Cristiano Ronaldo é “um ícone”, mas isso “não condiciona” Roberto Martínez a colocá-lo a titular na seleção
Roberto Martínez abraçado a Cristiano Ronaldo em Munique, após a conquista da Liga das Nações em 2025
Stefan Matzke - sampics
Ao fim de três anos enquanto selecionador nacional, Roberto Martínez tem a melhor percentagem de vitórias (69,4%) e, em 36 jogos, Portugal marcou 96 golos. Em entrevista à Lusa, Roberto Martínez garante que o estatuto de Ronaldo não influencia as suas decisões, fala da importância de trabalhar o psicológico dos jogadores para se ganhar o Mundial e diz que pretende levar um terceiro avançado nos convocados
Roberto Martínez, assume que Cristiano Ronaldo é um “ícone do futebol mundial”, mas rejeita que esse estatuto venha a ter peso nas decisões que terá de tomar durante o próximo Campeonato do Mundo.
Em entrevista à agência Lusa, o técnico de 52 anos elogiou a mentalidade do capitão da seleção, que em fevereiro completa 41 anos e se preparava para disputar em junho e em julho o sexto Mundial da sua carreira, algo que nenhum jogador até agora alcançou.
“O que acontece à volta do Cristiano é um aspeto histórico. É um ícone do futebol mundial, mas isso não condiciona ou limita o nosso trabalho. O Cristiano está muito tranquilo e muito focado no dia-a-dia e isso é uma fórmula simples. Quando o Cristiano Ronaldo está bem, é muito importante para a seleção”, explicou Martínez.
Além da ética de trabalho, o selecionador nacional destacou a “simplicidade” de Ronaldo quando está ao serviço de Portugal, apesar dos históricos 226 jogos e 143 golos que já registou pelo seu país.
“Acompanhamos todos os dias o que ele está a fazer. Está a desfrutar muito. Ele tem uma marca a nível mundial, mas para nós consegue ter simplicidade dentro da seleção. O foco dele é um exemplo para seguir. Ele encontrou um processo de se focar no dia-a-dia e a consequência disso é chegar ao próximo Mundial”, considerou.
No Mundial 2022, que decorreu no Catar, ainda com Fernando Santos como treinador, Ronaldo perdeu a titularidade durante o torneio, a partir dos oitavos de final, situação que na altura levantou muitas criticas por parte de pessoas ligadas ao avançado, com a sua mulher e familiares a usarem as redes sociais para lamentarem a decisão do então selecionador nacional, acusando mesmo o treinador de ser ingrato.
“Isso foi há três anos”, desvalorizou Roberto Martínez, ‘fintando’ a questão se poderá ter o mesmo destino de Fernando Santos caso tome a decisão de tirar Cristiano Ronaldo do ‘onze’ principal da seleção nacional durante o Mundial2026.
“Eu adoro o compromisso dos jogadores e o Cristiano é o nosso capitão porque merece ser o nosso capitão. Estamos preparados, eu estou preparado, a equipa técnica está preparada, os jogadores estão preparados”, frisou. Contudo, o técnico espanhol reforçou que todas as decisões que toma como selecionador português “são sempre para melhorar a equipa”.
“Trabalhamos com experiência e todos os dias são importantes para tomar decisões. A exigência de todos os jogadores é máxima. As nossas decisões são sempre para melhorar a equipa”, concluiu.
Roberto Martínez completou na última sexta-feira, 9 de janeiro, três anos como selecionador português, período em que conquistou a Liga das Nações, levou Portugal aos quartos de final do Euro2024 e alcançou vários recordes, como 12 triunfos seguidos em jogos oficiais e a primeira qualificação completamente vitoriosa (10 em 10) no caminho para o Europeu da Alemanha.
O técnico espanhol regista ainda 96 golos em 36 jogos, o que dá uma média de 2.66 por partida e a melhor percentagem de vitórias de um selecionador (69,4%). “É um balanço positivo e estou muito satisfeito. Eu acho que os recordes e os resultados são a consequência do trabalho dos jogadores e da equipa que temos na seleção. Como selecionador, fico muito satisfeito pelo compromisso que tenho encontrado e o sentimento de orgulho que é jogar pela seleção”, afirmou o treinador de 52 anos, com uma garantia: “A minha critica é sempre mais forte do que a critica que vem de fora.”
Um terceiro avançado para o Mundial
Admitindo que, por vezes, sente “o barulho [vindo] de fora”, Martínez realçou como“agora temos pela frente o nosso maior desafio”, referindo-se ao Mundial2026 que vai decorrer de 11 de junho a 19 de julho nos Estados Unidos, Canadá e México. Os adversárioso da seleção nacional na fase de grupos serão a Colômbia, o Usbequistão e, ainda por definir, o vencedor do play-off de apuramento entre Jamaica, Nova Caledónia e República Democrática do Congo.
“Vai ser o meu terceiro Campeonato do Mundo e aprendi que ninguém chega como uma equipa campeã. É preciso crescer durante os primeiros três jogos e fazer tudo para que os nossos jogadores estejam confortáveis durante o torneio. Não temos história em Mundiais e isso faz parte da nossa preparação psicológica. Ir passo a passo e fazer os jogadores acreditarem que podemos realmente ganhar o Mundial”, explicou Martínez.
Sem ser a primeira vez que o refere, o selecionador nacional entreteve a vontade de ter um terceiro ponta de lança no grupo para acrescentar a Cristiano Ronaldo e Gonçalo Ramos. “A porta da seleção está sempre aberta, mas a competitividade que existe faz com que a dificuldade em entrar seja grande. Mas, neste momento, achamos que precisamos de um terceiro ponta de lança e que essa será uma posição importante para Mundial. Temos vários perfis e o estágio de março vai ser muito importante nisso”, disse.
Além de revelar que pretende realizar dois jogos particular, em junho, antes de a seleção partir para os EUA - um deles no 10 de junho, Dia de Portugal -, o treinador espanhol deseja preparar a seleção para jogar em altitude: “Este Mundial vai ser complexo e exigente para as seleções europeias. Por isso, este estágio vai ser muito importante para primeiro jogarmos em altitude, no México, e depois num estádio fechado, que será com os Estados Unidos. Achamos que devíamos experimentar isso antes do Mundial e para nós é a preparação perfeita.”