No domingo, ao ver Mourinho lançar dois jovens de 17 anos, campeões do mundo há poucos meses, Bruno Vieira Amaral compreendeu que esse gesto que, noutras circunstâncias, seria corajoso, era o reconhecimento de que está em curso no Benfica a instalação de uma cultura de derrota (visto que a equipa ainda não perdeu no campeonato, falemos de uma cultura de não-vitória). Quando o presente não oferece alegrias, empurram-se os sonhos para o futuro
No processo de decadência das organizações em geral, e dos grandes clubes em particular, as derrotas começam por ser um escândalo. Com o tempo tornam-se um hábito. Por fim, transformam-se em cultura. Do escândalo das derrotas à cultura da derrota o caminho às vezes é longo e nem sempre linear, outras vezes é brusco, com quedas abruptas que fazem com que se salte etapas. Veja-se o caso do Manchester United pós-Ferguson. Aí as derrotas rapidamente se transformaram num hábito, com a atenuante de que seria sempre difícil substituir Ferguson, e de forma igualmente célere instituiu-se uma cultura de derrota. Os festejos após a vitória contra o Arsenal não o desmentem, comprovam-no.
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