Fórmula 1

Fórmula 1 de regresso a Portugal em 2027 e 2028

Fórmula 1 de regresso a Portugal em 2027 e 2028
Mario Renzi - Formula 1

Promotor da prova-rainha do desporto automóvel confirma a promessa feita por Luís Montenegro em agosto: a Fórmula 1 está de volta a Portugal. Governo fala de evento com “impacto direto na atividade económica”, “que vai gerar oportunidades em toda a cadeia económica, projetando o país como competitivo e um destino confiável”

Agora é oficial: a Fórmula 1 vai regressar a Portugal em 2027 e 2028. A surpreendente promessa de Luís Montenegro em agosto durante a Festa do Pontal é agora um acontecimento palpável, com a Fórmula 1 a anunciar esta manhã que Portugal voltará a fazer parte da categoria-rainha do automobilismo.

Tal como em 2020 e 2021, na altura em tempo de pandemia, será o Autódromo Internacional do Algarve a receber a prova. Em 2020, ainda houve adeptos nas bancadas (cerca de um terço da capacidade de 90 mil lugares), com a edição de 2021 a realizar-se sem público. Lewis Hamilton venceu as duas corridas, com o triunfo de 2020 a entrar na história: o britânico tornou-se aí no piloto com mais vitórias na Fórmula 1, ultrapassando Michael Schumacher.

A edição agora confirmada de 2027 será a 19.ª do Grande Prémio de Portugal, que se correu pela primeira vez em 1958, no Circuito da Boavista, com vitória para Stirling Moss. No ano seguinte, a prova realizou-se no Circuito de Monsanto, voltando ao Porto em 1960.

Depois de um longo interregno, o GP Portugal de Fórmula 1 voltou ao calendário em 1984, no Autódromo do Estoril. A edição seguinte marcou a primeira vitória de sempre de Ayrton Senna na Fórmula 1, sob uma chuva inclemente, realizando-se de forma consecutiva no circuito dos arredores de Lisboa até 1996. O canadiano Jacques Villeneuve (Williams) foi o vencedor nessa temporada.

Em 2020, após várias provas do Mundial serem canceladas devido às restrições causadas pela Covid-19, Portugal teve a oportunidade de organizar de novo a prova em Portimão, que se repetiu em 2021. O traçado português é conhecido pelos seus desníveis e variações de altitude, tornando-se, por isso, desafiante para os pilotos. Ainda assim, as duas provas no Autódromo Internacional do Algarve foram marcadas pela dificuldade em ver lutas em pista, o que poderá mudar com a introdução do novo regulamento já no próximo ano, que trarão carros com menor largura e comprimento.

Com o regresso à normalidade, não mais o nosso país surgiu no calendário de um evento tradicionalmente muito caro, mas com a Fórmula 1 a preconizar maior rotatividade entre os circuitos europeus, abriram-se novos espaços. Zandvoort, nos Países Baixos, e Barcelona são pistas cujo contrato acaba em 2026. Em agosto, no Algarve, Montenegro apontou que o evento iria servir para “promover o território”, ainda que implicasse “algum esforço financeiro”, compensado pelo “retorno direto e indireto”.

Os contratos entre a Fórmula 1 e os promotores locais são confidenciais e as taxas cobradas não são públicas. Em agosto, Paulo Reis Mourão, professor de Economia da Universidade do Minho e autor do livro “The Economics of Motorsports - The Case of Formula 1” explicou à Tribuna Expresso que estes valores, pagos por cada país, variam entre “os €30 e os €50 milhões”. Tradicionalmente, de acordo com vários meios da especialidade, os circuitos europeus pagam menos fee do que os eventos mais recentes realizados na Ásia e Médio Oriente.

Em setembro, Stefano Domenicali, diretor do Fórmula One Group, confirmou que Portugal estava entre os países que tinham demonstrado interesse em receber corridas da Fórmula 1, tal como “Turquia e Hockenheim”, na Alemanha. Um interesse que se materializa agora, com duas corridas confirmadas para 2027 e 2028, ainda sem datas, até porque os calendários completos dessas temporadas demorarão até serem confirmados.

Agora, Domenicali diz-se “muito satisfeito por ver Portimão de regresso ao calendário da Fórmula 1” e que a modalidade “continue a acender a paixão dos incríveis adeptos portugueses”. O CEO da Fórmula 1 sublinha que o circuito algarvio, conhecido por “montanha-russa”, oferece “muito entusiasmo em pista, da primeira curva à bandeira de xadrez”. O executivo italiano deixou ainda agradecimentos ao Governo português pelo “apoio para trazer de volta a Fórmula 1 a Portugal” numa altura, frisa, que “o interesse e a procura pela oportunidade de receber um Grande Prémio está maior do que nunca”.

Governo congratula-se com regresso

A primeira reação do Governo português foi de Manuel Castro Almeida, Ministro da Economia e Coesão Territorial. “Portugal está de regresso ao mapa da Fórmula 1. O Grande Prémio de Portugal terá um impacto direto na atividade económica, vai gerar oportunidades em toda a cadeia económica, desde o turismo, aos serviços, às pequenas e médias empresas, projetando o país como competitivo e um destino confiável”, apontou o governante em declarações à página oficial da Fórmula 1.

Castro Almeida fala ainda de um evento que “reforça a estratégia de desenvolvimento regional do país”, aumentando o valor do território e as oportunidades para as economias locais, além de ser uma fonte de prestígio para o país, melhorando a imagem de Portugal para o mundo”. Em conferência de imprensa já esta terça-feira, o ministro sublinhou que as negociações com a Federação Internacional Automóvel estão a acontecer há muitos meses” e nessas negociações não entrou a variável Estoril, depois da Câmara Municipal de Cascais ter mostrado interesse em receber um Grande Prémio em 2028.

Já Jaime Costa, CEO do Autódromo Internacional do Algarve, destacou o carácter únicodo circuito, que “irá desafiar os melhores pilotos do mundo e criar um espectáculo que os adeptos vão adorar”.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: gtaborda@expresso.impresa.pt