Crónicas de jogos

O Sporting resiste no Dragão e vai ao Jamor reencontrar-se com a felicidade

O Sporting festeja a defesa do Rui Silva, que garantiu o nulo na última jogada do encontro
O Sporting festeja a defesa do Rui Silva, que garantiu o nulo na última jogada do encontro
ESTELA SILVA

Diminuídos pelas lesões, os leões aguentaram o 0-0 contra o FC Porto, fazendo valer o 1-0 de Alvalade. Rui Borges perdeu mais três jogadores por problemas físicos, mas a equipa de Farioli, apesar da insistência, criou pouco perigo

O Sporting resiste no Dragão e vai ao Jamor reencontrar-se com a felicidade

Pedro Barata

Jornalista

Há vida no lado verde e branco de Lisboa. Uma vida cheia de mazelas, de indisponíveis, uma vida de sofrimento, mas vida, ainda assim. 2026 não é 2005, a semana horrível afinal não foi assim tão horrível.

No Dragão, o Sporting aguentou. Há virtude e mérito em aguentar, resistir, conservar. Manteve-se o 1-0 da primeira mão, com um 0-0 que premeia uma equipa que, tal como nos momentos mais apertados da temporada anterior, resistiu às debilidades.

O FC Porto passou parte da noite a atacar, num domínio crescente. Só que houve pouca criatividade, poucas soluções, esta é a equipa definida por Froholdt e não por Mora, pelos padrões e pela repetição e pela mecânica e não pelo rasgo. Houve escassez de rasgo, Rui Silva só fizera uma defesa até que, no último suspiro da eliminatória, tirou o golo a Moffi. Foi, de longe, a melhor chance dos homens de Farioli, aparecendo pouco depois de Luís Guilherme desperdiçar isolado na outra baliza.

O Sporting estará, pela terceira época seguida, no Jamor. Caiu no campeonato, caiu na Liga dos Campeões, procurará a felicidade na Taça de Portugal. O clube precisava disto para não entrar numa mui sportinguista depressão, para manter uma chama acessa em 2025/26. O adversário na final será o Fafe ou o Torreense.

A insistência do FC Porto não deu golos
JOSE COELHO

Depois de anos como rivalidade secundária do futebol nacional, o FC Porto-Sporting ganhou, recentemente, total centralidade no topo da bola portuguesa. O choque entre Villas-Boas e Varandas, os incidentes nos clássicos no Dragão, o crescer dos leões para clube mais ganhador do passado recente e a vontade dos azuis e brancos em recuperarem esse estátuto criou a receita perfeita para o que outrora era relativamente pacífico tornar-se explosivo.

Tal como no confronto da segunda volta do campeonato, o jogo foi tenso, nervoso, cheio de pequenas picardias. Os avisos aos bancos, particularmente ao do FC Porto, foram uma constante, com Farioli a assumir a sua personagem nervosa na linha lateral, seguindo a partida, vivendo-a, reagindo a cada decisão do árbitro com a mesma face de indignação feita por um condutor multado por não pagar parquímetro.

Para Rui Borges, as madrugadas de ambas as partes trouxeram mais dores de cabeça. Gonçalo Inácio lesionou-se num lance de dúvida com William Gomes e teve de ser substituído por Debast logo aos 10', Hjulmand também saiu por problemas físicos aos 51', entrando Bragança, o hat-trick seria completo por Maxi. Os visitantes procuraram tirar ímpeto e vertigem aos locais, tendo a bola, guardando-a, com Morita a esforçar-se para, nesta sua despedida ao Sporting, nos lembrar que este japonês foi um dos melhores médios do século XXI em Alvalade, um professor paciente e de requinte técnico.

Não houve qualquer remate enquadrado com as balizas até 64', quando Froholdt atirou para encaixe seguro de Rui Silva. A melhor chance até ao intervalo esteve nos pés de Gabri Veiga, cujo remate foi cortado por Debast. William Gomes e Maxi travaram um duelo de fazer faísca, Hjulmand e Bednarek discutiram o prémio de quem dialogava mais com o árbitro e o descanso chegou com um 0-0 tão natural quanto o dia ser sucedido pela noite.

A tensão, particularmente envolvendo o banco do FC Porto, marcou a partida
ESTELA SILVA

Na segunda parte, o Sporting foi tendo, progressivamente, menos bola, também sentindo a baixa do seu capitão. Quenda, que não era titular desde 30 de novembro, viu-se mais a defender do que a atacar.

O FC Porto apostou na insistência, em derrubar a barreira por desgaste, não tanto pela paciência. Sem grandes oportunidades, apesar do domínio dos dragões, Farioli lançou Pepê, Moffi e Mora para tentar igualar a meia-final. Rui Borges, vestido com o inseparável colete, teria um terceiro lesionado, com Maxi a sair aos 79'. Seria nesse momento que Pote e Luís Guilherme também seriam chamados a jogo.

O final foi marcado por uma sucessão de pouco lúcidos ataques dos líderes do campeonato, erguendo-se a muralha Diomande na defesa do Sporting. O FC Porto é o coletivo das mecânicas, não das urgências. Alan Varela, em cima dos 90', ainda seria expulso.

Os descontos trouxeram emoção. Luís Guilherme falhou o golo e, mesmo a acabar, um canto quase levou ao prolongamento. Rui Silva, que até teve uma noite relativamente descansada, fez uma enorme defesa a travar o cabeceamento de Moffi. A recarga de Rosario foi evitada por Morita, um último momento decisivo do japonês que deixará saudades. Entre lesões, quebras de forma e derrotas traumáticas, há vida em Alvalade.

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