Olá, eu sou o Prestianni, viva, eu sou o Schjelderup. Nós somos os craques altamente compatíveis do Benfica
Schjelderup e Prestianni, figuras do Benfica contra o Moreirense
ESTELA SILVA
Ambos marcaram, ambos assistiram. O argentino e o norueugês, titulares em simultâneo pela primeira vez, brilharam no 4-0 das águias contra o Moreirense, num triunfo aberto por um penálti de Pavlidis
Dizem os mais sábios que o futebol não é um jogo de soma e subtração, mas sim de multiplicação e divisão. Um bom jogador numa equipa não é apenas mais um, é a introdução de um novo agente capaz de mutiplicar a qualidade total, sendo o inverso, também, verdade.
Não é uma questão de acrescentar ou retirar qualidade. É todo um ecossistema que se multiplica.
O bom momento do Benfica tem sido feito sem recorrer ao uso simultâneo dos dois mais entusiasmantes homens do plantel. Há Prestianni, a voar neste arranque de época, há Schjelderup, quem mais cresceu na temporada passada, mas só fora possível ver a dupla em conta-gotas.
Até Moreira de Cónegos. Marco Silva lançou-os de início pela primeira vez e viu-se uma conexão assinalável, uma compatibilidade quase natural, um entendimento entre quem fala a mesma linguagem, joga o mesmo jogo. Multiplica-se.
Andreas marcou e assistiu. Gianluca assistiu duas vezes e fez um golo notável, um exercício de supremo talento. E o Benfica já vai em seis triunfos consecutivos, goleando o Moreirense por 4-0.
Pavlidis festeja o 1-0
ESTELA SILVA
A equipa de Vasco Botelho da Costa, depois da excelente imagem no Dragão, sofreu desde o início com a pujança atacante dos lisboetas. Havia dinâmica, movimentos já padrão, uma equipa que, em tempo recorde, criou um saber jogar estável e cheio de automatismos.
O 1-0 só foi em cima do intervalo, mas aí já as águias poderiam lamentar-se de muito desperdício. Com Banjaqui a titular, aproveitando a lesão de Bah, Pavlidis, Rafa ou Dahl foram falhando bolas de golo.
Do outro lado, o Moreirense pouco mais foi fazendo do que atrasar o 1-0. Botelho da Costa falou sobre o desafio, para si e para os jogadores, de jogar a meio da semana, e notou-se um conjunto diminuído face ao passado desafio, para isso contribuindo, também, a indisponibilidade de João Veloso.
O aguardado 1-0 chegou no tempo de compensação da primeira parte. Alexandre Parsemain não tem encantando pela qualidade goleador na I Liga e, para piorar, ainda fez uma abordagem imprudente quando estava a defender um canto. Na sequência de longa revisão de VAR, foi assinalado penálti, transformado por Pavlidis.
Mais um mau relvado na I Liga
ESTELA SILVA
A segunda parte foi o apogeu do Schjelderup-Prestianni, do Andreas-Gianluca, do talento vezes talento. Eles procuraram-se, eles encontraram-se, eles divertiram-se. Eles contornaram, até, as dificuldades de um relvado em mau estado, um clássico deste campeonato.
Aos 55', Prestianni trabalhou pela esquerda e, em vez de colocar de forma mecânica na área, olhou, deu atrasado e Schjelderup surgiu para marcar. Aos 59', os papéis inverteram-se, mas com toques de solista argentino: Gianluca arrancou, ultrapassou Gilberto Batista, teve notável força física para se manter na jogada e finalizou com precisão. Está imparável.
Marco Silva aproveitou para gerir os minutos de vários titulares. São já seis vitórias seguidas, vindo aí a receção ao Gil Vicente antes das visitas a Milão e Porto, testes de alta exigência.
Fredrik Aursnes, livre de lesão, saiu do banco para fixar o 4-0 final. A assistência? De Schjelderup. Se Marco Silva já vinha construindo um coletivo de respeito, juntar-lhe os craques complementadores, os elementos de multiplicação, pode tornar o Benfica em caso sério.