Os feitos inéditos perseguem uma geração que não consegue parar de fazer história: Portugal está nos oitavos de final do Mundial sub-20
Anna Marques matou o primeiro golo de sempre de Portugal num Mundial sub-20
Daniela Porcelli - FIFA
Apareceram os primeiros golos, surgiu a primeira vitória e Portugal qualificou-se para os oitavos de final do Mundial sub-20. A seleção nacional ganhou à Costa Rica (3-0) e assegurou o segundo lugar no grupo E. Agora, vem aí a Espanha
Ao contrário de outras competições em que todos os presentes na sala se calam ao verem o símbolo das cinco quinas a entrar, a seleção nacional ainda não atingiu esse estatuto no futebol feminino. O Mundial sub-20 é uma incubadora do fenómeno em Portugal e não se cresce sem passar pelo adubo das dificuldades.
O futebol feminino português vai sacudindo cada vez mais os limites. A seleção principal tem conseguido presenças inéditas em Mundiais e Europeus através do máximo aproveitamento dos recursos disponíveis. A evolução segue no sentido certo e a boa notícia é a de que está a chegar esta geração sub-20 que, sem dúvida, acrescentará valor ao topo da pirâmide.
As fases de grupos têm essa dupla face. Começa-se pensando que existe margem para cumprir os objetivos e, por vezes, chega-se ao fim com tudo por decidir. Uma terceira jornada pode ter a delicadeza de um jogo a eliminar caso a cola que une a tarefa e a sua concretização ainda não esteja bem seca.
Apesar de ser uma equipa estreante no torneio, Portugal considerou ter legitimidade para aspirar a chegar pelo menos aos oitavos de final. O jogo contra a Costa Rica tinha esse caráter decisivo, pois a derrota contra a Coreia do Norte (2-0) e o empate contra a Colômbia (0-0) adiaram as decisões. A equipa de Marisa Gomes confirmou o crescendo com uma vitória (3-0) que permitiu cumprir a meta.
Carolina Tristão a rematar para o segundo golo
Daniela Porcelli - FIFA
O primeiro golo português num Mundial sub-20 não chegou nos 180 minutos que duraram os dois primeiros jogos, mas chegou logo aos 6’ do duelo contra a Costa Rica. As bolas paradas não são propriamente o aspeto mais vincado da identidade nacional. Não obstante, foi com um invulgar domínio do jogo aéreo que se fez história. Anna Marques - nascida na Alemanha, motivo pelo qual lhe dobram a consoante no primeiro nome - cabeceou no espaço que sobrou entre a mão da guarda-redes e a barra.
O pontapé de saída pertenceu à Costa Rica e desde esse momento que foi visível o empenho de Portugal. Maísa Correia, tal a vontade, quase intercetou o passe atrasado com que se iniciou o jogo. Os dividendos foram desde logo o livre ao poste de Mafalda Mariano.
Não é irrelevante que no onze inicial estivessem quatro jogadoras (Inês Meninas, Érica Cancelinha, Carolina Santiago e Maísa Correia) que já se estrearam pela seleção A. Carolina Tristão também lá chegará. A jogadora que chegou atrasada ao Mundial da Polónia por ter ficado em Portugal a conquistar a Supertaça pelo Benfica demonstrou o quão promissor é o seu talento no malabarismo com que saiu de uma caixinha de fósforos no segundo golo.
À Costa Rica faltavam recursos para passar do meio-campo. Instalou-se então um cenário altamente tranquilo para Portugal. Com mais um golo, a seleção nacional igualou o saldo da Colômbia e passou a aspirar atingir o segundo lugar do grupo E. Francisca Castro, sempre envolvida nos lances fulcrais, causou o pânico com um cruzamento que as adversárias não conseguiram resolver. Anna Marques aproveitou o caos para bisar.
Os ferros impediram Luana Bessa e Maísa Correia de dilatarem a vantagem. Quando não era a estrutura da baliza, era a guarda-redes Ashley Quesada a fazer a desfeita. Portugal não conseguiu progredir no marcador, mas chegaram novidades do Colômbia-Coreia do Norte. Na reta final do jogo, as asiáticas libertaram a inspiração ofensiva e acabaram a golear por 3-0, deixando as sul-americanas com um saldo de -1 golo contra o rácio de +1 das Navegadoras. A combinação de resultado permitiu às portuguesas darem um pulo classificativo que as vai levar a jogarem com a Espanha, vencedora do grupo F, nos 'oitavos'. A chegada às meias-finais do Euro sub-19, em 2025, não foi um caso isolado.