Sporting aguentou o elevador até à Liga dos Campeões
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Frente ao Gil Vicente, o Sporting precisava apenas de fazer resultado igual ao Benfica no Estoril para garantir o 2º lugar e foi certinho até nos golos marcados. A vitória por 3-0 coloca os leões na rota dos milhões, numa noite de alívio e despedidas
De Lisboa ao Estoril é uma curta viagem de comboio com muitos milhões pelo meio. Seria nesse eixo que se decidiria a ida à Champions e os ares vindos da linha de Cascais poderiam muito bem ter assustado Alvalade: aos 16 minutos, já o Benfica ganhava por 3-0. Virtualmente, chegou a ser 2º.
A bem das caixas torácicas dos adeptos e jogadores do Sporting, aos 15’, após um canto de Pote, Quaresma subiu bem alto ao segundo poste e, com um cabeceamento subtil, a afastar a bola como que por inércia do raio de ação de Dani Figueira, chutou para mais longe possíveis demónios. O elevador da Liga dos Campeões estava ali a ser chamado.
A Champions do Sporting estava, claro está, ainda longe de estar garantida, mas a sapatada na pressão foi um impulso psicológico difícil de negar com aquele primeiro golo, longe das ondas sonoras do que o Benfica ia fazendo. A ganhar por 2-0 ao intervalo, só a entrada temerosa na 2ª parte, em que teve dificuldades em controlar o jogo, permitindo alguns minutos de crescimento do Gil Vicente, voltou a sobressaltar o Sporting. Mas aí já a cavalgada era hercúlea para a equipa de César Peixoto, que ainda alimentava uma ténue esperança em chegar à Europa.
Na 1ª parte, o Sporting, de novo aparentemente em níveis físicos mais coincidentes com a prática do futebol, foi desenhando os seus finos esboços atacantes, com um lado direito em plena ebulição. As oportunidades iam-se sucedendo, com a presença apaziguadora de Hjulmand a meio-campo a permitir menos preocupação com o que acontecia lá atrás. O Gil pouco fazia. O Sporting só não marcou mais por certa displicência no derradeiro momento de decisão.
Hjulmand, que voltou a jogar e logo a titular - não se desperdiça nada do líder dinamarquês, que deverá estar de saída de Alvalade -, ia pontuando a sua serenidade em linhas mais recuadas com um par de aparições na área. Aos 23’, só o pé de Dani Figueira, e depois o poste, evitaram um golo que estava destinado a aparecer. Para o Sporting e para Hjulmand. Aos 35’, seria outro jogador a fazer a despedida a inventar um espaço. Morita, de calcanhar, abriu a avenida para Suárez, até aí apagado, com o colombiano, na passada, a lançar um míssil em direção à baliza do Gil, que só aos 42 minutos apresentou a Alvalade o seu primeiro remate, por Luís Esteves, sempre o homem mais perigoso dos minhotos.
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Seria de Esteves a primeira oportunidade da 2ª parte, um forte remate à entrada da área que teve oposição à medida por parte de Rui Silva. Os primeiros 15 minutos do Gil, levado em ombros pela entrada de Agustín Moreira, trouxe alarmes a Alvalade, estádio ainda traumatizado por empates e derrotas recentes e ao cair do pano. Foi audível, o nervosismo era real. O cabeamento perigoso de Murilo, a passe do uruguaio, seria, no entanto, a última oportunidade do Gil. E mesmo longe do nível da 1ª parte, o Sporting foi reforçando o seu peso no jogo, permitindo até uma ovação a Morita, substituído a 15 minutos do fim. O nipónico acabou em lágrimas, abraçado a Rui Borges.
Em lágrimas não terminaria o Sporting, mais tranquilo nos últimos minutos, a gerir com bola, coeso sem ela. Hjulmand, já nos descontos, confirmaria a vitória com uma sapatada de pé esquerdo, um golo que será mais do que um golo, será uma despedida.
O Sporting está, assim, e depois de alguns sobressaltos, na rota dos milhões. Se diretamente ou não, dependerá da vida do Aston Villa na próxima semana.