A Liga Portugal anunciou esta semana que irá implementar a ‘Linha Tecnológica de Golo’ a partir da época 2025/26. Estas são excelentes notícias para o futebol profissional e para os árbitros que dirigem essas partidas.
A tecnologia tem desempenhado um papel importante no desporto, sobretudo no que diz respeito à tomada de decisão, contribuindo diretamente para a justiça dos resultados. Há muito que é assim no râguebi, ténis, NBA, andebol e em tantas outras modalidades.
Felizmente, o futebol de alta competição também se rendeu a essa ajuda, que complementa (quase) na perfeição a limitação de quem tem a hercúlea tarefa de avaliar lances dentro das quatro linhas.
No caso da GLT - Goal Line Technology -, o apoio esperado acontecerá numa situação crucial de jogo (golo/não golo) e em circunstâncias que muito dificilmente podem ser bem avaliadas em campo.
Reparem: o único elemento com possibilidade de analisar se uma bola ultrapassa por completo a linha de baliza (entre os postes e por debaixo da barra) é o árbitro assistente, mas isso pressupõe que esteja colocado no enfiamento da ‘linha de golo’ quando tudo acontece. Só assim terá algumas chances de avaliar com sucesso. Ainda assim, isso dependerá sempre da velocidade da jogada, da quantidade de jogadores na zona ou do próprio guarda-redes, que com o corpo poderá (ou não) esconder a bola na totalidade.
A questão aqui é que, por defeito, a posição do árbitro assistente é no enfiamento do penúltimo defensor, para análise de eventual fora de jogo. Ora, se no momento do remate decisivo o jogador estiver a vários metros da sua baliza, é humanamente impossível ao assistente analisar corretamente o que quer que seja.
Foi exatamente isso que aconteceu aqui há uns anos num célebre Benfica-FC Porto, quando um jovem árbitro assistente foi ‘crucificado’ de forma inenarrável por não ter validado um lance que, naquelas circunstâncias e posicionamento, jamais poderia validar. É que, na dúvida, a decisão tem que ser sempre ‘não golo’.
Hoje já várias ligas profissionais implementaram esta tecnologia com elevada taxa de sucesso.
A questão que aqui se poderá colocar é a do custo/benefício: até que ponto é que vale a pena investir milhões de euros (regra geral, é uma aquisição dispendiosa) para situações de jogo que acontecem, em média, duas, três vezes por época?
Eu, que sou suspeito na matéria, acho que vale sempre a pena. A um nível tão alto e com tanta coisa em jogo, qualquer investimento que assegure mais justiça e verdade ao jogo é inquestionável.
Convém relembrar que um golo mal validado ou por validar pode definir um campeonato, um apuramento às competições europeias, uma manutenção ou uma despromoção. Por consequência, pode também determinar renovações, rescisões, ganhos ou perdas de investidores, sponsors, etc.
Chapeau à decisão que o futebol profissional português agora tomou.
Agora só falta considerar a introdução da linha de fora de jogo semi-automática, essa sim, de uso frequente e importância redobrada.
Fica o repto.
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