Este FC Porto é como aquele FC Porto e assim é como o FC Porto quer continuar a ganhar
Os festejos do 1-0, apontado por André Silva
ESTELA SILVA
Em nova exibição cheia das características mais vincadas do passado recente, os dragões arrancaram a defesa do título batendo (2-0) o Alverca. André Silva e Gabri Veiga, ambos de penálti, apontaram os golos de um triunfo em que Diogo Costa voltou a ser fundamental
Aqui não há revoluções, nem sequer grandes transformações. Temem-se ataques de tubarões, sim, mas até lá o barco segue sereno, tranquilo, com as formas e virtudes e defeitos que já lhe conhecíamos. Em que época estamos, mesmo? O calendário mudou?
Por vezes, para o FC Porto, parece que não. Mesmo treinador. Mesmos protagonistas. Mesmo GPS, mesmo mapa: marcar, não sofrer, gerir. Pressionar por vezes, depois recuar e esperar.
Foi um pouco assim na Supertaça. Baliza a zeros, um golo, vitória. Frente ao Alverca, nova baliza a zeros, dois golos de penálti, três pontos.
André Silva, 3.374 dias depois, marcou pelo FC Porto. Não o fazia desde maio de 2017. Gabri Veiga fez o 2-0 final, ambos os festejos vindos de castigos máximos no primeiro tempo. Depois disso? Bem, pouco. Diogo Costa presente e pouco mais. Isto é mau? Bem, talvez não, aqui está um campeão nacional e vencedor da Supertaça.
Simbolicamente, o detentor do título recomeça recebendo, justamente, o adversário contra o qual selou a conquista do troféu na campanha passada. Os ribatejanos visitaram o Dragão com outro homem que saboreou êxito recente de azul e branco no banco, já que Sérgio Ferreira liderou os juniores do FC Porto ao triunfo no campeonato transato. Foi a estreia do treinador de 38 anos na I Liga, mais um ponto de curiosidade numa prova que volta a ter muitos técnicos jovens.
André Silva apontou o primeiro de penálti
ESTELA SILVA
Jamais o Alverca bateu o FC Porto no campeonato e logo na madrugada da contenda esse objetivo distanciou-se. Froholdt surge em 2026/27 pleno de energia, fazendo do seu jogar uma corrida de obstáculos, sempre pronto para mais um sprint, particularmente quando tal é feito do centro para a direita, esticando a linha defensiva adversária. Foi assim que ganhou espaço para cruzar para André Silva, que após cabecear foi derrubado por Matheus Mendes. Após consulta do VAR, foi assinalado penálti, com André Silva a apontar o primeiro.
O Alverca é um dos projetos que pretende fazer da I Liga um viveiro de talento. Com investimento estrangeiro, o clube tenta recrutar jovens, polir o potencial e depois fazer encaixes. Teve largos minutos de futebol de qualidade, com circulações apoiadas, com Figueiredo deambulando bem e Vivaldo Semedo a deixar boas indicações no regresso ao palco nacional.
À sua imagem, o FC Porto esperou após marcar. Não teve problemas em ceder a iniciativa e resguardar-se, mesmo quando o Dragão parece ter alguma insatisfação perante a ideia fariolista. Em cima do intervalo, a abordagem foi recompensada pelo 2-0: novo lance com André Silva, novo lance para VAR, novo penálti. Seria Gabri Veiga a dobrar a vantagem.
O recomeço não alterou substancialmente as bases do jogo. A tarde de verão apresentava-se limpa no estádio azul e branco, com toques de luz serena. Farioli, fiel à t-shirt preta, tinha do outro lado um técnico bem mais agitado na lateral, com Sérgio Ferreira a acompanhar cada subida e descida dos seus homens como uma câmera que acompanha uma corrida de 100 metros.
Pepê e Figueiredo disputam a bola
ESTELA SILVA
Os processos bem trabalhados do Alverca levaram a uma boa réplica, mas faltou um golo para fazer o Dragão tremer. Se o mercado ainda vai ameaçando o campeão nacional, tardes destas dão razão a quem possa temer os milhões alheios. Além da já referida importância de Froholdt, Diogo Costa voltou a responder com classe na baliza, tirando lances perigosos na sequência de finalizações de Vivaldo Semedo, Ian Luccas e Chiquinho.
O carrossel das substituições não transformou substancialmente o desafio. O Alverca foi deixando de ter capacidade para se chegar a Diogo Costa, também faltando alguma crença com o decorrer dos minutos. Na defesa, Meupiyou rubricou nova exibição para demonstrar que é central para valer muitos milhões.
O FC Porto não tem complexos em ir jogando com o relógio. Borja Sainz, um dos que saiu do banco, tricotou bem uma jogada, que terminou com Pepê a atirar ao lado. A nota de grande preocupação para Farioli surgiu já perto do fim, com a saída, por lesão, de André Silva.
O fim do fim de tarde, já com a noite ao virar da esquina, trouxe um desfecho sereno. Uns e outros aceitaram o desfecho sem grande alarido, partindo para outras batalhas. É 2026/27, mas para o FC Porto vive-se com as forças individuais e coletivas de 2025/26.