Por curiosidade, fui ver as sugestões do motor de busca. Uma delével pesquisa indicou-me imediatamente roteiros para ficar a conhecer Edimburgo em poucos dias. Também o Benfica não devia desperdiçar estas dicas disponíveis aos molhos na internet.
É verdade que a época começou e que para os encarnados, envolvidos neste casting para a Liga Europa, o número de jogos oficiais até já vai avançado, mas ainda é agosto, cheira a férias e a equipa de Marco Silva tinha cinco golos de vantagem.
Para o Benfica, a ida à Escócia foi isso mesmo: um passeio. A hipótese de lazer foi proporcionada por uma goleada na primeira mão (6-1) que praticamente acabou com a eliminatória. O percurso pelos lugares icónicos da cidade contou com uma paragem no Tynecastle Park, uma infraestrutura do século XIX que reserva aos jogadores um estreito túnel em que praticamente têm que estar ombro com ombro com os adversários.
Não foram 90 minutos aprazíveis, mas o Benfica precisava de um teste como este para alargar o lote de utilizáveis. Sem minutos, muitos dos jogadores que nesta ocasião os ganharam demorariam a atingir os níveis requeridos. O empate (1-1), após uma vitória tão gorda na primeira mão, reflete os laivos de pré-época que se sentiram.
A leviandade do encontro certamente terá encorajado Marco Silva a tomar decisões. Com um onze que geralmente tem terminado os jogos, o treinador incentivou o progresso físico dos jogadores que não acompanharam a preparação desde o início.
Clément Lenglet, que até nem é desses exemplos, sente-se sempre tentado a alfinetar um passe vertical, desejo que se torna ainda mais ardente quando adiante tem um avançado-panzer. Usufruindo da primeira titularidade, Jhon Durán foi espalhafatoso na exibição da capacidade de choque, importunando quem ousasse ter a bola junto dele.
Apesar de dotado com a fineza de quem come com as mãos, a fricção do avançado colombiano foi o argumento para que o Benfica conseguisse ir mais além. A crença num lance em que mais ninguém depositou esperanças, indo ao chão para o ganhar, terminou com o cabeceamento à barra de Amar Dedić.
Entendia-se que, com a intensidade de outra fase da temporada, os caminhos ofensivos seriam outros. Dodi Lukebakio arrancou um cruzamento prometedor para Sudakov e Andreas Schjelderup também conseguiu criar individualmente situações de remate. No entanto, a frequência com que os extremos intervieram ainda não foi a ideal.
A diferença da primeira mão para a segunda esteve no Benfica e não num impressionante salto qualitativo do Hearts. Acontece que, desta vez, a trajetória dos escoceses para o ataque não foi ínvia. A menor proatividade encarnada assim ditou. Cláudio Braga, o português que é ídolo dos vice-campeões locais, esteve mais associado à restante equipa. Mesmo que os adeptos aplaudissem com vigor uma mera troca de poucos passes, o Hearts carecia de alguma imaginação.
Os atos de gestão de Marco Silva passaram por, ao intervalo, substituir Lenglet por Tomás Araújo sem justificação aparente. O técnico alheou-se de pensar nas consequências, tamanho era o conforto na eliminatória. Porém, o setor recuado demonstrou fragilidades gritantes no início da segunda parte.
Manu Silva ficou agrafado a esse sofrimento. A inoperância do central perante o dinâmico Sabri Guendouz quase custou ao Benfica a pureza da baliza. Mais fragilizado ficou o ex-Vitória SC quando, após um excelente trabalho de costas de Cláudio Braga, Josh McPake o vituperou. No segundo caso, Calvin Miller até acabou por marcar, mas o lance foi anulado por fora de jogo.
O Benfica recuperou parte da fórmula que mais tem rendido neste arranque de temporada. Gianluca Prestianni, indubitavelmente, faz parte dessa versão. Havia Tómas Magnússon de travar a tentativa de melhoria, marcando de fora da área em mais um momento de apatia defensiva.
A reação foi quase imediata. O jovem José Neto não foi propriamente ousado ao longo do encontro, mas mostrou o quanto as subidas poderiam ter feito a diferença. Schjelderup encontrou o lateral-esquerdo no espaço central e este assistiu Lukebakio para o empate.
A longuíssima caminhada dos encarnados até à fase principal da Liga Europa atinge agora um novo patamar. No play-off, o Benfica vai defrontar os dinamarqueses do Aarhus. Enquanto continua na rota da segunda competição da UEFA, Marco Silva ainda tem muitas lições para dar.
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