Um AC Milan-Benfica voltou a ser duro para Ruben Amorim. Mas desta vez o resultado foi outro
Jogadores do Benfica festejam em San Siro
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O Benfica bateu pela primeira vez na sua história o AC Milan, seu carrasco em duas finais europeias, com uma vitória sólida e adulta por 2-0 em San Siro, na estreia na Liga Europa. A jogar com nove alterações, a equipa de Marco Silva marcou por Lukebakio e Kaminski, dois mal-amados que viveram uma noite de redenção
Estão vingados Costa Pereira, Coluna, Torres, Simões. Eusébio. A noite foi de revanche para Vítor Paneira, Pacheco, Toni. Pela primeira vez, em jogos oficiais, o Benfica bateu o AC Milan, carrasco das finais europeias de 1963 e de 1990, motivo de tantos pesadelos, protagonista, à sua maneira, de maldições em tons encarnados.
Não morreu de vez o conjuro de certo húngaro, claro está, mas num dos mais míticos estádios do continente, o Benfica teve o seu gostinho a glória europeia. A vitória por 2-0 não foi sequer suada ou sofrida, foi feita até de homens mal-amados na Luz, frente a um AC Milan de Ruben Amorim que, diga-se, está longe desses tempos de Mazzola e Rivera, mais ainda do génio da equipa de Sacchi. Mesmo entrando em campo sem muitos dos seus melhores (como, de resto, o Benfica), o treinador português, que na sua apresentação assumiu ter vivido um momento duro nessa final de 90, tem muita pedra para partir para tirar algo deste Milan.
Em casa onde Rui Costa foi príncipe, o Benfica começou como um rei. Da equipa que bateu o Gil no fim de semana, sobraram dois nomes: Banjaqui e Tomás Araújo. De resto, revolução total, a pensar já, seguramente, no Clássico de domingo. Não se notou. Pouco havia passado do primeiro quarto de hora quando Lukebakio fez de Prestianni, mas do outro lado: apanhou o passe de Kaminski, titular na direita, partiu da esquerda para o meio e, aproveitando o arrasto inteligente de Aursnes, aproveitou o espaço à entrada da área para um remate em arco. Se o argentino visa o ângulo, o belga atirou rasteiro. A eficácia foi semelhante.
Lukebakio a festejar com Durán
Marco Luzzani
Com um Milan macio, controlado quase sempre nas alas, o Benfica tinha bola, geria com tranquilidade. Quando não a tinha, pressionava. Ainda antes da meia-hora, Kaminski reagiu rápido à perda, em zona alta, e Sudakov, até então algo desaparecido, rematou ao poste. Ainda assim, era nas laterias que o Benfica ia surgindo mais, com algumas combinações competentes entre Banjaqui e Lukebakio, El Karouani e Kaminski.
Em reduto do Milan, o Benfica parecia anfitrião, os rossoneri uns meros convidados tímidos, perdidos nas divisões. Há ainda muitas dúvidas. O cenário só começou a mudar, mas pouco, no final da 1ª parte: os jogadores de Ruben Amorim agarraram-se à bola, mas custou-lhes sempre deixar de ser uma equipa pouco fluída, previsível. Sem outras opções, o tiro exterior foi muitas vezes a escolha, com Trubin sempre atento.
A entrada de Pulicic ao intervalo trouxe um AC Milan aparentemente mais pressionante e agressivo na 2ª parte, com outras soluções no ataque, ao que o Benfica respondeu quase de forma cruel, aumentando a vantagem. Sem conseguir matar um lance que terminou com um remate de Kaminski, os rossoneri deixaram que a bola seguisse para um solitário El Karouani que, sem qualquer tipo de oposição, cruzou para a entrada do polaco. Não marcou à primeira, marcou à segunda.
Chris Ricco - UEFA
Daí até final o jogo tornou-se um exercício quase inútil de posse de bola do AC Milan, que apenas criou perigo num par de remates de Christian Pulicic, que Trubin travou. Nem a entrada da artilharia mais pesada, Saelemaekers, Diego Moreira ou Rabiot, resultou. Perante tal cenário, Modric nem saiu do banco.
Do outro lado, diga-se, estava um Benfica adulto, sério, de grande coesão defensiva: Banjaqui somou desarmes, Palhinha limpou o resto. Kaminski e Lukebakio tiveram uma noite de redenção. Ou pelo menos a avisar Marco Silva que fazem parte da solução e não dos problemas. Nos minutos finais, e depois da passadeira que estendeu aos menos utilizados ao início, Marco Silva ainda deu a oportunidade aos titulares de sentirem o ambiente de San Siro, como que lhes servindo um amuse-bouche do Dragão, para provarem a responsabilidade dos grandes palcos, que este Benfica parece preparado para tomar.