Crónicas de jogos

O FC Porto-Santa Clara foi descompressão, futuro, talvez despedidas

Jogadores do FC Porto festejam o campeonato com o Dragão
Jogadores do FC Porto festejam o campeonato com o Dragão
FERNANDO VELUDO

A vitória foi magra (1-0) mas a tarde era, essencialmente, de festa e conexão com o Dragão. O FC Porto fecha o ano com um triunfo e já a olhar para opções de futuro

O FC Porto é campeão vai para duas semanas, mesma altura em que o Santa Clara garantiu que a bandeira do arquipélago dos Açores (belíssima, diga-se) vai continuar a esvoaçar na I Liga e por isso o jogo da última jornada entre as duas equipas era uma espécie de consagração para ambas. E isso notou-se.

Notou-se no resultado, 1-0 magro para o FC Porto, num autogolo tolo do experiente Sidney Lima já na 2ª parte, na descompressão com que se jogou e no necessário piscar de olho ao futuro. Fosse na apresentação do equipamento para a época que aí vem, a fazer lembrar o da época gloriosa de 1986/87, há quarenta anos, quando os dragões conquistaram a primeira Taça dos Campeões Europeus, ou na simbólica entrada de Bernardo Lima, campeão mundial sub-17, quiçá o amanhã do meio-campo do FC Porto.

Escalpelizar um jogo destes é, por isso, uma tarefa algo supérflua. O que não quer dizer que o encontro não tenha sido, quase sempre, entretido, animado, ainda que trapalhão. A 1ª parte foi feita de tentativas de longe, Rodrigo Mora podia ter juntado mais um belo golo à sua coleção de obras-primas não tivesse a sapatada de João Afonso afastado a bola da baliza. E Gustavo Klismahn, logo a seguir, apresentou atributos no tiro do lado contrário.~

Diogo Cardoso

O Santa Clara mostrava capacidade a sair, procurou sempre sair do Dragão feliz, sem ser um convidado simpático para uma festa já marcada. No início da 2ª parte, Calila esteve muito perto de marcar num remate diagonal e o autogolo que esculpiria na pedra o resultado chegou já depois de Francesco Farioli pegar no tubo de ensaio para, talvez, perceber o que pode experimentar daqui para a frente.

Rodrigo Mora foi, assim, falso nove durante uma boa meia-hora, móvel, repentino, mas ainda com muito por lapidar no necessário momento de decisão, de último passe. Ainda assim, ia marcando de cabeça (!), a ganhar um lance aéreo entre os centrais do Santa Clara, que subestimaram os poucos centímetros do jogador do FC Porto - se estará no Dragão ou não na próxima época será uma das histórias do defeso.

Houve também espaço para o guarda-redes João Costa se sagrar campeão nacional da I Liga, exatamente dez anos depois de o ter feito na II Liga, pelo FC Porto B. E uma saída de Diogo Costa, emocionada, mão no símbolo, a perspectivar uma despedida? Outra das questões para as próximas semanas.

Aos 88’, Bernardo Lima ganhou uma bola ao segundo poste e cruzou para Nehuen Pérez, de regresso após meses parado por lesão grave. A bola saiu ligeiramente ao lado. Um golo construído por dois campeões nacionais com um trajeto tão distinto teria sido uma boa transição deste FC Porto 2025/26 para o que aí vem. Mas isso tem tempo. No Porto, neste momento, é tempo de festejar.

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