Um idílio que nunca chegou a acontecer: seis meses depois, Xabi Alonso foi despedido do Real Madrid
Xabi Alonso em Madrid: 27 jogos, 19 vitórias, quatro empates e quatro derrotas
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Duraram pouco as ideias do técnico basco no banco do Real Madrid, clube em que, mais do que gerir uma tática, é preciso saber gerir um balneário. E Xabi Alonso nunca teve as estrelas na mão, anulando-se no processo. A gota de água foi a final da Supertaça, perdida para o Barcelona, mas a saída irá muito para lá dos resultados desportivos
O casamento parecia feito no céu. Xabi Alonso, treinador da moda, impecavelmente vestido no banco do Bayer Leverkusen enquanto terminava o domínio consecutivo do Bayern Munique na Bundesliga, a deixar a sua missão para abraçar outra, historicamente difícil, mas para a qual o basco parecia preparado desde sempre, por conhecer a casa. Com Carlo Ancelotti a caminho de outras longitudes, Alonso chegou ao Real Madrid como um príncipe prometido, como que agarrando algo que parecia intrinsecamente seu, talvez para um longo reinado.
Durou meio ano o idílio que nunca o chegou a ser: horas depois de cair na final da Supertaça espanhola, frente ao Barcelona, Xabi Alonso foi despedido, numa saída que irá para lá dos resultados desportivos - está a 4 pontos dos catalães na La Liga e bem dentro dos lugares de qualificação na Liga dos Campeões.
Em comunicado, os merengues sublinham que o divórcio, cheio de sinais, aconteceu “por mútuo acordo” e que Xabi Alonso continuará a ter “o carinho e a admiração de todo o madridismo”, por ter sido uma “lenda do Real Madrid”, representando “em todo o momento os valores do clube”.
As palavras parecem ilusórias, olhando para as últimas semanas. A derrota frente ao Celta, por 2-0, no início de dezembro, foi uma linha vermelha que se foi arrastando, virando o ano num periclitante equilíbrio em que o treinador parecia ser sempre o elo mais fraco num clube em que, mais do que gerir uma tática, é preciso gerir um balneário.
Xabi Alonso não está a ter vida fácil no Real Madrid
O Real Madrid estava então numa pobre série, com apenas duas vitórias em sete jogos e os oráculos da capital, que nunca deixaram de estar entranhados nas paredes desse balneário, iam esgrimindo os seus argumentos: os jornais falavam de um plantel que se queixava da quantidade e duração dos vídeos mostrados pela equipa técnica, das exigências táticas do novo treinador, do sem número de indicações que Xabi atirava nos treinos. Fede Valverde queixou-se por jogar a lateral, Vinícius Júnior por não ser titular, fazendo birra quando era substituído. Os tempos de relaxamento de Ancelotti, exímio na arte de equilibrar egos, estavam longe, já a trabalhar no Brasil.
Daí para a frente, os merengues foram colecionando vitórias, cinco seguidas em seis jogos. Xabi parecia a salvo. Mas não estava. Perdida a Supertaça para o maior rival, o braço de ferro tombou definitivamente para o lado da estrutura, para o lado do porta-aviões que é o Real Madrid. Xabi Alonso, vindo das intensidades no vermelho do futebol alemão, não conseguiu que um conjunto de estrelas o seguissem, nem mesmo depois de tentar acalmar os nomes, anulando-se, talvez, a si próprio e às suas ideias.
A pressão alta prometida no Mundial de Clubes desapareceu, tal como a aposta em jovens como Arda Güler ou Mastantuono, atirados para papéis secundários enquanto os pesos pesados voltavam a sentir as suas queixas ouvidas. Nada resultou e Xabi Alonso morreu da tentativa de cura. Dificilmente o resultado seria outro num clube como o Real Madrid.
Álvaro Arbeloa, homem da casa, que treinava a equipa B dos merengues, será o próximo a tentar esse complexo equilíbrio entre personalidades e vitórias.