Há poucas pistas mais fluídas do que Zandvoort, a despedir-se este fim de semana das lides da Fórmula 1. Os carros vão acompanhando as ondulações e inclinações do traçado do GP Países Baixos com uma fresca subtileza. Esteticamente é mesmo bonito de se ver, se a Fórmula 1 fosse uma orquestra, os bilhetes mais valiosos seriam aqui vendidos, mas não dá para esquecer o mais importante: sem ultrapassagens, as corridas perdem a sua essência.
Zandvoort é território complexo para lutas na pista e isso voltou a confirmar-se no regresso da Fórmula 1 depois da habitual pausa de verão. Na corrida de sprint, só mesmo os problemas mecânicos de Lando Norris, que se queixou da traseira do seu McLaren, acabaram por trazer alguma emoção. O britânico, que partiu de 2º, seria ultrapassado por Charles Leclerc (Ferrari) à conta dessas questões e teve de se defender no final de Kimi Antonelli (Mercedes) para segurar o pódio.
De resto, praticamente não houve história: George Russell, que aproveitou as férias para ficar noivo, foi pole e o primeiro a ver a bandeira de xadrez, a sua quarta vitória de sempre em corridas sprint, a terceira esta temporada. Geriu como quis, sem as questões do ar sujo, importantes no GP Países Baixos. E os oito primeiros da qualificação foram os oito que, no final, recolheram pontos. Trocas face à grelha, só mesmo entre Leclerc e Norris e Piastri e Antonelli, sempre com prejuízo para os pilotos da McLaren.
Mesmo na última volta, uma bátega caiu sobre o asfalto de Zandvoort. Tivesse surgido essa chuva algumas voltas antes e talvez o interesse da corrida tivesse sido outro. Sem pontos de ultrapassagem óbvios, é possível que a meteorologia possa baralhar as contas, pelo menos na qualificação para a corrida de domingo, que ainda se definirá este sábado, a partir das 15h.
Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: lpgomes@expresso.impresa.pt