Fórmula 1

Algarve espera impacto económico no mínimo de €150 milhões em cada ano da Fórmula 1

Algarve espera impacto económico no mínimo de €150 milhões em cada ano da Fórmula 1
Paulo Maria

Eleita para receber grandes prémios de Fórmula 1 em 2027 e 2028, a região de Turismo do Algarve recorda que em 2020 o autódromo de Portimão gerou €100 milhões com o evento, lidando com as restrições da pandemia de covid-19 em que só pôde receber um terço dos espectadores

“Uma oportunidade de ouro para o Algarve e para Portugal inteiro” - assim foi acolhido o anúncio de que o Grande Prémio de Fórmula 1, nas edições de 2027 e 2028, vai voltar a ter como palco o Autódromo de Portimão, por parte das entidades que integraram o grupo de trabalho nacional mobilizado para este objetivo (que integrou elementos do Governo, da Parkalgar, do Turismo de Portugal e do Turismo do Algarve).

O Turismo do Algarve prevê que a realização da Fórmula 1 gere impactos económicos na região superiores a €150 milhões a cada ano - tendo em conta que o evento que decorreu no Autódromo de Portimão em 2020, em que apenas pôde receber um terço dos espectadores devido às restrições da pandemia de covid-19, resultou num impacto total de €100 milhões.

“É um palco único para alavancar toda a economia da região, não estou a ver nenhum sector onde o evento não possa trazer impactos”, salienta André Gomes, presidente da Região de Turismo do Algarve.

A previsão de receitas arrecadadas com a realização da Fórmula 1 incluem um ‘efeito combinado’ de impactos diretos e indiretos. Conforme explicitou André Gomes, os impactos diretos incluem faturação gerada na hotelaria, restauração, aluguer de viaturas ou transportes, entre uma série de serviços turísticos associados. E os efeitos indiretos abrangem as receitas com impostos geradas sobre estes eventos, entre outros fatores.

“Diria que no Algarve tudo de alguma forma está relacionado com o turismo e o Grande Prémio da Fórmula 1 vai ser um palco único para os produtores e fornecedores locais alavancarem as suas atividades, a começar pelo setor primário, como a agricultura”, realça o presidente da região de turismo.

O Governo espera arrecadar receitas de €140 milhões, só ao nível de impostos, nos três dias em que decorrerá a Fórmula 1 no Algarve em 2027, a que acrescerá a faturação relativa com a realização do evento em 2028, segundo avançou esta terça-feira Manuel Castro Almeida, Ministro da Economia.

O Autódromo Internacional do Algarve (AIA) volta assim a receber o Grande Prémio de Fórmula 1, após ter sido escolhido para a realização do evento em 2020 e 2021, em plena crise pandémica. Em 2020, com as restrições sanitárias vigentes, o evento conseguiu ter um terço dos espectadores que a sua capacidade permite, conseguindo, ainda assim, um impacto económico total para a região que ascendeu a €100 milhões. Mas em 2021 as regras foram mais apertadas, obrigando a Fórmula 1 a decorrer num autódromo de Portimão “completamente vazio, sem espectadores”.

Reforço de rotas aéreas na calha para o Algarve

O cenário que se abre para 2027 e 2028 com a Fórmula 1 no Algarve é totalmente diferente do que ocorreu nos anos em que persistia a pandemia de covid-19, o que é visto pelas entidades promotoras como um sinal de “confiança” da organização do evento automobilístico na “segurança, eficiência e elevado rigor operacional” que foram assegurados pelo país nesses tempos críticos.

A esta “vontade” da organização da Fórmula 1 em regressar ao Algarve, o presidente da Região de Turismo acrescenta a “experiência gerada com a excelência da oferta que temos na região, a par do trabalho que assegurámos para garantir a conectividade aérea, que permitiu hoje termos este anúncio”.

São esperados 200 mil espectadores no autódromo de Portimão nos três dias em que decorrerão as provas do Grande Prémio de Fórmula 1 em 2027
D.R.

A realização da Fórmula 1 em 2027 e 2028 vai reforçar a aposta em captar novas rotas aéreas para o Algarve, segundo avança André Gomes. “Temos um ano e meio para trabalhar o reforço da conectividade aérea para a região, para conseguirmos chegar a 2027 com as melhores ofertas”.

Em 2025, o responsável da Região de Turismo destaca neste campo “o sucesso do primeiro ano dos voos diretos para os Estados Unidos”, lembrando também que o aeroporto de Faro teve, pela primeira vez, ligações diretas ao Funchal em junho. O crescimento de rotas no Algarve também veio do lado de rotas para o Norte e Centro da Europa, como é o caso dos novos voos entre Riga e Faro, que permitiram “a diversificação de mercados e um crescimento em valor”.

Algarve com “a taxa de sazonalidade mais baixa da última década”

A oferta de camas no Algarve é mais do que suficiente para acolher o Grande Prémio da Fórmula 1, que decorre ao longo de três dias, em que são esperados ao todo 200 mil espectadores. A região conta com cerca de 670 empreendimentos turísticos classificados, totalizando mais de 130 mil camas, a que se somam mais de 40 mil alojamentos locais com capacidade inferior a dez camas, segundo avança André Gomes.

A notoriedade esperada com o evento de Fórmula 1 deverá trazer frutos ao Algarve já em 2026, de acordo com o presidente da Região de Turismo, frisando que o crescimento esperado já não será da ordem dos dois dígitos, como no período pós-pandémico.

“O Algarve está a crescer de forma equilibrada, mais em receitas do que em dormidas, o que significa que está a aumentar em valor, e com um desempenho que tem em conta a relação com as comunidades locais e a satisfação dos turistas”, nota o responsável.

“Estamos a registar crescimentos fora da época alta, a taxa de sazonalidade no Algarve é a mais baixa da última década, o que reflete um esforço conjunto do sector privado e público para provar que a região é mais do que sol e praia, e apostando na diversificação de mercados além dos tradicionais”, reitera André Gomes.

A taxa de sazonalidade no Algarve, que em 2024 se cifrava em 43%, baixou de momento para 38%, “e o nosso plano visa em 2028 chegar aos 37%”, adianta o presidente da Região de Turismo.

“Estamos no bom caminho para termos no Algarve uma economia pujante ao longo de todo o ano. Longe vão os tempos em que a região só tinha atividade em dois ou três meses do ano”, conclui André Gomes.

Cumprir “o sonho” do fundador da Parkalgar

O regresso do Grande Prémio da Formula 1 ao Algarve também significa, para as entidades locais, uma homenagem de memória a Paulo Pinheiro, o histórico fundador da Parkalgar, promotora do Autódromo Internacional do Algarve, e que faleceu prematuramente aos 52 anos, em julho de 2024.

“Era um sonho do Paulo Pinheiro voltarmos a ter a Fórmula 1 no Algarve, temos muito a agradecer-lhe, este é o resultado de um trabalho longo e continuado desde a edição de 2021, em que ainda estava entre nós. Queremos muito prosseguir com o legado que nos deixou, e prosseguir os seus sonhos”, enfatiza o presidente da Região de Turismo do Algarve.

O Governo destaca a “enorme notoriedade” que vai trazer a Portugal a realização da Fórmula 1, que conta com 827 milhões de fãs em todo o mundo e uma audiência que atinge, em média, cerca de 70 milhões de espectadores durante cada fim de semana de corrida.

“Estamos preparados para receber este evento, mostrando o melhor da hospitalidade portuguesa e da nossa capacidade empreendedora”, garante Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, num comunicado emitido pelo Turismo de Portugal.

“O regresso da Fórmula 1 a Portugal em 2027 e 2028 confirma o reconhecimento crescente do país como destino de referência para eventos de nível mundial e está plenamente alinhado com a estratégia do Governo para o sector do turismo e para a economia nacional”, concluiu Pedro Machado.

O anúncio do Governo surge um dia depois de, em declarações ao Jornal de Negócios, o presidente da câmara municipal de Cascais, Nuno Piteira Lopes, ter assumido a intenção de passar a gerir o autódromo do Estoril com vista a ter ali novamente a Fórmula 1 em 2028.

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