O Fenerbahçe anunciou, esta sexta-feira, a saída de José Mourinho do comando técnico da equipa principal. A decisão, comunicada através da conta do clube turco na rede social X (antigo Twitter), surge dois dias depois da derrota frente ao Benfica, no Estádio da Luz, que ditou o afastamento do clube turco da Liga dos Campeões.
Aquando da eliminação, o português, que já na antecâmara do duelo frente aos encarnados enalteceu a maior capacidade do adversário, falando da força do seu plantel, da qualidade dos jogadores e dos milhões gastos em contratações, frisou que o Fenerbahçe "não ganha o campeonato não sei há quantos anos são" e acrescentou como "obviamente" a Liga Europa "é uma competição mais adaptada ao potencial" da equipa turca.
Foram declarações, porventura, realistas de José Mourinho, também reincidentes, que se juntaram a outras palavras que talvez não terão caído bem entre os dirigentes do clube turco. Presente na sala de imprensa antes da segunda partida da eliminatória contra o Benfica, no Estádio da Luz, o treinador já dissera “não conhecer” Hamdi Akin, após o vice-presidente do Fenerbahçe proclamar que “o Benfica não é uma equipa muito importante”.
Ao seu estilo, o português argumentou: “Não sei quem é. Eu desconheço a pessoa e desconheço a sua influência ou a sua importância na estrutura do clube. Porque, para mim, na estrutura do clube, nunca me foi apresentado como... Não sei quem é. Os nomes fazem um bocadinho de confusão, mas não sei quem é.” Pouco demorou até a imprensa turca e portuguesa publicarem fotografias do treinador e do dirigente juntos, à mesa, em diversos repastos e ocasiões.
Apresentado em Istambul há um ano, com grande entusiasmo, José Mourinho despede-se sem qualquer título conquistado. Na temporada passada, o Fenerbahçe terminou a Liga turca no segundo lugar, a 11 pontos do Galatasaray, tendo caído nos quartos de final da Taça da Turquia e nos 'oitavos' de final da Liga Europa.
Ao todo, o técnico orientou o Fenerbahçe em 62 jogos, somando 37 vitórias, 14 empates e 11 derrotas. Foi o décimo clube no qual trabalhou e o primeiro, descontando o FC Porto, o Benfica e o União de Leiria em Portugal, que habita num campeonato periférico no futebol europeu.
Aos 62 anos, é a quinta vez consecutiva que Mourinho sai de uma equipa no decorrer de uma temporada: esta série começou em 2015, na segunda passagem pelo Chelsea, teve sequela no Manchester United, em 2018, repetiu-se no Tottenham, em 2021, quase na véspera de disputar uma final, e o mais recente episódio acontecera na AS Roma, o ano passado.
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