Futebol internacional

Mês e meio e um ponto na Premier League depois, Igor Tudor foi despedido do Tottenham, com a espada da despromoção a pairar

Treinador croata despedido depois de conseguir apenas um ponto em cinco jogos na liga inglesa
Treinador croata despedido depois de conseguir apenas um ponto em cinco jogos na liga inglesa
Robin Jones

Chegou a Londres com fama de pragmático com resultados rápidos, mas deixa o Tottenham ainda mais atolado numa luta incaracterística pela sobrevivência. Em 44 dias e sete jogos, o treinador croata ganhou apenas um e em cinco partidas na Premier League somou apenas um empate. A crise não é apenas real no clube, é já um caso de desespero

A 14 de fevereiro, dia mais romântico do ano para muitos, o Tottenham anunciava realismo. Igor Tudor era, com surpresa, contratado como treinador interino para substituir Thomas Frank, que havia deixado a Espada de Dâmocles da despromoção a dançar por cima da cabeça de um dos big six do futebol inglês.

O croata sempre foi menos dado a poesia e mais de impactos imediatos do que o nórdico, com o Tottenham a virar a agulha depois de apostar em Frank no início da época. “Igor junta-se a nós com um foco claro: melhorar os desempenhos, trazer resultados e fazer-nos subir na tabela da Premier League. A sua responsabilidade é simples: trazer organização, intensidade e espírito competitivo à equipa nesta fase decisiva da temporada”, podia ler-se no comunicado do Tottenham que informava a chegada de Tudor a Londres.

Quarenta e quatro dias depois, o cenário só piorou e Tudor apenas ajudou a tornar o abismo mais próximo. Em sete jogos, cinco na Premier League e dois na Liga dos Campeões, ganhou apenas um, na Champions, frente ao Atlético Madrid, perdendo mesmo assim a eliminatória. Na liga inglesa o registo é doloroso: apenas um ponto, uma equipa desesperada, a apenas um ponto dos lugares de despromoção, algo que não é uma realidade para o Tottenham desde a longínqua época de 1976/77.

O comunicado que marca o adeus de Tudor é quase tão curto quanto a sua estadia em Londres. “Podemos confirmar que houve um entendimento mútuo para o treinador principal Igor Tudor deixar o clube com efeitos imediatos”, pode ler-se no texto, com o Tottenham a anunciar também a saída dos adjuntos Tomislav Rogic e Riccardo Ragnacci.

“Agradecemos ao Igor, ao Tomislav e ao Riccardo os seus esforços nas últimas seis semanas, em que trabalharam incansavelmente”, aponta ainda o clube, que lembra ainda o drama de Tudor, que soube da morte do pai pouco depois da derrota por 3-0 frente ao Nottingham Forest, de Vitor Pereira: “Enviamos o nosso apoio para ele e para a sua família nestes dias difíceis”.

Croata apostou em Kinský na Champions para logo o substituir aos 17 minutos na sua estreia
Bradley Collyer - PA Images

Com três derrotas consecutivas na Premier League, o arranque de Igor Tudor como treinador do Tottenham pareceu desde logo uma condenação à espera de acontecer. Há 13 jogos que a equipa do norte de Londres não ganha no campeonato, algo que só tem paralelo nos anos 30. O pequeno reinado do croata fica marcado por declarações fortes e decisões algo bizarras - e uma onda de lesões que tampouco terá ajudado.

Após a derrota frente ao Fulham, criticou abertamente o desempenho dos jogadores nos vários momentos do jogo, atirando até que lhes faltava “cérebro”. No jogo da 1ª mão do playoff da Champions, frente ao Atlético Madrid, Tudor deu a titularidade na baliza a Antonín Kinský, jovem de 22 anos com apenas dois jogos na temporada, ambos na Taça da Liga, e sem qualquer minuto na Liga dos Campeões. Ao fim de 17 minutos, e com três golos encaixados pelo Tottenham, Tudor substituiu-o, o que levou a críticas duras de outros guarda-redes.

Nos sete jogos que esteve à frente do Tottenham, Tudor tentou vários onzes, novas estruturas, desesperadas tentativas de mudança, sem nunca trazer à equipa os efeitos da chicotada psicológica da qual se tem tornado especialista. A equipa de Londres não deu data para apresentar o terceiro treinador do ano, que terá a espinhosa tarefa de não levar o finalista da Champions em 2019 para a segunda divisão.

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