Fórmula 1

O azar de uns permitiu a história de Kimi Antonelli: italiano vence GP Japão e é o líder mais jovem de sempre do Mundial de Fórmula 1

Italiano de 19 anos é o novo líder do Mundial de pilotos, o mais jovem de sempre a lá chegar
Italiano de 19 anos é o novo líder do Mundial de pilotos, o mais jovem de sempre a lá chegar
NurPhoto

Partiu mal, caiu para o 6º lugar mas o timing da ida à box e um safety car em hora conveniente colocou a história no caminho do italiano da Mercedes, que ganhou de novo, agora em Suzuka. Oscar Piastri (McLaren) foi 2º e Charles Leclerc (Ferrari) 3º

Fazer história para Kimi Antonelli também necessitou aquele imensurável elemento impossível de controlar. Chamem-lhe sorte ou incidências da corrida. Aos 19 anos e 216 dias, o piloto da Mercedes bisou na Fórmula 1, ao ganhar o GP Japão depois do triunfo de há duas semanas em Xangai, e com isso torna-se no líder do campeonato mais jovem de sempre da categoria. Tudo depois de um arranque desastroso, que o viu tombar de primeiro para sexto.

Mas há sempre uma hipótese.

E a hipótese de Antonelli apareceu quando o italiano atrasou a sua ida à box para trocar de pneus. Uma estratégia que deu as mãos à sorte, ou azar de outros. À volta 22 já quase todos os da frente tinham calçado sapatos de borracha novos nos carros quando Oliver Bearman se despistou violentamente - num acidente que poderá marcar um antes e um depois no novo regulamento - obrigando à entrada do safety car. Antonelli passou então de líder provisório a grande sortudo da jornada: com a corrida em pausa, parou e voltou na frente, de onde não mais saiu.

Até aí a corrida de Suzuka tinha sido uma demonstração de vida da McLaren. Oscar Piastri passou para a frente após o arranque e defendeu-se sempre bem dos ataques de George Russell (Mercedes). Para o australiano este era um balão de confiança necessário depois de nem sequer ter começado as duas primeiras provas do ano - e fica a ideia que, sem safety car, tinha ritmo para vencer.

Ainda assim, dificilmente se pode tirar mérito a Antonelli pela forma como atacou a corrida quando se viu na frente: foi cravando volta mais rápida atrás de volta mais rápida, fugindo dos adversários numa era em que tal tem sido um desafio. Viu a bandeira de xadrez e esperou longos 13 segundos pela aparição do 2º classificado, Oscar Piastri. Atrás deste, veio a luta mais animada da parte final da corrida, com Charles Leclerc a aguentar-se perante os ataques de Russell, auto-intitulado o azarado do fim de semana, pela forma como viu as circunstâncias atirarem a vitória para o colega de equipa mais novo, que o ultrapassou assim na liderança do Mundial, com 72 pontos, mais nove que o britânico.

“Claro que ainda é cedo para pensar sobre o campeonato, mas estamos num bom caminho”, frisou Antonelli no final da corrida, assumindo que, depois de “um arranque terrível” teve “sorte com safety car”.

“Depois o ritmo foi incrível e foi uma excelente segunda parte da corrida. Senti-me muito bem com o carro e estou muito satisfeito com isso”, rematou.

Lewis Hamilton, outro dos beneficiados do safety car, ainda andou em posição de pódio, mas perderia lugares para Leclerc, Russell e Lando Norris. Max Verstappen (Red Bull), mais uma vez, pareceu escondido durante boa parte da corrida, atrás do Alpine de Pierre Gasly, sem conseguir desenvencilhar-se do francês. Melhorou ainda assim o 11º lugar da qualificação, amealhando 4 pontos do 8º lugar. Fala-se na imprensa neerlandesa que o quatro vezes campeão mundial está a perder a paciência e a pensar no seu futuro na disciplina.

Para lá dos recordes precoces de Kimi Antonelli, o GP Japão fica, de forma indelével, marcado pelo acidente de Oliver Bearman, algo que estava apenas “à espera de acontecer”, como referiu Carlos Sainz, diretor da associação de pilotos. A 300 quilómetros por hora, o britânico da Haas precisou de uma manobra de recurso para se desviar de Franco Colapinto, numa altura em que o argentino circulava a uma velocidade muito menor, por estar a regenerar energia do motor. O diferencial de velocidade criou uma situação de perigo, com Bearman a embater violentamente no muro. Saiu o carro a coxear e sofreu uma contusão no joelho direito.

“Temos alertado a FIA para isto, este tipo de acidentes ia acontecer. Foi uma sorte ser numa zona de escapatória. Imaginem se fosse em Baku, Singapura ou Las Vegas, com este tipo de diferencial de velocidade e acidentes perto das barreiras”, alertou o piloto espanhol da Williams, que espera que a federação automóvel encontre “melhores soluções” para corridas mais seguras.

O próximo mês, sem qualquer corrida devido à crise no Médio Oriente, poderá ser um bom timing para essa reflexão, com a FIA a assumir em comunicado, depois da prova, que várias alterações já estavam prontas a avançar. A Fórmula 1 só volta no primeiro fim de semana de maio, no GP Miami.

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