Após o caos na final da CAN, Marrocos apresenta queixa contra a seleção do Senegal
Jogadores do Senegal durante a confusão na final da CAN
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A federação do país anfitrião do torneio decidiu apresentar, junto da confederação africana e da FIFA, ações legais devido à saída de campo protagonizada pelos seus adversários. O selecionador senegalês já assumiu o erro e pediu desculpa
A mais caótica das finais ainda promete dar muito que falar. Os cerca de 15 minutos em que a equipa do Senegal ameaçou abandonar o jogo contra Marrocos serão motivo de debate, julgamento, escrutínio.
No dia seguinte ao encontro em que os senegales acabaram por conquistar a CAN, derrotando os anfitriões por 1-0 após prolongamento, Marrocos apresentou queixa contra os seus adversários. Em causa, na exposição apresentada, está a interrupção do desafio, com o treinador e vários jogadores do Senegal a defenderem que a equipa não deveria voltar ao relvado.
Em comunicado, a federação marroquina anunciou as queixas, feitas à confederação africana (CAF) e à FIFA, devido ao “abandonar do campo por parte da seleção senegalesa”, bem como “às atitudes em torno dessa decisão”, após “um penálti ter sido assinalado, numa decisão considerada correta por parte de todos os especialistas”.
“Esta situação teve um impacto significativo no decorrer do jogo e nas prestações dos jogadores”, lê-se ainda no comunicado. Na sequência da interrupção, Brahim Díaz falhou o penálti que daria o título aos marroquinos. No prolongamento, Pape Gueye apontou o único golo da noite.
Final da CAN entre Marrocos e Senegal marcada por muita polémica
O caos da final não se ficou pelas ações da seleção de Senegal. Houve confrontos nas bancadas, cenas de pancadaria entre jornalistas, o técnico vencedor a não conseguir dar a sua conferência de imprensa por ter sido assobiado por repórteres marroquinos e apanha-bolas e suplentes de Marrocos a tentarem impedir que fosse dada uma toalha ao guardião adversário. O comunicado da federação não fez referências a estes incidentes.
Poucas horas depois do desafio, Gianni Infantino, presidente da FIFA, condenou as “cenas inaceitáveis” de Rabat, colocando o foco especialmente na intenção de abandonar o jogo. A CAF informou que está a “analisar as imagens” e prometeu sanções, acrescentando que “houve comportamentos não toleráveis da parte de futebolsitas e responsáveis técnicos”.
Um dos principais instigadores da revolta do contra o árbitro Jean-Jacques Ndala foi Pape Thiaw, selecionador do Senegal. Antes do penálti, foi anulado um golo aos leões de Teranga, numa ação muito contestada pelos visitantes. Ao longo de toda a CAN, diversas seleções foram-se queixando de alegado favoritismo arbitral a beneficiar Marrocos.
Ainda assim, o técnico vencedor já se veio desculpar. “Temos de aceitar os erros do árbitro. Não deveríamos ter agido assim, mas agora está feito e apresentamos as nossas desculpas ao futebol”, disse Thiaw.
Boa parte dos jogadores do Senegal quiseram abandonar a final
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Walid Regragui, o treinador de Marrocos, acusou o dono do banco adversário de dar “uma imagem vergonhosa do futebol africano”. Sadio Mané, principal figura do Senegal, foi, desde o primeiro momento, contra a intenção de não prosseguir a partida, indicando, após a conclusão da final, que o seu técnico “não honrou África” e “teve falta de classe”.
Parte da imprensa nacional tem também feito contas ao dano que o caos de Rabat pode fazer nas ambições que Marrocos tem para acolher os mais importantes embates do Mundial de 2030, organizado em conjunto com Espanha e Portugal e também com presença da Argentina, Uruguai e Paraguai.
Dos 20 estádios candidatos ao torneio, há seis recintos em Marrocos, incluindo o Stade Prince Moulay Abdellah, palco da final da CAN. Em 2028, os marroquinos pretendem inaugurar um estádio em Casablanca com capacidade para 115 mil espectadores, local onde esperam acolher a final do Mundial de 2030, superando a concorrência do favorito Santiago Bernabéu, em Madrid.
Não são de esperar decisões quanto a quem recebe que jogos em 2030 até 2027. Recentemente, problemas organizativos na final do Euro 2020, em Wembley, ou da Copa América 2024, em Miami, não tiveram grandes consequências para esses estádios, que permanecem como casa de embates de maior importância no futebol internacional.