Futebol internacional

Viktor Gyökeres “levou a equipa atrás” para resgatar uma Suécia que se manteve qualificação para o Mundial graças à rede

Em Valência, onde a Ucrânia recebeu a Suécia
Em Valência, onde a Ucrânia recebeu a Suécia
Quality Sport Images

O hat-trick de Viktor Gyökeres contra a Ucrânia colocou a Suécia a uma vitória de distância do Mundial. Os nórdicos, que ficaram no último lugar do Grupo B da fase de apuramento, estão no play-off graças à prestação na Liga das Nações. A chegada de Graham Potter fez as expectativas relativas a um regresso ao torneio subirem

A habilidade que Viktor Gyökeres tem para espalhar o caos com os pés distingue-se do pouco jeito demonstrado com as mãos. No final do Ucrânia-Suécia, o avançado estava atulhado. Como certificado dos impactantes três golos, ficou com a bola. Além disso, deram-lhe um megafone para a mão para, como um líder de claque, dar o mote para um cântico que unisse jogadores e adeptos. “Não sabia o que cantar. Pedi dicas aos meus colegas de equipa.” Em frente à frente baliza, o pânico foi menor.

Apesar do momento de inspiração, desde novembro de 2024 o instinto matador de Gyökeres na seleção esteve em repouso. Ao longo da fase de apuramento para o Mundial, não marcou qualquer golo, dado ao qual não será alheia a modesta prestação dos nórdicos no Grupo B. Dois empates, quatro derrotas e apenas quatro golos marcados remeteram os suecos para o último lugar.

Em condições normais, a Suécia estaria fora da luta pelo Mundial. No entanto, as regras de acesso ao torneio têm uma alínea que permite aos vencedores dos grupos da última edição da Liga das Nações terem vaga no play-off. Tendo terminado em primeiro lugar do Grupo 1 da 3ª Divisão da prova, a equipa sueca teve nesse caminho a rede que a salvou de uma queda do trapézio. A vitória por 3-1 contra a Ucrânia, num jogo realizado em Valência, não garante desde já o apuramento, sendo necessário um novo triunfo frente à Polónia para que tal se confirme.

Após a mudança do Sporting para o Arsenal, Viktor Gyökeres precisou de um período de adaptação a Inglaterra. A subida de rendimento no clube foi transposta para a seleção onde tem consciência do que esperam dele. “Sinto pressão e quero que as coisas corram bem. Sei o que isto significa para o povo sueco, para mim e para a equipa inteira”, disse citado pela imprensa local.

Perante os modestos desempenhos, Graham Potter substituiu Jon Dahl Tomasson. No terceiro jogo como treinador da Suécia, o inglês contou pela primeira vez com Gyökeres, que esteve lesionado na janela internacional de novembro. “A exibição dele foi incrível. Fora os golos, segurou a bola e teve responsabilidade defensiva. Vai fazer manchetes. Levou a equipa atrás dele.”

A chegada de Graham Potter, que se destacou no Brighton, foi anexada ao rol de justificações para a Suécia ainda estar viva na luta pelo Mundial. Victor Lindelöf, ex-Benfica que fez parceria na defesa com o bracarense Gustaf Lagerbielke, deu relevo às “instruções simples e claras” do técnico.

A Suécia conta com 12 presenças no Mundial, sendo que, em 1958, a jogar em casa, terminou no segundo lugar. Nas quatro edições realizadas desde 2010, os escandinavos apenas estiveram na de 2018, na Rússia.

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