fulgor físico de Froholdt, rapidamente recuperado nesta fase final, onde Farioli o tem gerido com pinças. Face a tão importante momento para o FC Porto, a possibilidade de se colocar a 7 pontos do Benfica e 8 do Sporting, não houve poupanças para Froholdt. Antes de fazer o 2-0, aos 65’, lançado por um erro de Sithole - forçado por Gül - já tinha rematado bem perto da baliza de Bernardo. E depois do golo quase bisava, não fosse de novo Bernardo a travar a emenda do nórdico a um cruzamento de William Gomes.

Nos intervalos de marcar ou quase marcar, de roubar bolas e iniciar ataques, Froholdt correu, muito. Pegou na equipa ao colo e tirou-a de um certo bloqueio, comum a quem está tão perto do deslumbre, voltou a trazê-la à terra, onde se ganham as batalhas. Se o FC Porto depende só de si próprio, se está tão perto de um título que foge há três temporadas, muito começou na hora em que decidiu ir a Copenhaga buscar este 4x4 futebolístico.

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