Pouco tempo antes da final do campeonato nacional de voleibol, disputada à melhor de cinco jogos, Ivo Casas estava em Itália a assistir ao nascimento da filha. “Custou muito” regressar sozinho a Portugal, admite. Os deveres profissionais esperavam-no na Luz. Um libero, por definição, já é alguém habituado aos sacrifícios: não ataca, não serve, não entra no bloco e raramente passa. As regras até o obrigam a estar sinalizado com uma camisola diferente e, por isso, o jogador de 31 anos só usa o equipamento principal do Benfica nos dias em que os restantes colegas o têm a lavar.
Ivo Casas, com passagens pelo Leixões e Castêlo da Maia, completou dez épocas nos encarnados, nas quais foi campeão nacional sete vezes. Em 2018, as águias perderam o campeonato para o Sporting. Seguiu-se a chegada do brasileiro Marcel Matz ao comando técnico. Abriu-se então um ciclo vitorioso cujo fim ainda está para chegar. Na temporada em que a resistência do principal adversário foi “melhor do que nos outros anos”, o Benfica celebrou o penta derrotando os leões em cinco jogos.
Ganhar cinco campeonatos nacionais consecutivos merece um festejo à medida. Ivo Casas tê-lo-ia feito se não fosse viajar para fora de Portugal, indo ao encontro da filha. “No dia a seguir, de manhã, tinha o voo para ir para Itália. O trabalho estava feito e tinha que estar perto da minha família”.
Foste pentacampeão nacional e a tua filha nasceu a 15 de abril, em Itália. Têm sido das horas mais eufóricas da tua vida?
Ela nasceu uma semana antes da final. Tivemos o primeiro jogo no dia 20. Estava previsto ela nascer no dia 22, mas, como foi cesariana, conseguimos marcar para uma semana antes e então ela nasceu dia 15. Daí eu poder ter estado presente no nascimento. O treinador [Marcel Matz] percebeu a situação. Vim a Itália para o nascimento e regressei no dia 18 para o treino da tarde. Depois, só voltei para Itália quando a final terminou.
Equacionaste viajar entre os jogos da final?
Os jogos foram muito próximos uns dos outros. Era muito complicado estar a fazer viagens, não podia descurar a parte dos treinos e ia ser um cansaço extra para pouco tempo útil que ia ter se o fizesse. Achámos melhor eu ficar quatro dias na altura do nascimento para, depois, estar sempre em Portugal durante a final. A bebé ia ter que nascer por cesariana de qualquer forma, porque estava sentada e não na posição certa para o parto natural. Os médicos acharam que não havia problema de antecipar. Se nascesse no dia 22, ia conseguir estar presente no nascimento, mas seria uma visita de médico, porque íamos ter jogo no dia 25. Assim, organizámos melhor o nascimento e consegui aproveitar um bocadinho mais aqueles primeiros dias. Claro que soube a pouco. Deixá-la naquela altura custou muito, mas tinha que ser.
A tua filha nasceu em Itália porque a tua mulher é italiana, certo?
Preferimos que ela nascesse em Itália para dar um bocadinho mais de conforto à minha mulher que veio para Roma dois meses antes do nascimento, porque depois não podia voar. Ela tinha o apoio da família aqui. Se fosse em Portugal, dificilmente teríamos algum apoio, porque a minha família é do norte e ia ser complicado. Na altura das finais, íamos ser só os dois. Sacrificámo-nos um bocadinho, mas, de qualquer forma, ela tinha o apoio dos pais e da irmã dela. Seria mais fácil. O processo do nascimento de uma criança é sempre complicado, principalmente quando é o primeiro filho. A ideia é ficarmos por aqui mais ou menos três meses e quando começar a época, voltamos os três.
Como é que conheceste a tua mulher?
Eu estava na seleção nacional e tivemos um jogo fora. Calhou ela estar na mesma altura que eu na Islândia e cruzámo-nos via redes sociais. Depois, tudo evoluiu naturalmente e trouxe-nos a este ponto. Não podíamos estar mais felizes.
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