Guerra no Médio Oriente cancelou duas corridas da Fórmula 1 e vai causar um rombo (no mínimo) de €80 milhões
Max Verstappen e Lando Norris a acelerarem no Grande Prémio do Catar, em 2025
James Sutton - Formula 1
O cancelamento consecutivo dos Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita representa uma das maiores perdas financeiras da Fórmula 1 nos últimos anos, calculadas entre os 87 e os 174 milhões de euros
A Fórmula 1 passou anos a vender a ideia de que é um produto global, com um campeonato que atravessa ditaduras, tempestades de areia, pandemias e mísseis ocasionais, sem nunca parar. Tornou-se uma espécie de monarquia itinerante que atravessa o planeta convencida de que o mundo se ajusta ao seu calendário. Mas a guerra no Médio Oriente conseguiu lembrar-lhe que há limites e obrigou a Federação Internacional Automóvel (FIA) a travar a fundo.
Mas o cancelamento dos Grandes Prémios do Bahrein e da Arábia Saudita não vai só calar o barulho dos motores, em seu lugar vai ouvir-se o som do dinheiro a fugir. Os números já foram publicados por quem acompanha a economia do campeonato e o rombo financeiro é enorme.
O Total Motorsport foi o primeiro a colocar um número no prejuízo: mais de 100 milhões de dólares (cerca de €87milhões), somando taxas de organização, direitos televisivos e receitas comerciais que desaparecem quando duas das provas mais lucrativas do calendário são riscadas.
Já o GPFans eleva a estimativa para perto dos 200 milhões (aproximadamente €174 milhões), lembrando que Bahrein e Arábia Saudita pagam das taxas mais altas da F1, frequentemente €50 a €60 milhões por corrida. E salienta que “embora a perda não vá paralisar a F1, que gerou 3,87 mil milhões de dólares em receitas totais no ano passado, ela expõe o quão importantes as corridas no Golfo são para as suas finanças.”
O italiano ficou em segundo lugar no Grande Prémio da Austrália
Atualmente, existem cinco corridas no Médio Oriente no calendário da F1: Bahrein, Arábia Saudita, Azerbaijão, Catar e Abu Dhabi. Segundo estimativas da Guggenheim Partners (uma empresa global de serviços financeiros, de investimento e consultoria) a região contribui com mais de 250 milhões de dólares (€217 milhões) em taxas anuais de promoção.
É a primeira vez em anos que a F1 cancela duas provas consecutivas por motivos geopolíticos. A FIA justificou a decisão com “risco operacional inaceitável”, expressão citada pela Al Jazeera no contexto dos ataques iranianos na região. A temporada perde conteúdo, os broadcasters perdem corridas e os patrocinadores perdem exposição.
A ironia é que a F1 vende‑se como um produto global, resiliente, quase imune ao mundo real, mas bastou um conflito regional para expor a fragilidade do modelo. Quando os países que pagam mais entram em guerra, o campeonato não perde apenas corridas, perde dinheiro e no final, sobra um vazio de cinco semanas no calendário e uma certeza desconfortável: a F1 pode medir tudo, o vento, a temperatura dos pneus, o desgaste das asas, mas não consegue medir o alcance de um míssil e quando a guerra entra no circuito, o castelo abana.