“Adoro este motor, adoro este carro”. Notou-se na Austrália, onde George Russell venceu a primeira corrida da época da Fórmula 1
George Russell, da Mercedes, a celebrar a sua vitória no alto do pódio do circuito de Melbourne, na Austrália
Kym Illman
O Grande Prémio inaugural desta época de Fórmula 1 fez a Mercedes rasgar um grande sorriso: além da vitória de George Russell, o segundo lugar ficou com Kimi Antonelli. A Ferrari fechou o pódio, com Charles Leclerc. Os McLaren, incluindo o campeão mundial Lando Norris, acabaram a mais de 50 segundos do vencedor
George Russell (Mercedes) venceu, na madrugada deste domingo, o Grande Prémio da Austrália de Fórmula 1, primeira prova da temporada e dos novos regulamentos técnicos, e é o primeiro líder do campeonato. Foi a sexta vitória na carreira do piloto britânico.
Russell bateu o companheiro de equipa, o italiano Kimi Antonelli (Mercedes) por 2,974 segundos, com o monegasco Charles Leclerc (Ferrari) em terceiro, a 15,519 segundos, numa corrida em que o australiano Oscar Piastri (McLaren) se acidentou na volta de aquecimento e já não partiu, tal como o alemão Nico Hulkenberg (Audi).
No arranque, os Ferrari confirmaram as indicações deixadas na pré-temporada e Charles Leclerc saltou para a liderança enquanto Kimi Antonelli foi engolido pelo pelotão.
O espanhol Fernando Alonso (Aston Martin), com um dos piores carros do pelotão, fez um arranque surpreendente, ganhando sete posições na primeira volta, para ir de 17.º ao 10.º lugar. Os Aston Martin tiveram problemas de fiabilidade e tiveram de abandonar passadas poucas voltas. Ainda regressaram à pista para fazer alguns testes mas não cumpriram, sequer, metade das 58 voltas previstas.
Kimi Antonelli, à esquerda, e George Russell, a celebrarem a dobradinha da Mercedes com a equipa
Mark Sutton - Formula 1
Kimi Antonelli, à esquerda, e George Russell, a celebrarem a dobradinha da Mercedes com a equipa
Mark Sutton - Formula 1
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As primeiras 13 voltas foram bastante entretidas, com muitas ultrapassagens, mesmo pela liderança pois George Russell recuperou do erro do arranque. “Comecei a prova com as baterias a zero”, explicou, no final.
Nessa altura o motor do Red Bull do francês Isack Hadjar partiu e obrigou a um safety car virtual. A Mercedes optou por mandar os dois pilotos às boxes enquanto a Ferrari aguentou a sua dupla em pista até à volta 26.
“Pelo menos um de nós deveria ter parado”, lamentou o britânico Lewis Hamilton pela rádio.
Depois de a corrida estabilizar, os Mercedes mostraram ter o melhor ritmo de corrida, seguidos de perto pelos Ferrari que, ainda assim, não parecem ser par para os germânicos em termos de potência.
“Adoro este motor, adoro este carro”, exultava Russell, logo após cortar a linha de meta para a sexta vitória da carreira.
Os grandes animadores da temporada passada, McLaren e Red Bull, parecem estar um degrau abaixo.
O britânico Lando Norris, campeão em título, foi quinto classificado, atrás de Hamilton, que foi quarto, depois de ter mantido uma batalha nas últimas voltas com o neerlandês Max Verstappen (Red Bull).
O tetracampeão largou da via das boxes depois de ter sofrido um acidente no início da qualificação mas conseguiu recuperar até à sexta posição. Nas últimas voltas ainda se encostou em Lando Norris mas não conseguiu ultrapassar o McLaren.
O sinal preocupante é que ambos terminaram a mais de 50 segundos dos Mercedes. “Nem pensar que vamos recuperar uma diferença destas na China, de uma semana para a outra”, apontava Lando Norris.
Com estes resultados, George Russell lidera o campeonato de pilotos, com 25 pontos, e a Mercedes o de construtores, graças à ‘dobradinha’ deste fim de semana.
A Federação Internacional do Automóvel (FIA) prometeu mudar até junho a forma de medir a taxa de compressão dos novos motores, que parece ser o segredo do domínio da Mercedes, pelo que os dados poderiam baralhar-se de novo antes do verão.
A próxima ronda será o GP da China, já no próximo fim de semana, que terá a primeira corrida sprint da temporada.