Mais cedo ou mais tarde, o FC Porto será o FC Porto
Gabri Veiga a fazer o 1-0 para o FC Porto no Dragão
MANUEL FERNANDO ARAUJO
Ao contrário das duas primeiras jornadas, os dragões não marcaram cedo. Uma 2ª parte de grande nível provou uma certa inevitabilidade da equipa de Farioli, liderada desta vez pela visão e faro de Gabri Veiga, autor do primeiro golo do jogo. Borja Sainz fez o 2-0, quando o dragão já se tinha transformado numa equipa de transições
O arranque de temporada trouxe-nos um FC Porto com o dom da repetição. Marcar cedo, baixar linhas, marcar de novo, controlar com bola, às vezes até sem ela. Foi assim com Alverca e Rio Ave. E assim foi com o Arouca, mas com outros contornos de guião.
Paradoxalmente, chegar ao golo cedo trouxe questões sobre este FC Porto. A equipa de Farioli aprendeu a manejar como ninguém essa arte negra (para os adversários, claro) de manietar o jogo, controlá-lo com os olhos, sem medo de descer em vantagem no marcador, mesmo numa fase bem precoce do jogo. Como seria quando o golo madrugador não surgisse, quando uma equipa conseguisse, na sua organização defensiva, com a sua qualidade individual, quebrar essa corrente pressão-golo-controlo?
A resposta apareceu este domingo e não agradará aos rivais. Depois de uma 1ª parte em que faltou velocidade mas, essencialmente, discernimento dos extremos (o pragmatismo mágico de Pietuszewski faz falta), com Arruabarrena a limpar tudo o resto, o peso do zero no marcador seria decisivo para o FC Porto se aferrar às suas maiores forças na 2ª parte, num colocar de pé no acelerador que já vinha desde os últimos minutos do primeiro tempo. Chegou a velocidade, o volume, até Arruabarrena contribuiu com um par de erros. E chegaram os golos. Mais cedo ou mais tarde, o FC Porto será o FC Porto.
William Gomes falhou muito na 1ª parte, mas foi decisivo na 2ª
MANUEL FERNANDO ARAUJO
Para muito contribuiu o jogo adulto de Gabri Veiga, bússula a tentar encontrar os melhores caminhos para os colegas, e a forma como o galego e Froholdt surgiram finalmente em zonas mais altas. Como de uma vez por todas William Gomes e Pepê calibraram as suas decisões, depois de uma 1ª parte em que se somaram os passes que deviam ter sido remates e os remates que deviam ter sido passes por parte dos dois extremos brasileiros.
Do outro lado, é certo, o FC Porto deixou bem cedo de permitir o que quer que fosse ao Arouca. E só voltaria a permitir depois de, com muita insistência, chegar ao golo. Já depois de Pepê rematar à barra, de Kiwior festejar o que seria o seu primeiro golo pelo FC Porto, não estivesse André Silva adiantado no início da jogada, já depois de Arruabarrena voltar a roubar um golo a William Gomes.
Aos 67’, foi de uma arrancada de William que nasceu o 1-0. Apagando de uma penada uma 1ª parte cheia de definições frustrantes, William cavalgou pela direita e temporizou de forma perfeita, esperando a entrada de Gabri na esquerda. O espanhol desfeiteou Arruabarrena, que talvez pudesse ter feito mais, num jogo em que tirou vários golos feitos ao FC Porto.
E depois do 1-0, o FC Porto foi FC Porto. Baixou linhas, ofereceu a bola ao Arouca, que foi rondando a baliza de Diogo Costa. Mesmo que ainda esteja para chegar o primeiro golo sofrido dos dragões neste campeonato, é um jogo perigoso este, ainda que, no final, o resultado dê razão a Farioli.
Borja Sainz a festejar o 2-0
MANUEL FERNANDO ARAÃJO
Porque com o Arouca balançado para o ataque, apareceram os espaços e o campeão nacional tornou-se uma mortífera equipa de contra-ataque. Arruabarrena voltou a ser mais forte num um para um, desta vez com Borja, depois de já ter travado William na 1ª parte numa situação semelhante, mas o extremo espanhol marcaria segundos depois, aos 86’, servido de bandeja por Pepê desde a direita.
No primeiro jogo em que não marcou cedo, o FC Porto aumentou o volume. Criou mais, subiu o nível. Mostrou que tal é possível, não apenas a gestão férrea, apesar da vertigem de baixar linhas logo que se vê em vantagem continuar. Arruabarrena evitou a goleada. O FC Porto é líder isolado do campeonato.