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Célio Dias: “Não encerro a carreira por causa da minha saúde mental, mas porque a chama morreu. Já não preciso do judo para me validar“
Célio Dias deixa o judo para se dedicar à causa da saúde mental, à dança e à escrita
Tiago Miranda
Aos 33 anos, Célio Dias prepara-se para fechar o capítulo que moldou a sua vida desde a infância: o judo, que o levou a um bronze no Grand Slam de Paris, a um 7.º lugar no Mundial, e à presença nos Jogos Olímpicos do Rio, em 2016. Prepara-se para anunciar o final na carreira como judoca, mas não o vive como desistência, antes como uma metamorfose ditada pela sobrevivência mental. Depois de anos a romantizar a dor, enfrentar internamentos, burnout, lesões e o peso de ser “um atleta negro, homossexual, com HIV, defensor de causas”, diz querer dedicar-se às palestras e a uma nova vida como bailarino e fadista, mas também escritor, numa continua procura de identidade que, para ele, já não cabe no tatami

