Os golos de Ewa Pajor e as defesas de Cata Coll devolvem o título da Liga dos Campeões ao Barcelona
Ewa Pajor, autora de um bis, celebra o 2-0 nos braços de Kika Nazareth
Florencia Tan Jun - UEFA
Após um ano de interregno, as catalãs voltam a conquistar a Europa. Em Oslo, derrotaram (4-0) o Lyon, com um bis da polaca a ser decisivo, tal como o acerto da guardiã, tendo Salma Paralluelo dado contornos de goleada em cima do fim. Kika Nazareth é uma das vencedoras, tendo entrado aos 85'
Qualquer cronista precavido vai alinhavando umas ideias ao longo de um encontro. O intervalo é um tempo particularmente apreciado para ir avançando no texto. Mas há armadilhas nessa antecipação.
No descanso do Barcelona-Lyon, da final da Liga dos Campeões feminina, Ewa Pajor era destaque por ser perdulária. Duas vezes a polaca foi servida pela canhota de seda de Alexia Putellas, duas vezes disparou sem pontaria, nervosa, ausente de precisão.
Mas os jogos, ainda para mais as finais, não seguem o ditado previamente pelos textos de análise. Ewa Pajor, errática no primeiro tempo, transformou-se em Ewa Pajor, estrela do segundo, finalizador certeira, mulher de 75 golos em 87 partidas pelo clube que representa.
O desafio foi, para o Barcelona, uma história com semelhanças com o que sucedeu com Pajor. Sofrer a abrir. Festejar a fechar. Concluir em goleada, selada em 4-0. Salma Paralluelo, aos 90' e aos 90+3', construiu uma goleada contrastante com o equilíbrio visto na esmgadora maioria da contenda.
Pajor atira para o 2-0
Molly Darlington - UEFA
A tarde de Oslo, com o sol irrompendo entre pedaços de sombra no relvado, acolheu a quarta final da maior competição continental entre estas duas equipas, todas desde 2019. O embate entre Jonatan Giráldez, antigo técnico do Barcelona, e Pere Romeu, antigo adjunto de Giráldez no Barcelona, determinaria se seria o Lyon a erguer o nono título, voltando ao trono após três épocas de interregno, ou as catalãs a consolidarem-se como força dominante, atingindo a quarta conquistas nas derradeiras seis campanhas. Prevaleceram as segundas, refazendo-se do desaire de há 12 meses, em Alvalade, contra o Arsenal.
As franceses entraram agressivas, incomodando as culés, não as deixando instalarem-se no seu meio-campo, colocando constantes armadilhas que emperravam a engrenagem blaugrana. O Barça, a equipa com mais posse de bola média desta Liga dos Campeões, chegou aos 35' com apenas 41% de posse. Aos 14', o bom arranque do Lyon levou a bola ao fundo das redes adversárias, mas o lance foi anulado por fora de jogo de Heaps.
As futuras vencedores só criaram perigo em esticões, longe da sua matriz de jogo. Foi aí que Pajor, ainda na versão do primeiro tempo, falhou.
Na outra ponta do campo, ergueu-se o outro destaque da tarde. Cata Coll segurou a baliza do Barcelona, com quatro defesas, todas de excelente nível. Antes do intervalo impediu um golo de livre de Bacha, depois do descanso negou o 1-1 ao Bècho e o 2-1 a Chawinga. Deu a sensação de que o Lyon poderia estar toda o dia a tentar e não marcaria. As triunfadoras marcaram quatro vezes em cinco finalizações enquadradas, as derrotadas zero em quatro.
A epopeia de Pajor principiou com um tiro cruzado aos 55', na passada, um golo com aroma a contra-corrente. Aos 70', já com a equipa de Giraldez muito exposta, veio o dobrar da vantagem.
Há uma portuguesa campeã da Europa. É Kika Nazareth, saída do banco aos 85', ela própria também com uma vingança de 2025, quando, lesionada, esteve ausente da final em casa. Já com a centrocampista em campo, a velocidade e agressividade de Salma Paralluelo levaram a uma diferença demasiada pesada para o Lyon. A Europa é, novamente, blaugrana.