O jogo da Coreia do Norte é fácil de identificar mas, na estreia em Mundiais sub-20, Portugal percebeu como é difícil de travar
Jogadoras da Coreia do Norte festejam o primeiro golo
Mateusz Slodkowski - FIFA
No seu primeiro jogo no Mundial sub-20 feminino, a seleção nacional perdeu por 2-0 frente à Coreia do Norte, a atual campeã em título. A rapidez e pressão das asiáticas criou muitas dificuldades à equipa de Marisa Gomes, que terá ainda oportunidades frente à Colômbia e Costa Rica
Estar no futebol feminino de formação é saber que a Coreia do Norte é o paradigma. Marisa Gomes avisou, falando antes da estreia absoluta de Portugal num Mundial sub-20 feminino da agressividade da seleção asiática, do ataque constante à profundidade, de um jogo fácil de identificar mas muito difícil de travar. E depois, claro, o histórico: os constantes títulos no futebol jovem, os quatro ouros nos Mundiais de sub-17, os três títulos no escalão sub-20. Tudo conta.
Mais ainda contra uma seleção ainda a construir experiência nestes palcos. Portugal entrou no Campeonato do Mundo com uma derrota por 2-0, o que não é uma surpresa face à capacidade de quem estava do outro lado. O nervosismo viu-se logo ao primeiro lance de ataque da Coreia, pela direita, com o cruzamento a encontrar o meio caminho da guarda-redes Nair Pina e o corte para a frente de Érica Cancelinha. A bola entrou mesmo na baliza, mas o golo seria anulado por fora de jogo.
Estava ali o aviso e Portugal percebeu o que tinha pela frente. Um jogo rápido e padronizado: atrair e lançar à direita, aproveitar a capacidade de drible de Rim-Jong Choe. A seleção nacional respondia com posicionamentos e desarmes seguros, o que ia evitando oportunidades claras para a Coreia do Norte. Mas sair para o ataque era uma luta contra a rapidez e fisicalidade das adversárias, muito bem na transição defensiva.
O primeiro golo coreano surgiu de penálti, ainda antes da meia-hora de jogo. A mão de Francisca Gomes colocou-se entre o remate de Rim-Jong Choe, a surgir de rompante após cruzamento na esquerda, e o golo. De nada valeu a Nair Pina adivinhar o remate de Ryu-Mi Kang para a sua direita, de tão bem marcado que foi o castigo máximo.
Maísa a ganhar de cabeça
Mateusz Slodkowski - FIFA
Ao intervalo, os zero remates para Portugal que atiravam as estatísticas contavam uma parte da história do jogo: a seleção nacional teve sempre muita dificuldade em ligar jogadas, em encontrar linhas de passe. Para tentar mudar a narrativa, Marisa Gomes tirou Maísa Correia e fez entrar Diana Costa, em busca das bolas que a jogadora do Benfica pudesse conquistar de costas. A 1ª parte começou com uma boa combinação com Mafalda Mariano, mas o remate saiu frouxo.
A reação portuguesa seria travada pelo 2-0, com Kang a bisar após um desentendimento entre Nair Pina e Carona Simões na pequena área.
Os minutos que se seguiram ao segundo golo da Coreia do Norte seriam os melhores para Portugal. Neide Guedes, de longe, obrigou a guardiã asiática a mostrar-se pela primeira vez. Não muito depois, Carolina Santiago também tentou na meia-distância, uma arma que a seleção nacional talvez tenha abandonado cedo demais.
Daí até final, Portugal conseguiu conter o poderio físico da Coreia, não quebrando, não permitindo o avolumar do resultado. Frente a uma equipa que teria tanta bola, a seleção nacional sabia que teria mais dificuldades. Contra a Colômbia e Costa Rica, Portugal terá a esfera ao seu dispôr. E, aí, abrem-se outras possibilidades.