Crónicas de jogos

Estrelinha, todos os campeões a têm. O Benfica também já encontrou a sua

Pavlidis bisou no encontro
Pavlidis bisou no encontro
JOSE SENA GOULAO

Ganhar mesmo quando não se joga bem: eis uma característica de todos os reais candidatos ao título. O Benfica não fez a exibição mais esplendorosa da temporada. Ainda assim, venceu um Gil Vicente que cedo se colocou em vantagem na Luz e que se soube defender até aos minutos finais, altura em que o pequeno Prestianni demoliu a muralha (3-1)

O Estádio da Luz tornou-se num polo de referência da estética futebolística. Marco Silva mudou as configurações de uma equipa enfadonha e deu-lhe um ar lépido. A área vermelha da Segunda Circular passou a parecer o local mais seguro do mundo. Ainda assim, contrariando tal sentimento, algumas peças de roupa têm desaparecido do estendal.

O Benfica sofreu golos em cinco dos seis jogos que realizou em casa esta temporada. O jogo contra o Gil Vicente engordou ainda mais estes números. A tendência para dar metros de vantagem ao corredor da pista ao lado quase tinha consequências. Os encarnados chegaram mesmo a parecer desesperados, reclamando em excesso com o que não podiam controlar.

É uma característica intrínseca dos campeões: ganharem mesmo nos dias maus. O desfecho do jogo contra o Gil Vicente ia ditar se o Benfica era só estética ou se também tinha a fibra de um vencedor. No final, a estrelinha surgiu.

A ousadia de Prestianni foi decisiva na ponta final do encontro
Gualter Fatia

Ao contrário do que costuma acontecer quando o Benfica se descuida na proteção da baliza, desta vez, os encarnados ainda não tinham marcado um punhado de golos que compensasse um pequeno lapso. O jogo nem levava tempo suficiente para isso sequer quando Héctor Hernández colocou o Gil Vicente em vantagem, aos 7’.

Diga-se que a não titularidade de João Palhinha, em detrimento de Enzo Barrenechea, abria espaço a uma maior exposição da defesa. Gil Martins conduziu à vontade sem que nenhum médio encarnado o impedisse de atacar a última linha e fazer uma cirúrgica assistência para Héctor Hernández.

O que a maior desenvoltura posicional de Enzo Barrenechea trouxe de negativo acabou por ser compensado no lance da igualdade. O argentino forçou um passe picado que acabou mal aliviado pela equipa de Barcelos. Pavlidis aproveitou para empatar com um toque de classe no desenvolvimento de uma jogada que também passou por Prestianni.

Héctor e Gil Martins, os obreios da vantagem da equipa de Barcelos
Carlos Rodrigues

O jogo tornou-se quezilento devido à leviandade disciplinar do árbitro para com entradas agressivas. O conjunto de Luís Pinto viveu bem com a urgência de defender a grande área. Jonathan Buatu e Marvin Elimbi contaram com o reforço de Zé Carlos e Andreas Lausen para preencherem o espaço central.

A menos de dez minutos do final, a genialidade de Prestianni encravou no poste. Um hipotético grande golo resultaria em algo bem maior. Tidjany Touré calculou mal a trajetória do ressalto em forma de balão e derrubou Aursnes. Aos 87’, Pavlidis descansou a Luz. Para disfarçar as dificuldades sentidas ao longo do encontro, Prestianni replicou o remate, mas endireitou ligeiramente a trajetória. Desta vez, não errou o alvo.

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