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Bola de Berlim

Mais verde que a relva: a luta de uma região do Euro 2024 por um futebol ecológico

Mais verde que a relva: a luta de uma região do Euro 2024 por um futebol ecológico
Tiago Carrasco
Incentivam os adeptos a irem de bicicleta para os jogos, têm estádios sem desperdício e claques veganas. Baden-Württemberg é o berço do ativismo ecológico na Alemanha e os seus clubes de futebol honram esse legado. Mas na capital, Estugarda, o ar é muitas vezes irrespirável. Este é o segundo texto da ‘Bola de Berlim’, série de reportagens feitas nas regiões e cidades-sede do Euro 2024
Mais verde que a relva: a luta de uma região do Euro 2024 por um futebol ecológico

Tiago Carrasco

Jornalista

Estádio: MHPArena (Estugarda)

Região: Baden-Württemberg

A pacatez da Floresta Negra é interrompida pela chegada de sessenta crianças, logo pela manhã, ao pitoresco campo de futebol da aldeia de St. Wilhelm, 20km a sul de Freiburg am Breisgau. O eco dos seus risos espalha-se pelo vale, provocando olhares surpreendidos de lenhadores e de vacas malhadas. São meninos e meninas, com idades entre os seis e os doze anos, que vieram participar no “Jogo pela Vida Selvagem”, uma iniciativa do clube de futebol SC Freiburg (militante na Bundesliga, principal escalão do futebol alemão) em parceria com a World Wide Fund for Nature (WWF) e com a Reserva da Biosfera da Floresta Negra.

“Hoje o mais importante não é marcar golos”, diz um dos organizadores. “É entender o que podemos fazer para ajudar a Natureza, de modo a podermos jogar futebol por muitos anos.”

Os participantes começam por percorrer um trilho, pago pelo idolatrado clube local, com paragens para imitarem os habitantes da floresta – o esquilo ou a raposa – e para conhecerem algumas das árvores autóctones, como os abetos, os pinheiros e os áceres. Há um quizz e uma caça ao tesouro, com uma bola escondida no bosque. Concluído o percurso, dividem-se por dez equipas e fazem um torneio de futebol, usando as camisolas rubras do Freiburg.

“O objetivo é usar o mediatismo do futebol para formar as crianças nas boas práticas ambientais”, diz, à Tribuna Expresso, Manuela Bacher-Winterhaller, 51 anos, a responsável da Reserva pelas parcerias com o Freiburg. “O clube tenta, dentro das suas possibilidades, incentivar a plantação de árvores ou o uso da bicicleta para os adeptos se deslocarem ao estádio. Estão também a organizar caminhadas na Floresta Negra para os sócios.”

Manuela nasceu junto ao Bodensee, ainda mais a sul, perto da fronteira com a Suíça, mas mudou-se para a Floresta Negra há 20 anos, onde desenvolve uma vida altamente sustentável: planta muitos dos seus alimentos, produz sumo de maçã biológico e alimenta energeticamente a sua casa com painéis solares. Todavia, tem assistido nos últimos anos a um aumento das ameaças contra a floresta protegida. “Esta região está a enfrentar escassez de água pela primeira vez em centenas de anos”, afirma. “Este ano choveu mais um bocadinho, mas nos anos anteriores houve seca, o que causou impactos na fauna e na flora, agravados por algumas pragas que danificaram milhares de árvores.”

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