Crónicas de jogos

Portugal foi à guerra sem armas, mas com um escudo que valeu o regresso à elite

Kika Nazareth fez o único golo de Portugal
Kika Nazareth fez o único golo de Portugal
KALLE PARKKINEN

Já com o play-off de acesso ao Mundial garantido, Portugal não esperava ter que passar por tamanho sobressalto para assegurar a subida à divisão A da Liga das Nações. Mesmo num jogo contra a Finlândia (3-1) disputado com níveis de agressividade abaixo do exigível, a seleção assegurou a liderança do grupo B3 graças a um percurso pouco condizente com o que fez na última jornada

Foi uma primeira fase de qualificação para o Mundial impecável. Em cinco jogos, Portugal tinha vencido outros tantos, marcado sempre mais do que uma vez e sofrido só numa ocasião. Não era de todo esperado que, numa só visita à Finlândia, a seleção nacional detonasse todos os seus padrões.

O sucesso do percurso deu a Portugal alguma margem. No pior dos casos, teria que perder por mais do que dois golos de diferença na última jornada para que a subida à divisão A da Liga das Nações não ficasse garantida. Contra as probabilidades, o limite desse fôlego foi alvo de testes, mas não ultrapassado.

É verdade, a equipa de Francisco Neto estava escudada. Foi o que lhe valeu numa guerra em que as finlandesas surgiram com a faca nos dentes, tentando protagonizar uma mudança de última hora na liderança do grupo B3. Os dois conjuntos terminaram empatados com 15 pontos, mas Portugal superiorizou-se no confronto direto (vitória por 2-0 em Vizela).

A proatividade das finlandesas fazia com que a bola não ficasse aleatoriamente nos pés da equipa de branco. Desarmado, Portugal não teve capacidade de lutar e descaracterizou-se. Sempre um passo atrás no momento de dividir os lances, as defesas deixaram Adelina Engman servir de apoio frontal, mudar de direção para atacar o espaço e cruzar. Diana Gomes, a definir a rota no momento errado, perdeu o timing para adotar um posicionamento que colocaria Nea Lehtola fora de jogo. Em vez disso, a atacante marcou.

Reação? Reação não existiu. Inês Pereira foi sobrecarregada com intervenções. No mesmo lance, fez uma defesa preponderante face a Adelina Engman e contou com a sorte quando Emma Koivisto acertou no poste.

Quando muito se quer marcar um golo, nem sempre se consegue. Depois, há casos excecionais em que ele vem por mero acaso. A intenção de Kika Nazareth não era empatar o jogo no livre lateral em que introduziu a bola na baliza. Acontece que a Finlândia, tão impetuosa até então, não agiu perante a cobrança. As jogadoras foram delegando umas às outras a responsabilidade pelo corte e nenhuma ficou verdadeiramente incumbida de aliviar.

Diana Gomes sentiu a impetuosidade das jogadoras finlandesas
KALLE PARKKINEN

A Finlândia voltou do intervalo ainda mais agressiva. Oona Siren, média de construção, e Nea Lehtola, endiabrada pela esquerda, estavam a ser duas das melhores jogadoras da equipa nórdica. No início da segunda parte, combinaram entre si para construírem o segundo golo.

Não foram muitas as situações em que as duas avançadas de Portugal escaparam ao controlo das defesas. À última, antes uma adversária lhe morder os pés, Andreia Jacinto lançou Ana Capeta. A avançada da Juventus temporizou e foi altruísta. Faltou sentido prático a Jéssica Silva em frente à baliza.

Notava-se o investimento que a Finlândia fazia nos cantos, geralmente bombeando a bola. A apatia de Portugal permitiu que Eva Nyström cabeceasse para o 3-1. O pânico instalou-se. Francisco Neto começou a lançar jogadoras para defender e minimizar danos. Apesar do susto, os prejuízos ficaram por aí.

Portugal tem sido a equipa elevador da Liga das Nações. Nas duas participações na divisão A, onde se encontram cercadas pela elite europeia, as Navegadores nunca conseguiram a manutenção. Do mesmo modo, quando caíram na divisão B, reagiram sempre com prontidão. Mais importante, para marcar presença pela segunda vez consecutiva no Mundial, é preciso passar um play-off que se realiza em outubro/novembro.

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