Futebol internacional

FIFA castiga Israel por “violações graves e repetidas“ de discriminação contra jogadores árabes

Gianni Infantino, presidente da FIFA desde 2016
Gianni Infantino, presidente da FIFA desde 2016
Buda Mendes - FIFA

A entidade que rege o futebol mundial multou a federação israelita em 165 mil euros por não reagir quando foram exibidas mensagens “politizadas e militaristas“ nas suas provas, nem tomar medidas para “promover a inclusão de jogadores árabes ou palestinianos

A Federação Israelita de Futebol (IFA) foi condenada a uma multa de 150 mil francos suíços (165 mil euros) por violações graves e repetidas das suas obrigações antidiscriminatórias, incluindo atos de racismo contra jogadores árabes, anunciou hoje a FIFA.

Segundo a entidade liderada por Gianni Infantino, a federação israelita falhou em tomar medidas concretas e transparentes contra comportamentos discriminatórios, incluindo o racismo demonstrado pelos adeptos do Beitar Jerusalém contra futebolistas árabes, e tolerou mensagens politizadas e militaristas em contextos futebolísticos.

A decisão do Comité de Disciplina da FIFA detalha, em 40 páginas, uma série de comportamentos racistas no futebol israelita, que vão desde slogans que exaltam a pureza racial nas bancadas do Beitar Jerusalém a insultos dirigidos a jogadores árabes, incluindo mensagens políticas e militaristas de dirigentes das ligas profissionais de Israel e do Maccabi Netanya nas suas redes sociais.

A FIFA não acatou o pedido de sanção solicitado há dois anos pela Federação de Futebol da Palestina, que exigia a suspensão da sua congénere israelita, alegando uma série de violações dos estatutos da FIFA, incluindo discriminação.

Agora, ao condenar a IFA, a FIFA considerou as multas impostas ao Beitar modestas e demasiado vagas, uma vez que não as ligavam explicitamente a incidentes racistas.

A FIFA observou ainda que a federação israelita não fez declarações públicas condenando o racismo, não lançou campanhas anti-discriminação e não tomou medidas para promover a inclusão de jogadores árabes ou palestinianos.

Assim, a federação israelita terá de pagar dois terços da multa no prazo de 30 dias e investir o restante na implementação de um plano abrangente para garantir ações contra a discriminação.

A federação israelita terá ainda de exibir, nos seus próximos três jogos internacionais em casa, uma faixa grande e bem visível com as palavras 'O Futebol Une o Mundo - Não à Discriminação', estipulou a FIFA.

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