Fórmula 1

Dois sustos depois, Lando Norris é o novo campeão mundial de Fórmula 1

Dois sustos depois, Lando Norris é o novo campeão mundial de Fórmula 1
Bryn Lennon - Formula 1

Britânico foi 3.º na última corrida do ano, o GP Abu Dhabi, e conquistou assim o seu primeiro título mundial de Fórmula 1. Max Verstappen venceu, mas não chegou. A categoria-rainha tem o seu 35.º novo campeão mundial, o 11.º vindo do Reino Unido. E a McLaren junta, pela primeira vez desde 1998, o Mundial de construtores ao de pilotos

As contas eram favoráveis a Lando Norris. Na 13.ª ocasião nos 75 anos de história da Fórmula 1 em que três ou mais pilotos chegaram à última corrida com hipóteses de chegar ao título, o britânico da McLaren via ainda ao longe Max Verstappen, a 12 pontos, e o colega de equipa Oscar Piastri, a 16. Uma distância que permitia variáveis de gestão na pista: para o título perigar, Lando teria de ficar fora do pódio, improvável não havendo um erro grosseiro (e a McLaren já teve uns quantos este ano…) ou um problema mecânico. 

Nenhum dos dois surgiu, mas um par de sustos ainda trouxe momentos de tensão ao GP Abu Dhabi. Max Verstappen (Red Bull) fez o que lhe competia: partiu da pole e venceu, amealhando 25 pontos. Oscar Piastri, que ainda andou pela liderança, com uma estratégia diferente, foi 2.º. E Lando Norris foi 3.º, o último lugar que lhe garantia com todas as certezas o seu primeiro título mundial, sucedendo aos quatro títulos de Verstappen. 

Clive Rose

Aos 26 anos e já na sua 7.ª temporada na Fórmula 1, o piloto nascido em Bristol tornou-se assim no 35.º campeão mundial da categoria-rainha e 11.º britânico, neste particular sucedendo a Lewis Hamilton. Também é o primeiro desde Hamilton a dar um título de pilotos à McLaren, que não o lograva desde 2008. E desde 1998 que a escuderia com base em Woking não juntava o título mundial de pilotos, então com Mika Hakkinen, e o de construtores. 

Nada esteve aparentemente fora do controlo, mas foi sempre no fio da navalha. Culpa de erros anteriores da McLaren e do próprio Lando Norris, num campeonato que esteve longe de ser limpinho, limpinho. Mas na última corrida, quando a situação apertou, o britânico manteve o sangue frio. Primeiro quando se viu ultrapassado na luta corpo a corpo pelo colega Oscar Piastri na primeira volta, estando o australiano, para mais, de duros. Primeiro sinal de nervosismo.

E, depois, quando numa ultrapassagem a Yuki Tsunoda, colega de Verstappen na Red Bull, colocou as quatro rodas fora da pista. Durante os minutos que durou a investigação, pensou-se que uma penalização poderia atirar Lando para fora do pódio, mas a FIA decidiu sancionar o japonês por uma defesa um tanto quanto agressiva e tirar o britânico do cadafalso.

Daí até final, Lando Norris recusou qualquer outra surpresa: não mais errou e a McLaren não mais duvidou na hora de tomar decisões, chamando o britânico às boxes nos momentos certos. No final, o fogo de artifício sorriu a Lando e 2007, quando Lewis Hamilton e Fernando Alonso disputaram o título, que acabaria por cair para as mãos do Ferrari de Kimi Raikkonen, não se repetiu para a McLaren.

O campeão do renascimento da McLaren

Lando Norris sagra-se campeão numa temporada feita de altos e baixos. Entrou a ganhar, na Austrália, mas até meio da temporada foi o colega Oscar Piastri a sobressair, com três vitórias seguidas entre Bahrein, Arábia Saudita e Miami. A nove corridas do final da época, depois de vencer nos Países Baixos, Piastri tinha 34 pontos de vantagem para Norris e 104 para Max Verstappen, que renasceu na segunda parte da época: nas últimas 10 corridas do ano, ficou sempre no pódio e chegou a Abu Dhabi com legítimas hipóteses de chegar ao 5.º título consecutivo.

David Davies - PA Images

A descida de forma de Piastri e as vitórias de Norris no México e em São Paulo colocaram de novo o britânico em rota de colisão com o título. E mesmo com Max Verstappen a vencer as três últimas corridas, a almofada chegou. No final, apenas dois pontos separaram Norris (423) e o neerlandês (421). Piastri ficou em 3.º no Mundial de pilotos, com 410 pontos. 

Já na pista, entrevistado por David Coulthard, Lando Norris lembrou-se não dos bons e maus momentos desta temporada, mas sim das curvas e planaltos dos sete anos como piloto principal da McLaren, nove anos desde que chegou à família da equipa. Norris viveu um pouco de tudo na equipa: desde os momentos em que os McLaren chegaram a ser dos piores carros da grelha, a estagnação, até ao renascimento, fosse em performance ou em popularidade entre os novos públicos da Fórmula 1 - e em ambas as vertentes, o britânico foi essencial. 

O próximo ano será de novas regras e, para já, ninguém sabe quem estará na dianteira. Para a McLaren, este podia ser o ano do tudo ou nada. Chegou a abanar, mas a equipa britânica, que ainda no início de 2023 penava nos últimos lugares da grelha e há 10 anos parecia afundada numa crise financeira e de resultados, está de novo no topo. Lando Norris tem um dedo ou outro nesta reviravolta.

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