Crónicas de jogos

Só quando Portugal teve baixas no exército é que Espanha foi uma grande potência

Portugal teve oportunidades para marcar, quase todas criadas por Carolina Tristão, a sofrer junto das colegas
Portugal teve oportunidades para marcar, quase todas criadas por Carolina Tristão, a sofrer junto das colegas
Mateusz Slodkowski - FIFA

A primeira participação de sempre de Portugal no Mundial sub-20 terminou após a derrota contra a Espanha (2-0). A seleção conseguiu dividir o jogo, sobretudo na primeira parte, mas a expulsão de Neide Guedes condicionou a equipa de Marisa Gomes, que tinha uma tarefa difícil à partida. Nair Pina consagrou-se como a figura nacional do torneio

Espanha é o reservatório mundial da qualidade técnica. As gerações passam e não há uma fornada que surja débil. Por isso, os títulos se acumulam. No escalão de sub-20, foram campeãs do mundo em 2022. No de sub-19, levam cinco europeus consecutivos.

La Roja foi muitas vezes a potência que é, mas também passou por momentos em que Portugal encurtou distâncias e fez-se respeitar. Durante a primeira parte, a seleção nacional equiparou-se a um a país que dever servir de exemplo. Depois, fruto do descalabro originado por um cartão vermelho, a eliminação nos oitavos de final acabou por se consumar.

Estar pela primeira vez num Mundial sub-20 foi histórico, chegar à fase a eliminar foi ainda mais memorável. Porém, a equipa de Marisa Gomes demorou a enturmar-se numa fase do processo de aprendizagem em que as professoras são mais duras.

Espanha colocou as mãos nos ombros da seleção e deu voltas a Portugal. A entrada de La Roja foi estonteante. A equipa nacional foi abalada por uma pressão asfixiante e uma circulação que faz bloquear as pernas de quem está a defender.

Num desses momentos de desenvolvimento ofensivo, Noemí Bejarano infiltrou-se no corredor central. Marisa García aproveitou o inicial incómodo sentido pelas defesas portuguesas em lidarem com a sua dimensão física e intrometeu-se para inaugurar o marcador.

Parecia que a tarde em Katowice ia ser longa. Era tempo de unir as tropas e lutar, sentimento que Inês Meninas tantas vezes personificou. Maísa Correia começou a demonstrar ser um transtorno evidente para quem quer que a tentasse travar. No entanto, não teriam existido oportunidades sem a cultura de jogo notável de alguém com apenas 18 anos. A definição meticulosa de Carolina Tristão rendeu um cruzamento e um passe nas costas da defesa que proporcionou a Maísa Correia as ocasiões flagrantes de que Portugal necessitava.

Neide Guedes, inconsolável, após a expulsão que passou pelo VAR
Mateusz Slodkowski - FIFA

É certo que Elene Gurtubay ajeitou de calcanhar e acertou na barra e logo de seguida foi negada por Nair Pina no primeiro grande momento da guarda-redes portuguesa, mas a tendência que imperava era a das Navegadoras. O pendor foi quebrado pelo cartão vermelho direto mostrado a Neide Guedes, que momentos antes tinha recebido com a parte exterior do pé e partido para uma jogada individual travada pela barra.

O contratempo surgiu mesmo em cima do intervalo e foi um abalo crónico para as ambições de Portugal. O exército perdeu uma unidade e só aí é que Espanha confirmou o estatuto, impondo-se e sorvendo a hipóteses de saída a um adversário que se rendeu por força das circunstâncias.

La Roja demorou a capitalizar a superioridade numérica. Daniela Agote falhou uma grande penalidade cometida por Marta Gago e Irune Dorado viu um golo ser anulado pelo VAR devido a uma falta que precedeu a colocação da bola na baliza.

Nair Pina fez um torneio imaculado, mas acabou por dar nome à machadada final da Espanha. O lance foi caricato. Rosalía Navarro fez um cruzamento traiçoeiro a partir da esquerda. Portugal não encontrou maneira de aliviar eficazmente e, já junto da linha de golo, Iara Lobo chutou contra a própria colega de equipa, confirmando a passagem da Espanha aos quartos de final, onde jogará contra o Brasil.

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