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Martí Perarnau, o biógrafo de Guardiola que o rejeita ser: “Pep preocupa-se com a vitória, não com a estética”

Martí Perarnau, o biógrafo de Guardiola que o rejeita ser: “Pep preocupa-se com a vitória, não com a estética”
Simon Stacpoole/Offside/Getty

Depois de 10 anos com acesso aos bastidores do trabalho do treinador, Perarnau acaba de lançar “Dios Salve a Pep”, o seu terceiro livro sobre o percurso de Guardiola, desta feita centrado nas sete temporadas no City. Explicando que o técnico é “muito dogmático nos seus fundamentos”, mas “muito pouco dogmático no que não é fundamental”, assume que Pep está “apaixonado por Bernardo Silva”, porque o português é “o Messi dos humanos”

Martí Perarnau, o biógrafo de Guardiola que o rejeita ser: “Pep preocupa-se com a vitória, não com a estética”

Pedro Barata

Jornalista

Martí Perarnau está há 10 anos a acompanhar a carreira de Pep do lado de dentro, estando nos bastidores, tendo acesso a áreas reservadas. Ainda assim, não gosta que lhe chamem biógrafo de Guardiola. Diz que “apenas" quis "fazer um relato do que foi vendo e vivendo” estando próximo como poucos de Pep. “É um relato jornalístico, uma reportagem. Só que a reportagem está a ser um pouco longa, já dura há 10 anos”, diz.

No entanto, depois de uma década a seguir o dia a dia do treinador, é difícil fugir ao título de biógrafo. Após “Herr Pep” e “La Metamorfosis”, acaba de publicar “Dios Salve a Pep”, o seu terceiro livro sobre os bastidores do trabalho do técnico, centrado nas sete épocas no comando do Manchester City.

Nascido em Barcelona em 1955, Perarnau começou por se destacar no atletismo. Foi recordista de Espanha no salto em altura, especialidade em que participou nos Jogos Olímpicos de 1980. Depois da vida de atleta, veio a comunicação e a crónica desportiva. Dirigiu o centro de imprensa dos Jogos Olímpicos de 1992, em Barcelona, coordenou as secções desportivas de vários jornais na Catalunha, publicou diversos livros.

Como olhos que testemunharam e mãos que escreveram, é, provavelmente, a voz mais autorizada para falar dos últimos 10 anos da década do treinador mais marcante da atualidade. Esta sexta-feira (18h00, Sport TV3), Guardiola disputa a final do Mundial de Clubes, contra o Fluminense, podendo chegar ao quinto título em 2023, ao 16.º no City e ao 38.º em 16 anos de carreira.

Como descreveria esta última parte da trilogia?
Retrata os momentos bons e maus ao longo de sete anos: dos títulos aos acontecimentos trágicos, como o atentado no concerto da Ariana Grande em 2017, onde estava a família de Pep, ou a morte da mãe. Passou uma pandemia, os filhos tornaram-se adultos…

Quando saiu “Herr Pep”, pela primeira vez Guardiola deixava alguém entrar no seu quotidiano. Qual foi a metodologia para este terceiro livro?
Foi muito diferente dos dois livros de Munique, que tiveram um processo idêntico: foram três anos em que estava uma semana em Munique, vendo o que sucedia e tirando notas. Depois voltava a casa e escrevia. Mas isto não se podia repetir em Manchester durante sete anos, porque também há vida além de Guardiola. Inicialmente houve muitas visitas a Manchester, depois foi deixando de haver tantas, até pela pandemia. A forma de trabalhar foi mudando, também porque a comunicação com ele e com quem trabalha com ele vai sendo mais fácil, já não é como há 10 anos, quando eu era um desconhecido para ele.

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