Crónicas de jogos

O susto final na Amadora não retirou ao FC Porto o cheiro a título

Deniz Gül festeja o 1-0
Deniz Gül festeja o 1-0
ANTÓNIO PEDRO SANTOS

Dois golos do pouco habitual Deniz Gül deram liderança precoce aos dragões, que viram o Estrela reagir na segunda parte, criando várias oportunidades e marcando, mas sem conseguir tirar o triunfo (2-1) aos líderes da I Liga. A equipa de Farioli vê a conquista do campeonato cada vê mais próxima

O susto final na Amadora não retirou ao FC Porto o cheiro a título

Pedro Barata

Jornalista

O clima de primavera a cheirar a verão, o calor, o sol, os cachecóis do FC Porto nas bancadas. Todo o quadro parecia convidar a uma festa azul e branca, sensação adensada pelos dois golos em 37 minutos. A quanto tempo estão os Aliados da Reboleira?

Mas talvez seja bom que, antes dos títulos, haja uma dose de sofrimento, para provar que o conseguido foi fruto do trabalho árduo. Com a tensão acumulada nos últimos minutos do jogo, longe do conforto até ao descanso, o FC Porto quase validou, de forma emocionalmente mais intensa, os três pontos.

2-1 ao Estrela da Amadora. Receções ao Alverca e Santa Clara, deslocação ao AFS, eis o que falta à equipa de Farioli jogar. É, até, possível perder um destes compromissos e ser campeão à mesma. O cheiro já se sente.

O herói da tarde foi Deniz Gül, o esforçado ponta de lança que, com Samu, De Jong e Moffi poderia ser o quarto da hierarquia. Só que os dois primeiros estão lesionados, o terceiro é como se estivesse e lá está o turco a titular. Marcou tantas vezes nesta partida como o fizera em todo o restante campeonato.

Há exatamente um ano, a 26 de abril de 2025, o FC Porto teve na Reboleira um dos episódios mais embaraçosos da experiência de horrores, sofrimento e comédia trágica que foi o Anselmismo. O Estrela derrotou aqueles dragões frágeis por 2-0, um resultado que pecou por escasso. Era a jornada 31 e os azuis e brancos somavam 62 pontos. Agora, à mesma ronda, acabaram de chegar aos 82 pontos, igualando o total do Sporting campeão na passada campanha.

Gualter Fatia

Na tarde de sol quente na Amadora, o José Gomes foi um pequeno Dragão. Os últimos dias até viram a equipa de Farioli sofrer eliminações na Liga Europa e Taça de Portugal, mas a sensação de que o título está a um pequeno passo entusiasma um clube que, à custa das desilusões recentes, tem um desejo quase obsessivo de ganhar em 2025/26. A vontade levou, face ao susto final, a uma explosão de alegria quando os três pontos ficaram na bagagem.

Sem grande oposição inicial por parte dos locais, o FC Porto adiantou-se com protagonismo do seu jovem agitador polaco. Oskar Pietuszewski parte da esquerda como o adolescente para quem o mundo é um conjunto de felizes oportunidades, de perspetivas otimistas, ainda virgem de desilusões. Enchendo-se com esse jogar jovial, o extremo tirou dois adversários da frente antes de Jansson o derrubar. Deniz Gül, o atacante que trabalha muito e marca pouco, apontou o 1-0.

Francesco Farioli, todo de preto colado ao corpo, apresentou-se indiferente ao calor. Foi assistindo à primeira parte relativamente tranquilo, com o degradê da barba impecavelmente feito, só tendo um sobressalto quando o adversário cresceu no segundo tempo. No banco oposto, João Nuno, a dar os primeiros passos na elite, não temeu realizar a sempre arriscada aposta de vestir uma t-shirt cinzenta perante uma tarde de sol.

O Estrela vive aflito. Vai em quatro derrotas seguidas, não marcava há mais de um mês. Vendo o desperdício de Marcus Abraham no segundo tempo, falhando três oportunidades claras, fica difícil ser otimista quanto à capacidade concretizadora da equipa. O melhor marcador dos tricolores continua a ser Kikas, que foi transferido para o Eupen, da Bélgica, e soma seis festejos.

Oskar Pietuszewski ganhou o penálti que abriu o marcador
ANTONIO PEDRO SANTOS

A juntar aos problemas recorrentes, a antecâmara do embate viu Renan lesionar-se e ter de ser substituído por David Grilo, guarda-redes com passado de escalões secundários e que, aos 29 anos, debutou na I Liga. O lisboeta, fora o bis de Gül, nem teve muito trabalho.

Ao intervalo, João Nuno lançou Jefferson Encada, Paulo Moreira e Jovane Cabral e o Estrela melhorou muito. O FC Porto optou pelo modo sonolento, quase abdicando de atacar. Só efetou um remate enquadrado com a baliza no segundo tempo.

Do lado do alvo defendido por Diogo Costa, Marcus Abraham desperdiçou um trio de claras oportunidades em torno da hora de jogo. Falhou na cara do guarda-redes, acertou no poste, veria Diogo Costa parar-lhe mais uma finalização em zona privilegiada.

Seria Jovane Cabral, com histórico de ser decisivo contra o FC Porto, o autor do 2-1. O Estrela acreditou, mas não teve arte para chegar ao 2-2. Com mais sofrimento do que chegou a parecer, para o norte vai o aroma a título que segue o líder.

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