Fórmula 1

Na ondulação de Zandvoort, Norris tomou o caminho mais longo para ganhar o último GP Países Baixos

Na despedida de Zandvoort do Mundial, Lando Norris transformou a pole em vitória
Na despedida de Zandvoort do Mundial, Lando Norris transformou a pole em vitória
Mark Sutton - Formula 1

O britânico da McLaren foi pole, perdeu a liderança, mas numa mistura entre boa estratégia e coragem conseguiu voltar para a frente, conseguindo a sua segunda vitória consecutiva. Antonelli (Mercedes) foi segundo e reforçou liderança do campeonato

As ondas da praia de Zandvoort como que espelham o circuito ali vizinho, uma planta do mar em formato de asfalto. As curvas ululantes, fluídas, resultam sempre em bonitas imagens de carros bailando na pista, numa dança feita de velocidade e fuligem.

Mas é raro que estas imagens resultem em boas corridas. A beleza das curvas peraltadas do GP Países Baixos é inversamente proporcional ao espaço para ultrapassar naquele traçado, que voltou à Fórmula 1 em 2021, empurrado pelo fenómeno Max Verstappen, depois de quase 40 anos de ausência do calendário.

E agora diz de novo adeus à Fórmula 1, a uma Fórmula 1 cada vez menos europeia, cada vez mais interessada em milionários fees e um adeus que os neerlandeses não guardarão com saudade. Isto porque o último GP Países Baixos, pelo menos até ver, praticamente começou com uma imagem bastante inusual: à volta 2, numa última curva ainda algo húmida à conta da chuva que caiu em Zandvoort minutos antes do arranque, Max Verstappen errou. Foi guloso num dos corretores e perdeu a traseira do Red Bull, que ficou bem machucado depois de embater nas barreiras. O piloto, felizmente, ficou bem. Os adeptos menos.

A bandeira vermelha foi uma inevitabilidade e, na segunda partida, Kimi Antonelli, 3º na qualificação, roubou a liderança a Lando Norris, depois de no primeiro arranque já ter abocanhado um lugar ao colega da Mercedes, George Russell. Numa pista como Zandvoort, podia ser meio caminho andado para ganhar.

Porém, ao contrário da corrida de sprint, a corrida principal do GP Países Baixos não foi uma mera procissão. Não que fosse cheia de emoção em pista, de lutas corpo a corpo, mas as diversas estratégias de pneus e paragens nas boxes adensaram as possibilidades e abriram a competição na parte final. Entre Norris, Antonelli, Russell e Hamilton, todos pareceram, a certo ponto, ter hipóteses de triunfo.

Seria já no último terço que um ato de fé verdadeiramente corajoso definiria a corrida: à volta 55, das 72 totais, Norris, que seguia em 3º, mas com pneus bem mais frescos, aproveitou a luta entre Hamilton, que liderava, e Antonelli, para conseguir uma dupla ultrapassagem primorosa.

Foi como se, para chegar ao Porto partindo de Lisboa, Norris fosse dar uma volta de McLaren a Castelo Branco. Deu mais trabalho, mas no final, a pole conseguida na véspera transformou-se mesmo em vitória para o campeão mundial em título, que começa a segunda metade da época como terminou a primeira: com um triunfo.

Na luta mais direta pelo título, Hamilton foi o menos beneficiado. O seu Ferrari mostrou ter ritmo durante boa parte da corrida, mas uma estratégia de paragens algo duvidosa da escuderia italiana deixou o britânico pelos cabelos. Não se coibiu de o vociferar no rádio. Ainda liderou, mas acabou fora do pódio, com Antonelli e Russell na sua frente.

Antonelli reforçou assim a liderança no Mundial de pilotos, com 242, o colega de equipa, Russell, é agora segundo, com os mesmos 183 pontos de Hamilton. Pé ante pé, Norris vai-se aproximando: é agora 4º, com 159 pontos.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: lpgomes@expresso.impresa.pt