Crónicas de jogos

O júri decidiu: o Globo de Ouro para melhor filme vai para o Famalicão-Sporting

Duelo entre Roméo Beney e Maxi Araújo fez faísca
Duelo entre Roméo Beney e Maxi Araújo fez faísca
ESTELA SILVA

O jogo da 6ª jornada do campeonato foi um drama com golos nos últimos minutos e reviravoltas emocionais. A dupla Luis Suárez/Ioannidis esteve quase a reclamar a origem de uma vitória que não chegou a acontecer. Para o Sporting, o dano causado por novo deslize foi um empate (1-1) concedido para lá dos 90’ através de um autogolo

Há um momento em que Luis Suárez corre para trás à mesma velocidade com que costuma correr quando está perto de marcar. O colombiano não deixou nada por dar naquela ação que teoricamente tinha outro responsável. O sacrifício espelha o que foi necessário os leões fazerem no Minho.

Não é comum vermos um jogador que comete uma grande penalidade chorar de frustração. Pedro Bondo ficou inconformado com a falta que cometeu sobre Ioannidis e as lágrimas fugiram da prisão dos olhos. Aos 81 minutos, o erro parecia irremediável.

Os leões é que usaram o equipamento fulvo, mas o Globo de Ouro para melhor filme pode ser dividido pelas duas equipas.

Foi neste pico de emoção que se jogou Famalicão-Sporting, um jogo caótico, com quezílias, mãos no pescoço, queixas de agressão. O desfecho não foi mais calmo. Só para lá dos 90’ o resultado se definiu. No regresso à capital, os leões não vêm tão carregados como julgavam. A norte ficaram dois pontos, um dano causado por novo deslize.

Famalicão continua sem vencer na I Liga, mas festejou o ponto conquistado contra o Sporting
ESTELA SILVA

Inicialmente, o Sporting estava a fazer o exigido para ter sucesso. A circulação era estonteante. A plataforma Altimira não deixava a velocidade da posse esmorecer e alimentava os jogadores mais adiantados para que estes pudessem dar pequenos toques na bola, ainda que pouco progressivos.

Até então, o Famalicão ia conseguindo acompanhar o ritmo pinball e esperava que a exigência física de o fazerem não se viesse a notar. Apesar do rigor, ninguém foi capaz de acompanhar a rapidez de execução de Luís Guilherme na associação com Doumbia. Interveio Lazar Carević com a perna.

Numa guinada estilística, Gonçalo Inácio esticou para Luis Suárez. O ponta de lança amorteceu com a mão, irregularidade que anulou o golo de elevada exuberância técnica de Flávio Gonçalves. Paradoxalmente, o momento abrandou o Sporting e espevitou o Famalicão.

A equipa de Carlos Carvalhal prendeu-se à disciplina necessária para balançar o bloco e armadilhar o corredor central com um quadrado que esperava para caçar os leões. Koutsias e Mathias de Amorim eram o peito. Marcos Peña e Tamás Szücs as costas.

Os minhotos soltaram-se perto do intervalo através da desenvoltura dos extremos. Gil Dias arrancou um cruzamento que encontrou Sorriso no ângulo morto dos centrais. Atento a tudo estava Rui Silva, que fez uma defesa estrondosa. Não foi a última vez que os opostos flanqueadores famalicenses se tocaram.

O Sporting teve uma boa entrada na segunda parte. Vacilava apenas no detalhe. Geny Catamo rematou de livre para nova intervenção de Lazar Carević. Já Luís Guilherme nem conseguiu, desta vez, obrigar o guarda-redes do Famalicão a defender. A sucessão de boas aproximações foi acentuada pela subida de Fresneda. O espanhol cruzou atrasado, mas Víctor Rofino bloqueou Flávio Gonçalves.

Altimira voltou a estar a um grande nível no meio-campo
ESTELA SILVA

Devido ao reduzido número de pontos no campeonato fruto da abstinência de vitórias, o Famalicão adotou uma postura realista. Foi exclusivo de Roméo Beney o toque de irreverência que muito trabalho deu a Maxi Araújo. A substituição de Carlos Carvalhal, que retirou Gil Dias após este ter colocado a mão no pescoço de Flávio Gonçalves nas barbas do árbitro assistente, resultou. No entanto, o técnico não acabou o desfecho. Beney acabou expulso, aos 87', por ter dado um pontapé ao lateral uruguaio.

Rui Borges uniu Ioannidis e Luis Suárez. A coexistência não significou que jogassem em parelha, apenas tornou mais imprevisíveis as movimentações de cada um. No lance da grande penalidade, o grego estava na área a ocupar o espaço do colega, que tinha descaído para a esquerda. Luis Suárez conseguiu finalmente ultrapassar Carević. Com pouco tempo para jogar, parecia difícil que o Sporting deixasse cair de tal maneira o caldeirão das emoções.

Os famalicenses tiveram que se projetar como nunca e Óscar Aranda, de livre, rematou ao poste. Foi um primeiro aviso para o que se sucedeu. Mathias de Amorim, pouco visto até então, levantou para um Umar Abubakar a descolar do aeroporto de Famalicão. Gonçalo Inácio errou o corte e marcou na própria baliza dentro do primeiro minuto de compensação.

Nunca nada é certo até estar mesmo assegurado. E mesmo que esteja assegurado, talvez seja melhor confirmar.

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