Futebol internacional

Foi-se Ruben Amorim, ficou este Manchester United das desilusões, agora eliminado da Taça de Inglaterra

Tal como na Taça da Liga, o United voltou a ser eliminado, ao primeiro jogo, de outra competição
Tal como na Taça da Liga, o United voltou a ser eliminado, ao primeiro jogo, de outra competição
Jan Kruger

À segunda partida sem Ruben, eis um dissabor dos grandes. O Manchester United perdeu em casa contra o Brighton na 3ª eliminatória da Taça de Inglaterra, ficando, nem a meio de janeiro, apenas a competir na Premier League. Os red devils, ainda com Amorim, já tinham sido eliminados à primeira da Taça da Liga inglesa contra o Grimsby Town, equipa da 4ª divisão

Foi-se Ruben Amorim com as suas sapatilhas brancas, bomber jacket e momentos pensativos de cóqueras, diante do banco de suplentes. Foram-se os três centrais, mas o Manchester United não se livrou do estado convalescente, de um clube permanentemente combalido, com a linha de quatro de defesas em que Darren Fletcher, aperaltado com sobretudo, camisa e gravata, redistribuiu os jogadores este domingo, em Old Trafford, onde foram eliminados da Taça da Inglaterra.

Antes pouco merecedor da confiança de Amorim, o jovem Kobe Mainoo fez parelha com Manuel Ugarte no miolo do novo 4-2-3-1, um sistema para dar conforto aos jogadores, mas sem oferecer cola a um conjunto incapaz de ligar jogadas a começar nos defesas, a passar pelos médios e a acabar nos atacantes. No United ainda por saber se é para continuar a mando de Fletcher, ou se virá outro antigo futebolista dos anos dourados de Alex Ferguson feito penso rápido até ao final da época, cada posse de bola pareceu atravancar a equipa.

Ao intervalo perdia 0-1, golo de Brajan Gruda, canhoto de fintas, descaramento e confiança do Brighton, precisamente o tipo de desequilibrador de que os red devils carecem por ainda terem Amad Diallo e Bryan Mbeumo ausentes devido à Taça das Nações Africanas. Mesmo sem nexo no seu futebol soluçante, o United teve as suas aproximações à baliza adversária, mas a precipitação faliu Matheus Cunha e Jason Steele, o guarda-redes contrário, agigantou-se perante Diogo Dalot e depois esticou-se para ir com uma mão uma bola rematada por Bruno Fernandes.

Fiel à sua caça ao prejuízo, uma perseguição quase premente desde 2013, ano da reforma de Alex Ferguson, mas não das raízes dos hábitos que mais de duas décadas da gerência do escocês entranharam no clube, o United foi a cara da pressa, da precipitação e dos nervos na segunda parte.

Atabalhoado no fio de jogo, com Bruno Fernandes em modo lançador de todos os ataques, a equipa banalizou-se com o tempo. Já nem criou as poucas oportunidades flagrantes do primeiro tempo e só quando Shea Lacey, rapaz de 18 anos, filho da formação do clube, entrou com o seu atrevimento para a direita do ataque é que o United conheceu uma pitada de rasgo.

O United já só tem a Premier League por disputar esta temporada
Ash Donelon

O adolescente foi para cima dos adversário, tentou, fintou, rematou, mas tentou demais: em menos de cinco minutos fez uma falta durinha e atirou, com as mãos, a bola contra a relva, furibundo com o árbitro, viu dois cartões amarelos e foi expulso.

O funesto comportamento do adolescente, saído de campo a tapar a cara com a camisola, mereceu o respaldo de Old Trafford. Apesar de imaturo, os adeptos aplaudiram. Era o reconhecimento do esforço, mesmo que tenha privado a caótica equipa de ainda tentar acrescentar um golo ao que Benjamin Šeško marcara pouco antes, de cabeça, ao aproveitar um canto quando o United já tinha Harry Maguire em campo, esbaforido a correr rumo à área em qualquer jogada, um farol ambulante para cruzamentos.

Impressionou o som do silêncio quando o jogo terminou: aí os adeptos não se manifestaram, mal se ouviram assobios, o grave dos apupos quase nenhum. Se indiferência, tristeza aguda ou um respeito pelos jogadores no meio de tanta e repetente tormenta, alguma explicação haverá. Mais fácil se encontrará uma justificação para tal do que para o calvário continuado do Manchester United sobre relva e entre balizas. A 11 de janeiro, cerca de meia época cumprida, a equipa já só tem a Premier League (está no 7º lugar) com que se entreter, despida de futebol europeu e eliminada que também foi da Taça da Liga inglesa, logo à primeira, pelo Grimsby Town da 4ª divisão.

Julgou-se então que Ruben Amorim poderia ir-se logo embora nesse agosto, ele aguentou, o clube aguentou com ele, apenas se foi neste janeiro. Ficou este Manchester United, tal qual estava, a viver entre desilusões. E lá em cima, na bancada, Alex Ferguson a mascar pastilhar, aos 84 anos, a soltar impropérios fáceis de ler nos seus lábios.

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