Barreiro é plural nos Barreiros e ajuda o Benfica a meter a quinta
Barreiro festeja o 1-0
HOMEM DE GOUVEIA
Um bis do luxemburguês abriu caminho para o triunfo das águias no Funchal, com um golaço de Prestianni a selar o 3-0. A equipa de Marco Silva chegou às cinco vitórias consecutivas, um registo jamais logrado em toda a época passada
Que bom é ter o estádio do Marítimo na I Liga. Que refrescante é que, neste regresso do clube do Funchal à elite, equipa e adeptos apareçam com o embalo da época passada, as bancadas cheias, muito apoio aos insulares, uma militância e um postal que se agradece num campeonato tantas vezes despido de gente e entusiasmo exterior.
Nos Barreiros, Leandro Barreiro. Um futebolista não óbvia, que chegou rotulado de operário, um gregário e esforçado recuperado de bolas vindo da escola centro-europeia. Mas há algo mais do que isso no homem com nome de cidade da Margem Sul, de cidade tão importante para o clube que representa.
Barreiro é um excelente intérprete dos espaços. Lê o campo e percebe onde deve estar. Diga-se que só um jogador muito inteligente é que consegue jogar a um nível alto sendo tão, digamos, normal ao nível técnico. E isto é um elogio.
Partiu de Barreiro a vitória do Benfica no belo reduto do Marítimo. Dois de Barreiro nos Barreiros, mais um de Prestianni para confirmar o grande momento.
E cinco vitórias seguidas. Marco Silva tardou 10 partidas para ganhar uma mão-cheia de maneira consecutiva. Não é um pormenor: em toda a época passada, nos 55 desafios que disputou, nunca o conjunto da Luz logrou ganhar cinco uns atrás dos outros.
Prestianni e Barreiro no 3-0
HOMEM DE GOUVEIA
O único ponto que, para já, não está tanto à altura do retorno do Marítimo é o relvado, não da máxima qualidade. Mas o Benfica apressou-se em tornar o que poderiam ser problemas num contexto mais fácil, com Barreiro a abrir o marcador logo aos 7'. O lance principiou nos pés da atual alma criativa desta equipa, Prestianni, culminando no faro de golo de Leandro.
Os homens de Van der Gaag, uma figura do Marítimo que ocupa a linha lateral com ar de general neerlandês que é filho adotivo da ilha, só se esticaram mais no segundo tempo. Ainda assim, apesar de um ou outro susto que causaram a Samuel Soares, não tiveram um verdadeiro remate de perigo para que o 1-1 chegasse.
Em sentido inverso, foram os visitantes sempre mais cerca do 2-0. João Palhinha foi titular pela primeira vez e fez muito bem de João Palhinha, recuperando bolas, sendo agressivo, policiando o meio-campo, ganhando duelos no ar e, até, rematando com perigo.
Pavlidis também atirou ao poste num primeiro tempo em que a má notícia para Marco Silva foi a saída, por lesão, de Bah. O dinamarquês cedeu o seu lugar a Kaminski, que provou ser tão impreciso tecnicamente a lateral quanto a extremo. A consistência tem valor.
GREGÃRIO CUNHA
O rugido do caldeirão sentiu-se na segunda parte. O Marítimo subiu, aproximou-se da área do adversário, teve alguns livres laterais, Paulo Henrique teve a bola à frente da sua cabeça, mas não conseguiu finalizar.
A hipótese da igualdade esfumou-se aos 71'. Será exagerado dizer que o Benfica estava incómodo, até porque a entrada de Schjelderup melhorou o futebol visitante. Seria na sequência de uma assistência de Pavlidis que Barreiro, que possui muito mais talento do pescoço para cima que do pescoço para baixo — reiterar que isto é um elogio —, encostou para o 2-0.
Com os três pontos no bolso, entrou em campo a hipótese da diversão. Este arranque de época tem sido quase sempre feito com o debate de ou Prestianni ou Schjelderup, mas ambos, em conjunto, provaram que o bom futebol se conecta quase sempre. O argentino selaria o 3-0 numa jogada individual, em que recuperou a meio campo, galgou metros e metros, fintou e ainda teve discernimento para atirar colocado.
Este Benfica, montado em tempo recorde por Marco Silva, vai crescendo a olhos vistos. Passar nos Barreiros será fácil para ninguém.