Crónicas de jogos

Houve muita Nair Pina, mas faltaram os golos: empate com a Colômbia deixa Portugal na corda bamba no Mundial sub-20

Jogadoras portuguesas parabenizam Nair Pina, que salvou um ponto para a seleção nacional
Jogadoras portuguesas parabenizam Nair Pina, que salvou um ponto para a seleção nacional
Mateusz Slodkowski - FIFA

Com uma mão-cheia de defesas decisivas, guarda-redes portuguesa foi a figura do nulo no marcador frente à Colômbia, que deixa a seleção nacional obrigada a vencer a Costa Rica no domingo e, de preferência, com muitos golos, para ainda sonhar com uma passagem à fase a eliminar do Mundial sub-20

Olhando pelo prisma do otimismo, ao segundo jogo Portugal fez história no Mundial sub-20 feminino ao pontuar pela primeira vez. Mas a fotografia completa é bem menos agradável. O nulo frente à Colômbia, equipa incansável, experiente, de energia inesgotável, deixa a equipa orientada por Marisa Gomes encostada à parede: ganhar à Costa Rica, no domingo, no jogo que fecha a fase de grupos, com muitos golos de preferência, torna-se imprescindível para a seleção nacional sonhar seja com o apuramento direto ou como uma das melhores terceiras classificadas.

Depois das dificuldades sentidas no primeiro encontro em ligar jogo até ao ataque, Marisa Gomes promoveu três alterações no onze, duas delas no último terço: jogaram de início Anna Marques e Diana Costa, na vez de Maísa Correia e Carolina Santiago. Atrás, Iara Lobo substituiu Carolina Simões. Se frente à Coreia do Norte a seleção nacional sabia que teria pouca bola, frente à Colômbia teria de assumir o jogo, perante um adversário que nada se importa de jogar na expectativa, aproveitando cada erro para lançar ataques rápidos, aproveitando a sua imensa dimensão física.

Era essencial, por isso, não errar. E, também, construir bem, com critério, algo que Portugal raramente conseguiu ao longo do jogo, ainda que com outra facilidade face ao encontro inicial. Na 1ª parte, as iniciativas portuguesas no meio-campo colombiano cingiram-se a remates de meia distância, com Rita Melo e Neide Guedes a protagonizarem as tentativas mais perigosas. O jogo apoiado não saía a Portugal.

Com tudo isto, a Colômbia preparava-se para crescer e no final da 1ª parte a intensidade e pragmatismo do seu jogo só teve paralelo no brilhantismo de Nair Pina, a dar os primeiros sinais de uma exibição que seria extraordinária. Salvou um cabeceamento de Valerin Loboa após livre lateral das sul-americanas e ainda antes do intervalo foi mais forte no duelo cara a cara com Maithé López, numa altura de demasiadas desatenções defensivas da seleção nacional.

A entrada de Carolina Santiago e Carolina Tristão ao intervalo dava a Portugal mais armas para se digladiar com o poderio físico da Colômbia, equipa já calejada nestas grandes competições, ao contrário da seleção nacional, ainda em busca de mais experiência. Facto que se foi notando no 2º tempo, com a equipa da América do Sul paulatinamente a crescer.

Valerin Loboa foi uma seta apontada à baliza de Portugal
Mateusz Slodkowski - FIFA

Um remate de Carolina Tristão, novamente de meia distância, com a bola ainda a acariciar o poste, seria o momento mais perigoso de Portugal, aos 57’. E com o jogo mais partido, foi de novo Nair Pina a agigantar-se. Após mais um erro em zona perigosa, roubou novo golo a Valerin Loboa e aos 80’ parou mais um remate, agora de Cabezas, com Érica Cancelinha a cortar depois no timing perfeito a recarga de Loboa.

Cabezas que teve nos pés (no pun intended) a última grande oportunidade do jogo, a cinco minutos dos 90’, a rematar ao poste depois de uma perda de bola ingénua de Inês Meninas a meio-campo. A Colômbia jogaria quase todo o período de descontos com menos uma jogadora, depois da expulsão de Arboleda, altura em que Portugal aproveitou para rondar a baliza de Luisa Agudelo, mesmo que de forma pouco prática e eficaz.

Com apenas um ponto e sem golos marcados, Portugal fica na corda bamba neste Mundial sub-20, onde está presente pela primeira vez. À seleção nacional faltou acerto e qualidade no que faz melhor: assumir o jogo com bola. Na defesa, os erros acabaram desaproveitados pela Colômbia e o empate acaba por ser um resultado lisonjeiro. Frente à Costa Rica, no domingo, Portugal joga a sua última vida na Polónia.

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