O Galatasaray não olhou a meios. No fim, o Sporting fez uma cambalhota nas voltas que a vida dá
Luis Suárez marcou o segundo golo do Sporting através de uma grande penalidade que ele próprio conquistou
Zed Jameson/MB Media
Algo atormentado pela impetuosidade do Galatasaray, o Sporting começou a sofrer na estreia na Liga dos Campeões. Depois, os leões perceberam que o vigor era também a maior fraqueza dos turcos. Desorganizada como abelhas de volta do mel, a equipa de Istambul acabou por sofrer a reviravolta (3-1) através de um golo marcado pelo avançado que, segundo se disse, quase foi parar ao vizinho
No meio de uma cultura que acaricia os adeptos fanáticos com jogadores de renome considerados heróis por defeito, os turcos empanturraram-se de reforços durante o verão. Muitos chegaram e muitos se disse que iam chegar ao país onde os futebolistas são amados sem ainda terem feito nada para tal.
Luis Suárez, segundo se soube, não esteve assim tão longe de rumar ao Fenerbahçe e de ser vizinho do primeiro adversário do Sporting na Liga dos Campeões. Acabou por ficar em Lisboa após a prolixa narrativa. Por vezes, tantas voltas a vida dá que continua exatamente no mesmo sítio.
Na estreia na Champions, os leões não rodopiaram, mas precisaram de fazer uma cambalhota. O avançado que quase foi parar a Istambul marcou ao Galatasaray, mas sem precisar de se mudar para lado nenhum. No teste europeu, foi atribuído ao colombiano um certificado da sua boa forma.
O arranque do Sporting foi de uma equipa perdida no espaço e, sobretudo, no tempo. Quando Espen Eskås consultou o relógio viu que era hora do golo do Galatasaray. A tecnologia foi a lupa do árbitro norueguês para um lance confuso. Ismail Jakobs fez um lançamento longo para a grande área. O insuficiente Gonçalo Inácio não conseguiu aliviar e Lucas Torreira apareceu a desviar uma bola que ainda raspou no central do Sporting. Foi tardia a palmada de Rui Silva. Com outra antecedência, talvez a bola tivesse aprendido a lição.
Turcos aproveitaram uma má entrada dos leões para inaugurarem o marcador
Carlos Rodrigues
O relvado não era o sítio com mais refrigeração do mundo. O sinal era dado pela dificuldade do Sporting para respirar em posse devido à pressão do Galatasaray, que rapidamente se desdobrava. Notório era também o efeito que a impetuosidade tinha na organização dos turcos. O impulso podia ser aproveitado através de apoios frontais, como os prestados por Luis Suárez, que desmontassem a instável estrutura.
Era por isso necessário retirar os ferros dos matraquilhos para que os jogadores se desprendessem de zonas de previsível captura. Maxi Araújo foi perspicaz nessa tarefa. Falhou a desmarcação por centímetros, o que levou à anulação do golo de Luis Suárez.
Para empatar o encontro, os leões precisaram que Eduardo Quaresma conduzisse pelo corredor central. Como abelhas de volta do mel, toda a defesa do Galatasaray se comprometeu com o avanço. A atenção que o defesa teve em excesso faltou a Geny Catamo que, depois da bola ter ido à esquerda, repôs a igualdade.
Confirmava-se a tendência. Em todos os jogos em que a equipa de Okan Buruk esteve envolvida houve pelo menos quatro golos. A sedução às balizas, no meio de um encontro dividido, continuou. Leroy Sané sentou Gonçalo Inácio, mas adornou demasiado a finalização.
As melhorias tornaram o contexto menos enjoativo para o Sporting, algo que não impediu Eduardo Quaresma de regurgitar antes do início da segunda parte. Luis Suárez desgastou um adversário nada identificado com a racionalidade e embrulhou-se com o guarda-redes, Uğurcan Çakır, num momento em que o Galatasaray procurava elaborar o ataque contra a própria natureza.
A impetuosidade dos turcos continuava a alimentar o melhor do Sporting. Rui Silva bateu a ousada pressão do adversário com um passe longo para Doumbia. O italiano encontrou a desmarcação de Luis Suárez, que se voltou a superiorizar aos defesas. Ismail Jakobs derrubou-o na grande área, dando origem à grande penalidade que assinalaria a reviravolta.
Livre de Zalazar foi um dos momento das noite
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Sendo que uma obra-prima da autoria de Zalazar, um golaço de livre que se assemelhou a um novo conjunto de palavras para definir perfeição, surgiu seis minutos depois, o Sporting teve mais facilidade em controlar o ritmo. Chances para alargar a vantagem continuaram a surgir, tendo Altimira aparecido frente ao guarda-redes numa rara infiltração do médio defensivo.
Ainda que aparentemente enfraquecido, o Galatasaray tinha recursos suficientes para lançar jogadores como Rafael Leão. O internacional português foi um dos cacos que o Sporting nunca mais recuperou na sequência da invasão a Alcochete em 2018. O calibre dos suplentes demonstra que este não foi um triunfo contra uma qualquer equipa.
Não tendo sido uma exibição de Gala, o Sporting foi uma equipa consciente. O calendário tem escondidos atrás da porta das traseiras os verdadeiros monstros no caminho dos leões, adversários de ainda maior poderio como o Manchester City ou o Barcelona. Cumprindo com as particularidades do encontro, os leões arrebataram pontos cujo valor só se revelará mais adiante.