Após não reagirem na primeira partida, jogadoras do Irão cantaram e fizeram uma saudação ao hino do país na Taça Asiática
As jogadoras iranianas a saudarem o hino nacional do país antes da segunda partida da seleção na Taça Asiática feminina
Albert Perez
A seleção feminina do Irão entrou em competição na Taça Asiática feminina após o país ser atacado pelos EUA e por Israel. No primeiro jogo as futebolistas mantiveram-se em silêncio enquanto tocava o hino nacional, mas, na segunda partida, já cantaram e fizeram uma saudação militar
As jogadoras da seleção iraniana feminina de futebol entoaram, esta quinta-feira, o hino nacional do seu país antes do embate frente à Austrália, para a Taça Asiática, depois de terem ficado em silêncio no primeiro jogo da fase de grupos da competição.
As iranianas saíram derrotadas por 4-0 pelas semifinalistas do Mundial2023 e anfitriãs desta prova, depois de, na segunda-feira, terem perdido por 3-0 diante da Coreia do Sul, num encontro em que as futebolistas permaneceram em silêncio durante o hino, numa alegada atitude de resistência ou luto face aos acontecimentos recentes no país. A equipa não clarificou a intenção.
Na conferência de imprensa de antevisão, a avançada Sara Didar chorou ao abordar a preocupação, sua e das restantes jogadoras e staff, com os seus familiares e amigos com a guerra que eclodiu no país, no sábado, com o ataque dos Estados Unidos e de Israel.
Adeptos iranianos nas bancadas do jogo entre Irão e Austrália na Taça Asiática feminina
Albert Perez
Esta quinta-feira, as jogadoras titulares celebraram o hino iraniano com a mão encostada à cabeça, em jeito de uma saudação militar, enquanto, entre os 22 mil espetadores, se ouviam algumas vaias e assobios. A equipa técnica também entoou o hino, com uma mão sob o peito, na zona do coração.
A mudança de comportamento da equipa iraniana relativamente ao hino assemelha-se ao comportamento da team melli no Mundial2022, então orientada pelo português Carlos Queiroz, com o silêncio no encontro inaugural, frente à Inglaterra, a contrastar com o jogo seguinte, diante do País de Gales.
Na altura, no Catar, o Irão disputava o Campeonato do Mundo após a violenta repressão ao protesto de mulheres desencadeado pela morte de Mahsa Amini, de 22 anos, após ter sido detida pela chamada ‘polícia da moralidade’