O FC Porto é mais do mesmo. E isso não é mau, de todo
O FC Porto apresentou-se aos sócios sem muitas caras novas
Octavio Passos
Fingindo terem algo novo para mostrar, os dragões apresentaram-se aos adeptos contra o Aston Villa (2-1). Já com a Supertaça, frente ao Torreense, aí à porta, as ordens de Farioli são para continuar a apostar na fórmula vencedora. Sem grandes novidades nas dinâmicas, a reputação do futebol de alta rodagem é para defender
Ninguém ficaria admirado se o FC Porto entrasse em campo num jogo decisivo da época tal e qual como se mostrou frente ao Aston Villa. No fundo, no Estádio do Dragão, cumpriu-se a essência de um jogo de apresentação. Os dragões rejeitaram fazerem-se passar por algo que não são apenas em nome de uma tendência que sugere que os amigáveis exigem a descaracterização completa da aparência de uma equipa. Tamanha convicção só se consegue quando existe uma identidade na qual se confia convictamente ao ponto de não ser necessário pensar em grandes alternativas.
No entanto, enquanto outras equipas aproveitam a pré-época para exibir algo refrescante, o FC Porto vai repetindo o método. A sensação que temos ao ver os azuis e brancos a jogar é que estamos perante um velho conhecido, o que, atenção, não é mau, de todo. A pressão e as bolas paradas continuam a afigurar-se como os principais traços identitários dos campeões nacionais. O sucesso trazido pelo sobreuso dos mesmos faz parecer a necessidade de reinvenção uma perda de tempo.
Luka Lynch a ser vítima da pressão do FC Porto
MANUEL FERNANDO ARAUJO
O FC Porto acabou por contratar um ponta de lança à medida da sua proposta. O Aston Villa levou ao limite a tentativa de sair a jogar desde trás, atitude ousada que evidenciou na pressão André Silva, o reforço mais sonante e a única cara nova no onze inicial. Com uma vontade que o impelia a fazer carrinhos dentro da grande área, ajudou em recuperações altíssimas.
A presença vincada em zona ofensiva, contribuiu para o aumento de cenários bastante apreciados pelo FC Porto. Na sequência de um lançamento longo de Zaidu, o povoamento da grande área aumentou as hipóteses da bola aterrar nos pés de William Gomes (5’) que inaugurou o marcador. Os lances planeados voltariam a ser aproveitados pelo FC Porto num livre em que todos os jogadores estavam sintonizados num ponto que dava a entender o apego àquele tipo de momentos do jogo. Pepê (41’) devolveria a vantagem. Foi a resposta dos dragões ao golo de Luka Lynch (12’), conseguido através de uma jogada onde, por duas vezes, Zaidu não foi prático a aliviar.
André Silva foi o único reforço no onze do FC Porto
NurPhoto
A segunda parte foi escassa em motivos de interesse. A titularidade de Cláudio Ramos, que até pode indiciar uma presença no onze titular na Supertaça, não foi propriamente um teste devido ao escasso trabalho que teve. Até nas substituições o italiano foi calculista. Não se viu uma aposta em jovens em busca de se afirmarem no plantel da equipa principal. No entanto, houve margem para dar minutos a Nehuén Pérez, que viu a época passada ser afetada por uma grave lesão, e para a estreia de Hwang In-beom, que num movimento em rutura expressou a sua inquietude e técnica em busca de assistir Borja Sainz.
Aproxima-se a Supertaça e o FC Porto não deve estar ralado com o momento em que se discute o primeiro título da época contra o Torreense. Afinal, vai encarar o jogo com um guião que domina na plenitude e que não precisa de ensaiar muitas vezes.