Crónicas de jogos

William Gomes guia o FC Porto por caminhos desconhecidos

William Gomes, autor de um golo e uma assistência, foi o grande destaque do FC Porto contra o Moreirense
William Gomes, autor de um golo e uma assistência, foi o grande destaque do FC Porto contra o Moreirense
JOSE COELHO

Pela primeira vez na época, os dragões sofreram um golo, começando a perder contra o Moreirense. Mas, com o brasileiro em destaque, deram a volta (2-1) e seguem totalmente vitoriosos em 2026/27

William Gomes guia o FC Porto por caminhos desconhecidos

Pedro Barata

Jornalista

Mais um jogo, mais uma vitória. Seis encontros, seis triunfos. Nada de novo na época do FC Porto, seguindo na extensão tática, emocional e de resultados de 2025/26.

Tudo na mesma? Bem, não. À sexta partida houve novidades. Um golo sofrido, facto desconhecido até aqui na temporada. Estar a perder, ter de dar a volta, tudo circunstâncias não familiares para a versão 2.0. de Farioli em Portugal.

Missão cumprida. Houve reviravolta, deuse o 2-1 contra o Moreirense. A receita, ainda que andando por estradas desconhecidas, apoiou-se em trunfos recorrentes. As bolas paradas. A solidez de Diogo Costa, com mais uma parada decisiva nos minutos finais.

E William Gomes. O brasileiro é, hoje, uma peça ao serviço de Farioli, um soldado, uma parte da engrenagem, uma máquina de pressionar. Mas conserva uma essência de risco, de um contra um, de remate, de assumir as jogadas que não tem paralelo em quem também costuma estar vestido de azul e branco. Assistiu o 1-1, marcou o 2-1, confirmou semanas de excelente nível. Segue-se o Manchester City no Dragão.

Dinis Pinto festeja o 1-0
JOSE COELHO

Farioli trouxe uma novidade antes do apito inicial. Francisco Moura, espécie de patinho feio de 2026 no clube, foi, surpreendentemente, titular. Sem qualquer minuto na época até este encontro, o canhoto atuou de início nas duas últimas rondas da temporada passada, quando os dragões já tinham o título garantido. Excluindo esses desafios para cumprir calendário, o lateral não merecia a confiança para ser parte do onze desde fevereiro, aquando da derrota contra o Casa Pia. No retorno ao protagonismo, Moura esteve 64 minutos no relvado, rubricando uma exibição segura até ser substituído por Martim Fernandes.

Vasco Botelho da Costa, um dos notáveis representantes da jovem geração de técnicos nacionais que tem grande destaque nos bancos do campeonato, apresentou um conjunto, também ele, cheio de tenra idade. Oito dos titulares tinha 25 anos ou menos, sendo que o quarteto mais avançado (Landerson, João Veloso, Manuel Mendonça e Alexandre Parsemain) era integralmente sub-23. Deixaram uma bela imagem.

Os visitantes apostaram numa estrutura que, sem bola, fazia Landerson recuar para desenhar uma linha de cinco, procurando solidez defensiva, travar os ataques rápidos do FC Porto e conseguindo sair com critério, particularmente através dos pés precisos de Veloso e Mendonça. A abordagem resultou, com as duas primeiras grandes oportunidades a pertencerem aos de Moreira de Cónegos.

Primeiro foi Parsemain a aproveitar um erro de Gabri Veiga para se isolar, mas, entre tanta facilidade, o avançado não teve a contundência para atacar a baliza nem a precisão para servir Veloso, perdendo uma enorme chance e deixando Botelho da Costa, de t-shirt larga e quase sempre de pé junto à lateral, à beira de um ataque de nervos. Mais eficácia haveria aos 20': uma excelente saída levou a bola até à esquerda, com João Veloso a cruzar para o remate certeiro de Dinis Pinto.

A reação azul e branca fez-se com muito protagonismo de William Gomes, o homem da noite. O esquerdino que parte da direita deu para André Silva cabecear por cima, rematou para boa parada de André Ferreira e, aos 37', recorreria à zona de conforto das bolas paradas do FC Porto para levar ao 1-1. Bednarek foi o autor da igualdade.

O embate estava interessante, com perigo em ambas as balizas, bons executantes, técnicos que trabalham bem as suas equipas, um belo confronto de sexta-feira ao serão. O que não fazia falta? A habitual confusão junto dos bancos de suplentes. Uma série de picardias, com as tradicionais expulsões de anónimos elementos secundários de ambas as equipas, deram por terminadas o primeiro tempo.

Bednarek ganha no ar para o 1-1
JOSE COELHO

O recomeço manteve William Gomes como grande protagonista dos desequilíbrios locais. Numa equipa que carece de rasgo individual, ele é essa alma de solistas, ainda que devidamente integrada na rígida máquina de Farioli. O brasileiro ia tentando as suas diagonais, acabando a ser feliz perto da hora de jogo.

O Moreirense continuava a esticar-se no terreno, com pontos seguros para progredir. Mas ver-se-ia pela primeira vez em desvantagem quando Liberato e Gilberto Batista chocaram e deixaram caminho aberto para Froholdt ser Froholdt e recuperar e correr, tocando em Pepê. A assistência encontrou William Gomes ao segundo poste. 2-1.

O pós-golo da desvantagem foi o pior momento do Moreirense no Dragão. Com algumas perdas de bola algo ingénuas e precipitadas, o FC Porto esteve, por várias vezes, perto do terceiro, com André Silva a manter-se divorciado das redes.

Já para lá dos 80', a equipa de Botelho da Costa, em esforço, deu os últimos sinais de alerta. Yan Lincoln assustou Diogo Costa, mas o grande momento do guarda-redes chegaria novamente em situação com Dinis Pinto. Num lance entre capitães, o lateral, dentro da área, atirou colocado, mas o guarda-redes titular de Portugal segurou os três pontos.

Já com o estreante Santiago Giménez em campo, Froholdt conferiu um toque de preocupação, saindo de maca. Guilherme Liberato, que chocou na sequência de abordagem imprudente com o adversário, foi expulso. Com o Moreirense sem capacidade de chegar à frente, Giménez tentou quebrar quase 12 meses sem festejos, mas André Ferreira negou o fim da seca ao mexicano. O campeonato não será sempre um passeio, mas o FC Porto segue sereno e líder.

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