Houve azares e erros, mas também houve Moutinho e sonho da final de Istambul está mais próximo para o SC Braga
A final da Liga Europa está mais perto para o SC Braga
Soccrates Images
Foi já nos descontros que Dorgeles colocou os minhotos em vantagem por 2-1 frente ao Friburgo, numa espécie de safanão nos infortúnios que foram marcando o jogo da equipa portuguesa, que quinze anos depois está de novo próxima de uma final europeia
Quinze anos depois, uma final europeia está de novo perto para uma equipa portuguesa, não é uma simples quimera, um desejo mudo, dito em voz baixa para não agoirar. Num jogo feito de erros, azares, mas também de leitura do momento, ideias fortes e da experiência de quem sabe o peso da ocasião, o SC Braga viaja para a Alemanha a sorrir: um golo de Dorgeles, já nos descontos, colocou as meias-finais, no término da sua primeira parte, com um 2-1 que nada garante, mas já é um passo.
É paradigmático que o jogo se tenha resolvido com uma espécie de resposta ao karma, um manguito ao azar. Dorgeles havia entrado ainda cedo na 1ª parte, para substituir Ricardo Horta, lesionado. Perder o jogador-símbolo da equipa abalou o SC Braga, que demorou a reencontrar-se sem o seu capitão. No final, um último esforço liderado pelos pés de veludo de João Moutinho afastaram os infortúnios, e os equívocos próprios.
Esse SC Braga dos últimos minutos pareceu-se, finalmente, ao do início do jogo, com os minhotos a surpreenderem a intensidade do Friburgo com uma pressão eficaz, instalando-se no meio-campo dos alemães, secando com autoridade os três homens da linha média do adversário.
Jogadores do SC Braga festejam o primeiro golo do jogo
Diogo Cardoso
Em conformidade com o que se passava em campo, o golo surgiria cedo, já depois de uma primeira oportunidade construída pelo entendimento entre Zalazar e Pau Victor na bola parada. Aos 8’, um mau alívio de Makengo permitiu a Victor Gomez um cruzamento venenoso, para as costas da linha defensiva do Friburgo. Nesse espaço surgiu Tiknaz, de carrinho, para finalizar com classe.
Começava bem e o SC Braga parecia confortável no jogo, a controlar com facilidade as tentativas de jogo direto do adversário. Mas como em tantas outras ocasiões, a linha defensiva tremeu. Num lance que parecia inofensivo, Lagerbielke e Paulo Oliveira chocaram em pleno voo, deixando toda a equipa desequilibrada. A bola passou para a arrancada de Beste, ex-Benfica, que com tempo e espaço encontrou Vincenzo Grifo isolado para fazer o empate.
Um erro, tão crasso quando inglório, mudaria o escoamento do jogo. O Friburgo igualou as forças, ainda que sem criar perigo. A lesão de Ricardo Horta foi novo baque emocional para um SC Braga que estava lá no alto. O penálti falhado por Rodrigo Zalazar nos últimos suspiros da 1ª parte parecia já matéria do sobrenatural, como se uma auto-sabotagem estivesse a decorrer em direto.
A noite a cair na Pedreira durante a 1ª mão das meias-finais da Liga Europa
Diogo Cardoso
A 2ª parte demorou a definir-se, ainda que os alemães parecessem sempre mais farejadores de uma qualquer sorte. Aos 64’, Max Eggestein falhou a melhor oportunidade para o Friburgo, num remate a partir da esquerda ao qual Hornicek respondeu atento. Talvez satisfeita com o empate, a equipa da Floresta Negra acomodou-se e João Moutinho, tarimbado nestes momentos, sentiu o afrouxar. O médio, que venceu a Liga Europa em 2011, precisamente contra o SC Braga, com a camisola do FC Porto, chamou a si o jogo e a estratégia, desatou à procura de linhas, pegou na batuta.
E foi Moutinho quem encontrou, com um passe picado, a entrada de Victor Gomez, com a equipa do Friburgo quase toda atraída para a direita. O espanhol encontrou o espaço para o passe atrasado e se o remate de Vítor Carvalho saiu frouxo, para defesa incompleta de Atubolu, herói no penálti, seria brava a reação de Dorgeles no coração da área, oferecendo ao SC Braga uma vantagem que a equipa da casa fez por procurar.
Na próxima quinta-feira, Istambul pode deixar de ser uma visão.